terça-feira, 8 de novembro de 2011

Can’t find a better band


Tenho pensado muito em Pearl Jam ultimamente. Estou bem longe de me proclamar super fã, mas eles têm sido uma ótima companhia para mim, conquistaram meu coração de verdade. Nos últimos tempos, a banda foi trilha sonora de momentos bons e ruins, onde eu só precisava respirar, mas não sabia por onde começar. Desde que passei a entender de música, admiro muito o trabalho dos caras, mas, nesse ano, essa admiração e respeito só aumentaram, passaram a fase da paixão e já estão chegando no amor incondicional.

Começou quando confirmaram a turnê deles no Brasil esse ano. Muitos amigos foram aos shows de 2005 e recomendaram sem nenhuma ressalva. Eu já estava muito interessada, mas bastou isso para aumentar ainda mais minha ansiedade. Em agosto, comprei o ingresso para o show no Morumbi assim que as vendas começaram e, quando confirmaram o segundo show em São Paulo, já dei um jeito de garantir minha entrada nesse também (obrigada, LVBA!).

Um mês depois, começaram as sessões especiais do Pearl Jam Twenty, documentário feito para comemorar os vinte anos da banda. Eu já estava muito ansiosa para ver o filme desde quando o trailer saiu e comprei o ingresso para a única sessão que era possível chegar – mesmo sendo no dia do aniversário do meu pai e tendo que andar a Faria Lima inteira a passos rápidos e largos – porque eu tinha certeza que ia gostar. Primeiro, porque a direção é do Cameron Crowe, um dos meus preferidos. Segundo, porque o documentário das bodas de cristal do Foo Fighters, Back and Forth, é muito fraco e me decepcionou, mesmo eu gostando bastante da banda. Como já sabia que a história do Pearl Jam é bem mais rica e teria uma ótima direção, apostei todas as minhas fichas nesse filme.

A gente faz direitinho

Não me arrependi. Saí do cinema com a sensação de ter visto algo muito sincero, sem necessidade de inflar egos ou afetação. Porque os caras são foda. Deve ser praticamente impossível viver nesse meio e não deixar a fama subir à cabeça. É visível que são poucos artistas que conseguem se manter fieis àquilo que eram quando deram os primeiros passos na estrada; que fazem o que acreditam.

Segura eu, galera

Admiro ver gente humilde e simples como eles. Pearl Jam Twenty só serviu para atear mais fogo dentro de mim para os shows de novembro. Afinal, quem mais bateria de frente com a maior distribuidora de ingressos do mundo? Precisa ter culhões. No nível em que o Pearl Jam estava, eles não precisavam boicotar a Ticketmaster; era só fazer como todo mundo e seguir a onda. Assim como eles não precisam gravar os shows porque os fãs realmente curtem essa iniciativa, ou até mesmo ensaiar duzentas músicas em uma turnê só para garantir um setlist diferente em cada show.


Ao entrar no Estádio do Morumbi nos dias 3 e 4 de novembro (setlists aqui e aqui), tudo fez sentido: a idolatria dos fãs de Pearl Jam é única. A energia da plateia é muito contagiante e forte, como se tivéssemos sido transportados de volta para um show em 1992. Eu, que não tinha nem dois anos na época, me senti parte daquilo como nunca consegui antes. E a banda retribui todo o amor dos fãs de um jeito totalmente diferente do que eu já tenha visto. Como uma colega disse, os momentos que eles dão para os fãs são inexplicáveis e não passam depois do show. 


O Pearl Jam não precisa de um palco super elaborado. Eles tocam com a sede de uma banda em começo de carreira, que convida as quase 120 mil pessoas presentes nos dois dias de show para o ensaio na garagem. A atmosfera é tão envolvente que é difícil não se emocionar. Eddie Vedder – ainda com a marcante voz intacta – tem uma performance incrível e, mesmo com o público na mão durante as duas horas de show, pede desculpas pelo português falho, faz brincadeiras e conversa bastante, sempre com um sorriso agradecido de quem não esperava ver uma multidão com tanto pique. Como a Mari disse, ele é um xamã e, para acompanhar, é preciso escutar com a alma.


Depois de dois shows seguidos e muitas e muitas horas revendo tudo na internet, lembrar daquelas duas noites ainda me leva às lágrimas. Existe algo de muito bonito e especial no Pearl Jam que ainda estou tentando entender. Não com muito esforço, é verdade, porque acho que essa é uma das chaves para curtir o trabalho dos caras e fazer parte do amor que os fãs têm por eles: música não é uma questão de lógica ou de racionalizar as situações.

É tudo sobre aquela felicidade inexplicável de ter um nó na garganta e os olhos marejados ao ouvir tal riff de guitarra. É sobre nem conseguir levantar da cama no dia seguinte depois de tanto pular, dançar, gritar, ficar espremida em grade e se entregar de corpo e alma. É sobre ficar muito difícil voltar para a realidade depois disso, sendo um peso insuportável.

É sobre a música e nada mais. E Pearl Jam é, sempre, somente e simplesmente sobre a música.

2 comentários:

Nih_x disse...

E vale a pena cada gota de suor! :)

Tyler Bazz disse...

Puta post! Mesmo!
"E Pearl Jam é, sempre, somente e simplesmente sobre a música." resume tudo, acho. O PJ é (sempre foi) uma das bandas mais sinceras de sempre..

E uma coisa linda, sensacional, (e por incrível que pareça, menos comum que óbvia em outras bandas), é que vc olhava a banda toda no palco e conseguia ver o quanto eles estavam felizes por fazer aquilo.

Foi inesquecível.

(e, de novo, muuuuuuito obrigado por ter me conseguido o ingresso. vc salvou meu ano MESMO! te devo demais.)

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