quinta-feira, 14 de julho de 2011

O amor nos tempos da web

Nunca tinham se visto, mas tinham um ritual que, como qualquer outro, era sagrado e diário: se falavam pelo Gtalk, nem se fosse só para trocar um “oi, tudo bom?”; ela curtia algum status dele no Facebook sempre que ele dava um like em algum post do Tumblr dela. Tuitavam os mesmos links, quase sempre sem querer, e estavam inscritos nos mesmos canais no YouTube.

Eram sinais que ninguém compreendia muito bem, mas, para eles, sempre esteve muito claro.

Só ela sabia que ele tinha um LiveJournal e, toda vez que ela falava que não apagava o MySpace só porque ainda não tinha ouvido todas as bandas adicionadas em seu perfil, ele fingia acreditar. Eram vizinhos desde sempre no last.fm, onde se conheceram, e toda vez que o Songkick mostrava um show que ela sabia que ele ia curtir, ela precisava dar um jeito de saber se ele iria, só pelo prazer de saber que ele ficaria muito feliz com isso.

Conversavam por Skype, por MSN e por DM. Quando se sentia mal, só os posts do blog dela tinham o poder de alegrá-lo, enquanto os itens que ele compartilhava no Google Reader arrancavam dela gargalhadas inesperadas no meio do expediente. Ele tinha a impressão de que os check-ins dela no Foursquare eram só de lugares que ele gostaria de visitar, assim como ela sempre imaginava que a estante dele no Skoob era formada só por livros que ela sempre foi louca para ler.

Gostavam muito um do outro, isso é verdade. Teve até uma época que cogitaram criar um perfil conjunto no Orkut – hoje, agradecem por ter mudado de ideia, “já pensou que ridículo?”.

Depois de tantos anos, a certeza era de que tinham algo muito especial, pelo simples fato de ser inexplicável. Era algo que nunca pensaram que fossem capazes de sentir em nenhum momento da vida. Nunca tinham se visto, mas preferiam não forçar nada. Sabiam que, se fosse para acontecer, se encontrariam algum dia e seria inevitável.

Enquanto isso, a vida seguia. Ele como contador e ela trabalhando em uma agência de promoção de eventos. É verdade, nunca tinham se visto, mas, todo dia, davam uma olhadinha no perfil do outro no Google+, só para saber mais novidades.

Mas, por favor, não me pergunte em qual círculo eles se adicionaram. Aí já é invadir demais a privacidade do casalzinho.

8 comentários:

Hally disse...

Genial guria!! Colocaste tão bem cada rede social no texto, ficou tudo bonitinho e no lugar certo, fazendo todo sentido do mundo. Ainda mais pra quem conheceu o namorado no orkut e ficava madrugadas inteiras no msn com ele. Muitas recordações...

Parabéns!!!!

Tati disse...

Hahaha... Adorei! Se tem uma coisa que eu gosto é do tal "amor em tempos de internet". Encontrei o amor da minha vida assim!

Vou voltar aqui mais vezes (embora tenha ficado um pouco acanhada com o aviso "agregue conteúdo a esse post.". Será que agreguei algo? o.O)!

beijos :)

Natalia Máximo disse...

Suas lindas! Como conheci meu primeiro namorado nessa situação também (e não duvido que os próximos venham da mesma forma), parece que fica muuuito mais confortável falar sobre isso.
Tati, desculpa =~~ Eu tinha colocado esse "agregue conteúdo" faz um tempo, quando só tava recebendo uns comentários nada a ver que estavam me irritando MUITO! Agora coloquei algo que tem mais a ver com meu momento lindo de vida hahaha
E seja muito bem-vinda, tenho certeza que seus comentários sempre agregarão algo de bom!

Nayara Tognere disse...

aiiii *-* sua fofa!
eu adorei isso muito
ficou ótimo!

Íris disse...

Sensacional como sempre Natólinha. Toda vez que eu venho aqui eu me surpreendo com o tamanho do talento que você tem. Beeijos!

Camila disse...

Nossa, Natália, super legal esse post!

Ana disse...

Nat, ficou lindo!!!
Eu já tinha pensado em escrever um texto assim (com o mesmo título hehehe) mas já q vc fez isso tão maravilhosamente, vou deixar só pra vc.

Bruno disse...

A parte mais bonita da história é quando eles desistem de criar o perfil conjunto no Orkut.

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