quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aquele recado


Esse texto não é fruto de crises, paixonites ou surtos de gente solteira. 
É só um relato sincero sobre música, amor e Beatles.

Música tem um valor inestimável na minha vida. Acordo e durmo cantarolando alguma coisa. Se eu não ouço a dose básica de músicas diárias, é certeza que aquelas 24 horas não vão terminar bem.

A minha relação com música tomou proporções tão grandes que já virou unidade de medida de tempo. Por exemplo, em um dia com trânsito, eu levo o disco 1 do The Wall, do Pink Floyd, para chegar ao trabalho. Da porta do meu apartamento até a padaria, dá para cantar metade de Construção, do Chico Buarque, e a volta é para finalizar. Quando quero esbanjar no banho, dá para ouvir Hey Jude inteirinha duas vezes. Caso contrário, é só uma Satisfaction mesmo.

E não é só unidade de medida de tempo: música é a minha principal associação a qualquer lembrança. Tem gente que tem memória olfativa, outros têm memória visual. A minha? Completamente musical. Tendo a associar músicas a todos os momentos e pessoas marcantes na minha vida. E como é boa essa sensação, né?

Depende. Sempre tem aqueles amigos incríveis, amores memoráveis, lugares inesquecíveis que valem uma excelente música. Mas é quase impossível passar toda uma vida sem cometer o erro de associar um som querido e especial a uma pessoa ou a um momento que não vale nem meio acordezinho.

História da minha vida.

A tarefa de dar trilha sonora às pessoas tem que ser muito estratégica. Não pode ser totalmente passional, para não correr o risco de passar por um procedimento muito delicado para recuperar aquela música. Tem gente que não liga para isso. E tem gente como eu, que demora anos para criar coragem para encarar o temido play de algumas canções depois de alguma decepção.

É preciso muito cuidado e atenção redobrada. É por isso que, até hoje, não consegui associar ninguém a Beatles.

Para mim, Beatles é O padrão. Tem que ser outro nível para me fazer botar um Beatles na roda da memória. Posso estragar todas as músicas do mundo com significados e pessoas, mas não tenho o direito de estragar Beatles. Aí, sempre que me pego pensando o que espero de uma pessoa com quem, algum dia, poderia passar o resto da vida, que me complete e todos aqueles clichês de outrora, a resposta é sempre a mesma: tem que valer um Beatles. É a exigência estranha.

Vou explicar porquê. Existem muitas bandas boas, muitos artistas praticamente perfeitos, mas ninguém nunca cantou o amor como os Beatles. Eles falaram de muitas formas de amor, de uma maneira muito universal. Por isso que insisto em manter esse padrão, porque acredito que, perdido em algum lugar desse universo gigante, está alguém que vale um Beatles. Alguém que tenha algo no jeito de andar, que ame oito dias por semana, que perceba que, no fim das contas, o que vale é o amor - e só isso é necessário mesmo. Nem precisa valer todos os Beatles. Valendo um só já seria ganhar na loteria.

Eu não sou o tipo de pessoa mais esperançosa ou deslumbrada com amor, destino e paixões. Mas tem um monte de coisas que ainda me fazem acreditar, e achar alguém que valha um Beatles é uma delas. E olha que já é muita coisa.

E, justamente por não ser a mais crente das almas, gravei na pele um recado. Na cidade maravilhosa, onde a trilha sonora é Taj Mahal, não me deixei esquecer do amor: que o amor é novo, é velho, é tudo, é você, eu e todo mundo. E de que deve ter alguém valendo um Beatles por aí.

Because.
Feita por Fábio Gomes, Estúdio Arte na Pele - Tijuca - Rio de Janeiro/RJ

7 comentários:

littlemarininha disse...

Caramba, Nat, que tatuagem linda, meu! :D
To apaixonada aqui!

Tyler Bazz disse...

Ficou muito, muito, MUITO linda!

E o comentário para por aqui. ;)

Cami Pires disse...

Ficou linda. E concordo plenamente com vc, tem que valer um Beatles...

Camila disse...

Eu sou como você, vivo associando músicas a pessoas e a momentos da vida. Muitas vezes fiquei traumatizada e sofri para apertar o play.

Mas Beatles é Beatles e não é qualquer um que merece.

Lindo texto e linda tatuagem! =*

PS: ontem estava ouvindo All things must pass e lembrei de você. :P

Almeida José disse...

E aí, tudo bom?

Parabéns pelo blog, é a primeira vez que eu passo por ele e achei bem bacana. Você sabe quão difícil é manter um blog bem feito e com bom conteúdo por mais de dois anos, então sabe quão bacana é teu próprio trabalho. Enfim, te confesso que dá pra ouvir Helter Skelter entre o meu quarto e o sair com o carro da garagem.

Bom trabalho.

A. José

www.conteiro.wordpress.com

Pattie Chies disse...

Lindíssimo texto!

Renata Bernardino disse...

Belo texto! Eu tenho muito esse lance de memória musical, às vezes não dá pra dar o maldito play e só resta a opção de renovar a playlist.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...