quinta-feira, 4 de abril de 2013

Maçãpalooza


Era uma vez uma maçã. Sua vida era pacata e tranquila, mas sempre quis viver grandes aventuras e emoções. Pensou que isso nunca aconteceria, até que, certo dia, foi colhida, levada a uma unidade de uma grande rede de supermercados e comprada por uma bela e saudável jovem.

Ruborizada de emoção, a maçã percebeu que, naquele momento, sua vida daria uma reviravolta. Não sabia explicar o motivo, mas algo em suas sementes lhe dizia que tudo ficaria bem ao ser carregada naquela sacolinha plástica.

Oi, eu sou uma maçã.

E não é que ela tinha razão? Em uma bela manhã de sexta-feira, a bela e saudável jovem foi até sua geladeira, derrubou um pouco de iogurte no chão sem querer, limpou e lembrou-se da maçã: seria uma boa alternativa caso a fome apertasse durante o Lollapalooza Brasil 2013.

Então, a bela e saudável jovem e sua maçã partiram em direção ao Jockey Club de São Paulo, acompanhadas de seus belos, jovens e não tão saudáveis amigos. Qual não foi a emoção da mocinha ao chegar lá e não se deparar com filas enormes, como tinha aguentado no ano anterior? Ficou muito feliz ao saber que, em poucos minutos, teria um show divertido.

Mal sabia que sua maçã não teria o mesmo feliz final. Depois de uma revista nada rigorosa, que permitiria à bela e saudável jovem adentrar o recinto com itens não tão saudáveis assim - caso ela os portasse, que fique bem claro -, sua querida maçã não pode entrar por motivos de ainda estar inteira, contrariando tudo que havia sido publicado no site do evento sobre frutas pequenas OU cortadas poderem entrar. 

A aterrorizada maçã estava acompanhada de uma irmã maçã e uma amiga banana. Ela sabia que seria impossível curtir aquele dia de amor e música. Sabia que também seria impossível para a bela e saudável jovem ingerir tantas frutas tão depressa sem ter um piriri, apesar de todos seus protestos contra a incoerência da organização do caro estimado evento. Então, conformou-se com seu destino: ser brutalmente descartada em um lixo onde encontrou outras amigas que não haviam sido cortadas. Fim.

Caso não tenham percebido, a bela e saudável jovem sou eu. Me apeguei à maçã e à sua história, que correu o mundo. Por isso, quero contar um pouco para ela sobre esse divertido festival.

Estrutura

Fila para comprar ficha, pegar comida, bebida, ir ao banheiro - tudo isso que sempre tem e que deve ter em festival gringo também, vai. Devo dizer que não me senti tão afetada por isso porque cheguei cedo todos os dias e já comprei as fichas. Além disso, tentava sempre comprar comida ou bebida antes do final dos shows principais, que é quando todo mundo vai para a fila. Lama para todos os lados - mas se fosse no Glastonbury todo mundo ia achar lindo. Mas o pior de tudo, além do fedor de estrume, foi o som: baixíssimo nos palcos principais e altíssimo na Tenda do Perry. Ir para casa depois foi aquele parto de sempre, porque deve ser impossível fazer algum tipo de parceria com o Metrô para deixar algumas estações abertas por, pelo menos, mais uma hora.

Gatos

Sim, por favor, de tudo quanto é jeito. E o mais importante: ruivos. Declaro oficialmente que me apaixonei diversas vezes nessa edição do Ruivopalooza e aguardo ansiosamente a edição 2014.

Também te escolho, Josh

Unicórnios

Teve também. Ao dono dessa máscara, insisto que se apresente, pois quero ser sua melhor amiga para sempre.



Shows

Vamos por dias, por que não?

29 de março 

Of Monsters and Men

Quanta fofura na chuva. A menina que parece a Bjork com voz de Kate Nash e sua banda, com o gordinho com voz de Phill Collins e o baterista com melhor look do dia, fizeram um show que agradou quem amava e quem não fazia ideia de quem era a banda.

CAKE

Melhor show do dia. Os caras são tão divertidos e fora da moda quanto suas músicas que, justamente por isso, vão ser sempre legais. Cantar Short Skirt, Looooooooooooooooooooooong Jacket: apenas impagável. Uma pena o som estar baixíssimo.

Tamo nas montanha uhuu

The Flaming Lips

Gente, que loucura. Já tinham me falado que o show deles era bom, mas foi super hipnotizante ver o Wayne Coyne com aquela boneca e com uma bizarra obsessão pelos aviões que passavam toda hora. Ótimo show, ótimo som.

