segunda-feira, 5 de março de 2012

Sobre fé e música

Though I had certainly looked at religion, I have always been resistant to doctrine, and any spirituality I had experienced thus far in my life had been much more abstract and not aligned with any recognized religion. For me, the most trusthworhty vehicle for spirituality had always proven to be music. It cannot be manipulated, or politicized, and when it is, that becomes immediately obvious.

Fé não é um conceito muito simples. Admiro pessoas, como minha mãe, que acreditam, de forma inabalável, em algo que nunca viram. Sim, acredito que exista algum tipo de força superior que rege o planeta e a nossa existência, independentemente de religião. Afinal, é só olhar tudo que existe hoje em dia: alguém – ou algo – tem que ser responsável por tudo isso. Não tenho uma opinião formada sobre o assunto, nem tenho uma fé lá muito consistente, mas acho importante acreditar em alguma coisa maior que nós mesmos.

De uns tempos para cá, tenho depositado minha fé na música. Para mim, é a melhor manifestação de alguma existência divina. E, no dia 12 de outubro de 2011, eu vi Deus. Saí de casa com meu pai em direção ao Estádio do Morumbi já sabendo que veria algo suficientemente marcante para contar para os meus filhos, num futuro bem distante. 

Dizem quem a fé move montanhas. Não foi exatamente o que aconteceu, mas o lugar que receberia uma divindade em poucas horas estava tão abençoado que meu pai e eu conseguimos lugares bem melhores na plateia. Duas amigas que iriam em um bom setor, bem melhor que o meu, trocaram de ingresso conosco, pois queriam ver o show com os amigos, que estavam na nossa arquibancada. Aleluia: já iríamos ver Deus mais de perto.

Logo nos acomodamos para o início do culto, ministrado por Gary Clark Jr., um jovem surpreendente, que já emocionou bastante e me preparou para a celebração divina, que viria em sequência.

Quando subiu no palco, Deus parecia muito mais simples que sempre imaginei. Humilde e tímido, eu o confundiria facilmente com o dono da banca de jornal da minha rua. Em sua forma humana, também conhecida como Eric Clapton, Deus mostrou que, para arrebatar rebanhos e mais rebanhos de cordeiros, só precisa de uma Fender Stratocaster azul.


Foi, fácil, um dos melhores shows que já vi na vida. O modo como Clapton toca é completamente hipnotizante. Acho que passei as quase duas horas de show com todos os pelos do corpo arrepiados e com os olhos marejados de emoção. O que foi dito a respeito do espaço é verdade: se tivesse sido em um lugar menor e mais intimista, o show teria sido excelente e não perderia tanto da energia. Mas não seria isso que impediria Deus de fazer sua obra em nossas vidas naquela noite.


É inútil dizer qualquer coisa sobre o setlist, mas foi uma incrível sequência de clássicos do blues. Naquela noite eu percebi que, se a fé é na música e o rock’n’roll é a religião, o blues é, sem dúvida, aquele estado de transcendência espiritual, muito buscado e tão complexo de alcançar.

Tão complexo que, para mim, foi difícil digerir aquele show, assim como foi difícil escrever esse texto, que só saiu do forno cinco meses depois. Na verdade, só me senti segura para postar esse texto quando li, hoje, a citação que inicia esse texto, do próprio Eric, em sua autobiografia.

Acredito que eu ainda estou engatinhando nesse caminho, com pequenos, demorados, repetidos e deliciosos passos. Um bom começo foram os presentes de aniversário que ganhei – primeiro esse show, depois um DVD sensacional, de um casal incrível.

Não tenho muito mais a dizer sobre esse show. Afinal, quem sou eu para falar de Deus? Só sei que, para sempre, aquela data ficará guardada na minha memória, como a noite em que fui batizada. 

Amém.


4 comentários:

.a que congemina disse...

A gente ganhou um presente muito foda de aniversário e isso é o máximo de comentário que eu consigo fazer sem me arrepiar.

Deus existe e usa uma jaquetinha muito da sem vergonha. <3

Bruno Carnovale disse...

Desculpa amg, mas você viu Jesus. Deus morreu em 1970, era negro e canhoto, bjs

Anônimo disse...

Parei de ler nesse momento: "E, no dia 12 de outubro de 2011, eu vi Deus."

Camila disse...

Se você for religioso, acreditará que foi Deus que deu talento a Clapton. Se você não for, será obrigado a concordar que ele é excepcional. Não há explicação para a hipnose que ele causa.

Eu perdi esse show por alguns entreveiros e não me perdoo por isso. Mas imagino que deve ter sido mágico.

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