segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sobre escrever

Tentei ignorar, mas não dá. Já fiquei meses sem encostar em um caderno, ou escrevendo só coisas do trabalho - até escolhi isso como profissão, veja bem. Não queria nem abrir uma página do word pra evitar qualquer pensamento que pudesse preencher tanto branco. 

Mas tem algo que vem de dentro, de algum lugar que não sei explicar muito bem onde é, que me coça a mão e não deixa os pensamentos fluirem sem antes serem registrados. Esse lugar tem uma voz, e essa voz sempre diz que “você pode saber fazer muitas coisas, mas você nasceu pra escrever. E você não vai parar”.

E parece que é assim mesmo. Não consigo relaxar enquanto não transferir aquele pensamento da cabeça pro papel. Devo ter nascido pra isso mesmo: pra preencher inúmeros cadernos, com a letra bem pequenininha mesmo. Pra lotar um HD com textos e mais textos. Pra ter uma série de rascunhos no corpo do email. 

Tudo vira assunto. Pode ser um papel de bala, um filme, uma pessoa passeando na rua com seu cachorro, um mendigo, uma propaganda na TV, um jogo de futebol, uma noite divertida. E não tem a ver com talento, mas com vontade de escrever até os dedos doerem.

A verdade é que vira vício. Depois de tantos textos, músicas, poemas, crônicas, contos, a sensação que tenho é de que não vou conseguir fazer outra coisa. De não querer fazer outra coisa. 

Escrever preenche um espaço em que não encaixa mais nada.


Um comentário:

littlemarininha disse...

Fato! Tô numa fase estranha em que nada que ponho no papel me chama a atenção, mas sei que é só uma fase. Não há maior conforto que o de preencher uma folha em branco com tudo que a gente tem entalado na mente (seja um tema bom pra filosofar, seja um papel de bala) :D.
Bom ver que você está de volta!
(E feliz aniversário atrasado. Não consegui ir na festinha, não te liguei e fiquei me sentindo mó mal e envergonhada por isso, desculpa!)
Beijos!

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