The Killers

Sem nem dar nem “boa noite”, chegaram quebrando tudo com Mr. Brightside. Fazia tempo que eu não via alguém tão feliz num show quanto o Brandon Flowers, que não parava de sorrir. Não sei o que ele tomou antes de entrar no palco, mas também quero um pouquinho. Tocaram vários hits, me diverti muito com o querido e fiquei sabendo que rolou até pedido de casamento. Mas mais sobre isso no dia...

Já que tô no Brasil, também vou ensebar a janela do ônibus com meu gel, né

30 de março

Gary Clark Jr.

No dia mais hipster do festival, consegui ver um pedacinho da apresentação do rapaz que, ano passado, tinha feito os shows de abertura do Eric Clapton. Só isso. Cada toque na guitarra é um choro, um grito. De novo, foi uma pena o som estar tão baixo.

Two Door Cinema Club

Só conhecia uma música dos irlandeses, aquela mais famosa. Fiquei chocada ao ver a pista tão lotada, nem parecia que cabia tudo aquilo de óculos gente por ali - o vocalista (ruivo) também ficou perplexo. Brasileiros, né. Debaixo de muito sol, dancei e ri muito com o Jann (e com uma prima de PRIMEIRO GRAU que eu não reconheci), mas o que eu queria ver mesmo era...

Alabama Shakes

Make me cry, Brittany
Brittany Howard, você quer ser minha amiga? Depois de me deixar completamente arrepiada o show inteiro com essa voz magnífica, só não posso dizer que foi o melhor show da noite porque você e sua incrível banda não são páreo no meu coração para o...

Queens of The Stone Age

Aqui é pé no peito, colega. Melhor show do festival. Cada toque de Josh-Deus-Homme na guitarra na bateria soava como o seguinte aviso: “não vai bater palminha aqui não, filho da puta. Aqui você vai beber, cantar e se preparar para transar mais tarde”. Se um dia forem me pedir em casamento, o show do QOTSA é uma excelente ideia. Ainda não compreendo o que se passa na cabeça desses organizadores de festival brasileiro que não colocam esses caras como headliners. De onde eu estava, o som estava ótimo, graças a Deus, a galera estava ensandecida - tem como não ficar? - e ainda tivemos música nova em primeira mão neste planeta. CHUPA, MUNDO! E Josh (ruivo), estou esperando você aqui no meu sofá, lindo!

Assiste aí e cala a boca

(Mudando de assunto: show do QOTSA me faz lembrar como existe fã mal educado. Estava vendo os vídeos do show deles no Rock In Rio 2001, antes do Songs for the Deaf e do sucesso por aqui, e todo mundo estava xingando porque queria Sepultura. No SWU 2010 também foi assim: os fãs de Avenged Sevenfold estavam xingando TODOS os artistas que tocaram antes dessa bandinha uó. Os shows não têm horário marcado? Se você chega mais cedo e sabe que outras bandas vão tocar antes, cala a boca e assiste ou chegue mais tarde. Ponto.)

Madeon

Depois da porrada do QOTSA, fui dar um tempo até o Black Keys na tenda do Perry - melhor ponto de encontro, aliás. Lá, tocava o Madeon, um DJ de DEZOITO anos. Aliás, o que é essa coisa da França com os DJ’s? Não erram nenhum! Enfim, o menino é super carismático e conseguiu levar a tenda inteira à loucura, misturando Killers com Justice, com Blur, com um monte de coisa. Sabe o que faz e espero vê-lo de novo.

The Black KeysZzZzZZZZzzzz

Eu gosto de The Black Keys. Apesar de serem os caras mais malas da música atualmente, o som deles é ótimo. Mas o show foi chato demais. Fiquei o tempo inteiro batendo um papo com o Sardinha e nem me incomodei, porque a impressão que dava é que eu tinha colocado o CD para tocar em uma festa, porque eles são iguaizinhos no estúdio e porque todo mundo circulava e conversava. Tenho certeza que, em um side show, teria sido muito mais interessante.

31 de março

Vivendo do Ócio

Apesar do nome, a apresentação dos baianos não é nada ociosa. Jajá, mesmo vestido de bancário, manda muito bem e sabe controlar a galera, que sabia todas as músicas de cor e fazia questão de gritar todos os versos. Eu sempre acho que falta tocarem Lado Ruim pt. II, minha favorita, mas eles compensaram ao chamar o músico uruguaio Pedro Gonzalez e a dupla de repente Caju e Castanha para tocar O Mais Clichê, uma das melhores do segundo álbum deles. 


