domingo, 16 de junho de 2013

Caixa de alegrias

Tinha uma época que eu guardava tudo que possuia algum significado especial. Era de tudo: carta, CD, adesivo, papel de bala, caneta, clips, graveto. Não chegava a ser uma acumuladora, mas tinha uma série de tranqueiras empilhadas. Como morei a vida inteira em casa grande, espaço nunca foi uma preocupação.

Aí eu me mudei para um apartamento e tive que dar atenção para o espaço. Quando fui me organizar, vi que tinha um monte de coisa que eu já nem lembrava mais que existia e que não tinha a menor função além de ocupar espaço. Então, joguei muita coisa fora e mantive só o que considero essencial, dividido em categorias. Uma delas é minha caixa de lembranças de shows. Já falei dela para vocês?

Em uma caixa (que está ficando cada vez menor), eu guardo ingressos, setlists, autógrafos, toalhas, bichinhos de pelúcia, programações e tudo mais que for relacionado a shows. A cada ano que passa, a coleção só cresce, e eu sempre sou tomada por uma alegria absurda ao pegar um ingresso e pensar “Caralho. Eu. Vi. Esse. Show. Esse, eu pensei que nunca veria”.

E falta coisa ainda

Era aqui que eu queria chegar. VETO é uma banda dinamarquesa de eletro-rock que eu sou fanática há sete anos. Ver um show deles estava na minha lista de coisas a fazer antes de morrer, e eu nunca imaginei que isso aconteceria no Brasil. Não só aconteceu, como foram dois shows. Não só foram dois shows, como foram baratos. Não só foram baratos, como agora eu tenho memórias de assistir VETO no meu país, e conversar com eles, e ouvir músicas que eu nunca pensei que ouviria ao vivo. E isso me enche de emoção e alegria.

Apesar de ter conhecido VETO ao ver um clipe deles na TV, eles nunca estouraram no Brasil. Na Dinamarca, eles são bem conhecidos e o Troels Abrahamsen, vocalista, é um produtor fodão. O Caio e eu (a gente conheceu a banda praticamente juntos. VETO tem uma importância enorme para a nossa amizade) éramos muito loucos pelos caras e mandávamos mensagens para eles no MySpace quase diariamente, perguntando se eles pretendiam vir para cá. A resposta era sempre a mesma: não temos grana.

Sete anos depois, um pouco dessa grana chegou e alguém trouxe a banda para o Brasil, para a minha felicidade. Assim que fui avisada de que aconteceria o show, corri para comprar meus ingressos. A partir daí, as expectativas só cresciam a cada dia.

Quando cheguei ao SESC Belenzinho na sexta-feira, atrasada e esbaforida, ficava a cada minuto mais nervosa. Ao entrar no auditório e descobrir que eu os veria de pertinho, eu fiquei em choque. Esse é o problema de gostar de bandas gringas que são muito pequenas e desconhecidas. Quando você tem a oportunidade de vê-las ao vivo, é cara a cara, mas ninguém sabe quando pode rolar outra apresentação. E isso é um tormento.

O show da sexta-feira estava bem vazio e foi um pouco estranho. Eles tocaram logo após o CTM, uma banda meio down com o Cazuza na guitarra e a Cássia Eller na bateria que não peguei o conceito. Então, eles começaram. O setlist foi curto e baseado, principalmente, nos últimos álbuns, Sinus (2012) e Point Break (2013). Muitas pessoas estavam pedindo músicas do primeiro álbum deles, There’s a Beat In All Machines (meu preferido), e a sensação era a de que eles não curtiram muito a ideia. Jens, o baixista, era sempre super simpático, mas os pedidos tiraram o Troels do sério em alguns momentos. A qualidade do show não foi comprometida, mas fã é fã e espera ouvir só suas músicas favoritas. 

Fui embora correndo para não perder o metrô e com uma visão totalmente diferente da banda (principalmente do Troels. Os outros caras eram simpáticos), e deu até para dar uma extravasada, xingando aos gritos na rua. Decidi que, no dia seguinte, seria totalmente blasé, porque não sou obrigada.

TROELS CUZÃO VEM PEGAR BUSÃO q
Então, um novo dia nasceu e todo mudou. No sábado, o SESC estava bem mais cheio e a banda que tocou antes do VETO era um amor. O Alcoholic Faith Mission é super divertido e fofos, e as músicas colocaram todo mundo para dançar. Tão queridos que foram até para a galera depois da nossa insistência para mais uma música.

Quando o VETO entrou no palco, parecia outra banda. É impressionante como a energia dos vocalistas é um fator importantíssimo e faz muita diferença. Naquele momento, o Caio e eu percebemos que ele voltou a ser o nosso gordinho suado de sete anos atrás. O Troels estava mais simpático, interagindo mais com o público e, para surpresa geral, mandaram duas músicas do primeiro álbum: We Are Not Your Friends  e It’s a Test, a minha favorita da vida. Não dá para explicar a emoção que é ouvir ao vivo a música que te fez conhecer uma banda e a sua favorita em um mesmo dia. Eu até agradeci na hora, dizendo que esperei sete anos para ouvir It's a Test ao vivo. O Troels até me respondeu: "You are so welcome! We haven't play this in a very long time". Sério. *-*

:')

Depois do show, esperamos um pouco e conseguimos falar com os caras da banda, que são uns queridos (até o Troels, que era o mais estrelinha, foi simpático nessa hora). Ficaram bastante tempo tirando fotos e conversando com os fãs. Foi muito legal saber que eles vieram para o Brasil só para fazer esses shows e depois iam voltar para a Dinamarca, já que eles nem estavam fazendo turnê fora da Europa. Conversei mais com o Jens e com o Mads, o baterista, que são uns fofos. Eles ficaram impressionados por saber que tinham tantos fãs no Brasil, que conheciam todas as músicas inteiras.

Depois de chegar em casa, eu estava radiante, nem conseguia acreditar no que tinha visto, depois de tanto tempo de espera. Porque esse é o tipo de momento que não vai sair da minha cabeça e, agora, eu tenho itens físicos para a minha caixa de memórias de shows.


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