quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Por anos melhores

(Esse texto é dedicado a muitos amigos, graças a Deus, que fazem dos meus anos muito melhores.)
Para todo mundo que perguntou, eu falei que os 20 anos não foram lá muito confortáveis. Além da transição esquisita – ter um “2” em vez de “1” na sua idade é bem bizarro. Nem imagino como vou ficar aos trinta – não tive tempo para nada. Dá para perceber pela periodicidade de posts aqui no blog. Tanto o trabalho quanto o TCC acabaram me consumindo de tal forma que dá para contar nos dedos quantas vezes fui ao cinema, ou a alguma festa, ou encontrei meus amigos, ou qualquer outra coisa que me trouxesse mais diversão. Esse ano tem sido tão cansativo que até escrever para cá está sendo uma prova de resistência. No meu computador, acumulei dezenas de textos com um só parágrafo que não vão engrenar tão cedo.

De certa forma, não consegui me dedicar muito a mim mesma ou às coisas que gosto no último ano. Mas a falta de tempo não é o único motivo do sumiço. Parece que foi com 20 anos que a minha ficha para a vida real caiu. Não em questões profissionais ou acadêmicas, pois sempre fiz questão de levar tudo isso a sério, sempre. A ficha que caiu chama-se inocência. Ou ingenuidade, pode escolher o nome.

Explico: desde que me conheço por gente, prefiro acreditar que as pessoas têm algo de bom para oferecer para a gente ou para o mundo. Apesar de o mundo ser uma bosta, eu sempre acreditei nas pessoas. Afinal, todo mundo nasce com algo especial, porque todo mundo têm uma missão nesse planeta, certo? Errado. Esse ano, eu aprendi que tem gente que é ruim mesmo. E, infelizmente, isso é uma coisa que nem eu, nem você, nem ninguém pode mudar.

Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Só não esperava que tudo viesse de uma vez, como uma bela de uma voadora com os dois pés no peito. Esse ano, eu passei por algumas situações de gente querendo puxar meu tapete de algum jeito. Acompanhei minha família, muitos amigos e colegas de trabalho se dando mal inúmeras vezes, em praticamente todas as áreas da vida, por conta de gente pobre.

Sim, gente pobre. Não estou falando de pobre que não tem dinheiro, mas sim de gente pobre de espírito. Gente tão pequena, mas tão pequena, que precisa fazer maldades a torto e a direito para buscar algum tipo de autoafirmação. E o pior de tudo é que não houve nenhum caso em que essas pessoas ganhassem algo. Tudo que eu passei e que vi acontecer foi a troco de nada, de gente a milhares de quilômetros de distância torcendo para dar merda na vida alheia. Nem os piores vilões do cinema fazem as coisas à toa; eles sempre têm uma estratégia por trás para dominar o mundo. Não é certo, nunca será, mas pelo menos os vilões têm alguma justificativa.

Não pense que sou tapada, mas é que, até agora, a má intenção das pessoas não tinha me atingido. Aí que, com 20 anos, minha vida virou um turbilhão e que, infelizmente, deu espaço a um tanto de gente assim. Sempre penso que, sei lá, essas pessoas têm pai e mãe, e eu tenho certeza que eles não foram ensinados dessa forma. Tenho certeza que, se os pais dessas pessoas descobrissem o que acontece, geraria uma decepção enorme. Falo isso porque tenho um respeito muito grande por meus pais e, ao me colocar no lugar dessa galera por um segundo, o sofrimento que eu causaria aos meus pais simplesmente me derrubaria. Talvez eu que me apegue a bobagens demais.

Com tudo que aconteceu, pensei que fazer 21 anos ia ser um saco. Na verdade, o dia dizia que ia ser assim, já que até acordei doente ontem. Mas não foi, porque ainda tem muita coisa pra me fazer acreditar no mundo. Porque, para cada pessoa mal intencionada, tem os amigos de colégio que vão aparecer na sua casa de surpresa. Para cada um que puxa seu tapete, tem três pessoas que vão te acalmar no horário de trabalho. Para cada fofoquinha, tem quatro histórias que vão te fazer gargalhar até chorar. Para cada momento de desespero, tem uma cerveja no posto da faculdade. Para cada decepção, tem um casal de amigos que vai te fazer montar uma cesta básica do amor.

Para cada derrubada, tem uma mãe e um pai com as palavras certas. Para cada besteira que você ouve, tem um irmão e uma cunhada muito felizes com a casa nova. Para cada choro, tem amigas que aparecem na sua festa de aniversário por uns quinze minutinhos só para dar um abraço apertado. Para cada momento de desânimo, tem aquele amigo tão especial com quem você vai conversar a noite inteira. Para cada falta de esperança, tem aquela viagem para o Rio de Janeiro. Para cada acesso de fúria, tem alguém que vai saber te acalmar. Para cada momento em que parece que tudo vai desabar, tem um pé de feijão e vários cachorrinhos.

Porque, sempre que você pensar em desistir do mundo, vão aparecer milhares de pessoas que vão te fazer sorrir. E é por isso que ainda vale a pena acreditar.


5 comentários:

Nih_x disse...

É isso aí menine, sempre vai ter coisas boas e coisas ruins.Umas são mais fáceis de superar do que as outras, o importante é quem caminha do seu lado, te apoia e te faz sorrir.

Feliz aniversário mais uma vez!!! =D

littlemarininha disse...

Já ouvi muita gente dizer que crescer dói pra caramba. Eu mesma já disse isso várias vezes.
O que dói, na verdade, é notar cada vez mais a existência desse tipo de gente pobre que pisa nos outros sem motivo. Isso dói muito. Mas só. O resto é descobrimento, novidade, espanto... e essas coisas não doem, a gente estranha no começo, mas se adapta a elas.
O mais importante é valorizar as pessoas maravilhosas que aparecem porque, como você lindamente ressaltou, elas aparecem muito mais que as pobres de espírito.
Parabéns de novo, Nat! Pelos 21 e por ter os pensamentos claros em relação à vida.

littlemarininha disse...

"No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança"

Não, eu não gosto do Ivan Lins martelando o piano e berrando, mas lembrei dessa letra ;)

Anônimo disse...

O tempo passa muito rápido. A vida é curta! Aproveite os bons momentos, cuide da sua família e não faça nada para magoar as pessoas que você mais gosta.. belo texto. Parabéns!

Larissa Bohnenberger disse...

Lindíssimo, Naty!

Eu também aprendi do jeito mais difícil que tem pessoas essencialmente ruins, sim! Pessoas que não sabem buscar a própria felicidade e por isso torcem, e muitas vezes se esforçam para provocar a infelicidade do outro. Ainda bem que há quem nos faça sorrir, nos dê um ombro amigo quando precisamos e nos mostre que a humanidade não é toda ruim! Temos mais é que tentar ignorar os invejosos, abstrair as maldades que nos rodeiam, e tentar ao máximo nos cercar de pessoas que valham a pena.

E antes de ir embora, só mais uma coisinha: como é que você ousa tocar neste assunto de idade e troca de dígitos enquanto eu estou aqui a um mês (buáááááááááá) de trocar o 2 pelo 3? O que me conforta é que a maioria dos que já chegaram lá (ou passaram) garantem que é uma década ótima, a dos 30... Espero que sim!

Bjs, querida!

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