Foals

Eu tinha visto uma parte do show do Foals no Planeta Terra de 2008 e tinha simplesmente ficado doida com os caras. Depois disso, eles lançaram dois álbuns muito bons e a apresentação está totalmente diferente. Achei que, lá em 2008, quando tinham só o Antidotes, rolava mais experimentação. Gostei do show, mas, de novo, o som foi um problema. Ouvia melhor o Mix Hell, que tocava na Tenda do Perry, do que o Foals, que estava a dez passos de distância de mim.

Vanguart

Quando todo mundo foi ver Kaiser Chiefs, eu fui ver Vanguart, sem arrependimentos. Eu gosto demais da banda, que fez parte de momentos muito especiais da minha vida. Fazia uns quatro anos que eu não ia em nenhum show deles - depois de uns três anos indo a praticamente todas as apresentações deles em São Paulo - e foi um soco no estômago, muito forte. Mas valeu a pena.



The Hives

Um absurdo de divertido. Aquele início assustador era só fachada para um show que seria repleto de pulos, gritos, suor e insanidade, da plateia e do vocalista Pelle Almqvist. Eu só conhecia os hits, mas parece que aprendi o resto do setlist ali na hora por osmose com a galera. Destaque para o figurino: a banda toda de fraque e cartola e os roadies de ninja. Apenas incrível.

Planet Hemp

Fiquei em dúvida: ficar no lugar ótimo que estava para o Pearl Jam ou ver Planet Hempa? Optei pelo segundo e sabia que ia ser bom porque, enquanto cruzava o Jockey, eu vi lá de longe o Gil Brother no telão dando sua opinião sobre a maconha e sobre a banda. E que show! Como o Sardinha tinha me dito, é show para pular e gritar até morrer. Também, com todo esse raprockandrollpsicodeliahardcoreragga, não dava para esperar outra coisa.



Pearl Jam

O Tyler disse uma vez que show do Pearl Jam é assim: se você nunca viu, não adianta eu explicar. Se você já viu, você sabe como é e eu não preciso explicar. E é bem por aí mesmo. Eu já tinha visto os dois shows em São Paulo em 2011 e fiquei alucinada. Mesmo achando o setlist meio light e, de novo, o som baixíssimo, a sensação foi a mesma. Meu maior problema nesse show foi ter enfrentado a área coxinha: meninos e meninas bonitinhas que, sabe-se lá por qual motivo, pagam R$ 300 em um ingresso e R$ 8 em cada copo de cerveja para ficar batendo papo a noite inteira e atrapalhando quem realmente quer ver o show e se acabar com a banda. Acho simplesmente inconcebível dar atenção para outras pessoas além daquelas que estão em cima do palco.

O mais querido <3 td="">

Momento indignação

Não deixaram minha querida maçã entrar no primeiro dia do festival, mas perdi as contas de quantas peras, laranjas, maçãs e bananas do tamanho de bazucas que vi lá dentor - e inteiras. Por uma questão de honra, tive que levar outras maçãs nos outros dias, e essas passaram. FUCK THE POLICE!

Saldo

Apesar da lama, do estrume, dos preços abusivos, dos transtornos para ir embora, eu ainda estou em transe e nem percebi que já é quinta-feira. Mas o mérito é única e exclusivamente das bandas, nem um pouco da organização do festival. E que ano que vem minha maçã tenha paz.

Não dá para falar sobre esse Lollapalooza sem agradecer todos os amigos que, com certeza, fizeram dessa uma experiência muito melhor - alguns até já citados: Alê, Sardinha, Nik, Lika, Jann, Camis, Wag, Tyler, Tru e todo mundo que eu não encontrei. Ano que vem tem mais!

Tirando a foto da maçã e do unicórnio, essa última do Popload, todas são da Rolling Stone.

3 comentários:

Nicole Collino disse...

Meu único arrependimento: não ter tentado encontrar esse vocalista do Two Door Cinema Club <3
AQUELAS!
HAHAHAHAHA

Poxa, queria ter visto The Hives. Tomara que eles voltem em show solo :)

Tyler Bazz disse...

Que a maçã seja mais que apenas uma maçã. Que seja um símbolo da opressão, da desorganização, do despreparo. E de todos os telefones roubados e que ficaram sem sinal.

Caminhando e cantando e seguindo a maçã.

Sefirah disse...

Nat, mas afinal podemos falar ou não durante os shows?! Rsrsrsr
Adorei o texto!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...