domingo, 10 de abril de 2011

I’m on a bloodbuzz, yes I am

Já parou para pensar em quanta coisa pode acontecer em três anos? O mundo pode mudar em menos de um dia, imagine o que é possível nesse tempo todo. Aqui, falando apenas de mim e uma banda.

Há três anos, eu tinha acabado de entrar na faculdade e era professora de inglês. Eu morava em outra casa e ainda era meio loira. Eu ainda namorava. Tinha acabado de sair do colegial e caído nesse mundo maluco de trabalho, ensino superior e gente que eu não conhecia e pensei que nunca fosse me encaixar. Eu não tinha um blog – não um que eu levasse a sério. Eu não fazia ideia do que queria fazer da vida, e isso me assustava muito.

Agora, eu estou acabando a faculdade (sim, é o ano mais estressante da minha vida), mudei de emprego e de casa. Assumi de vez a rebeldia dos cachos e pensei milhões de vezes em desistir dessa coisa estranha chamada amor. Parece que estou começando a me adaptar ao mundo dos adultos – embora eu sinta muita falta de chegar em casa e dormir de uniforme depois do almoço. Comecei um blog de verdade e me apaixonei pela ideia e por tudo que sua concretização me trouxe de bom. Eu ainda não sei o que fazer da vida, mas parei de me assustar e estou tentando não acelerar as coisas; o que tiver que ser, vai ser.

Muita coisa pode mudar para uma banda também. Há três anos, eu não esperaria outro show do The National no Brasil. Nunca que em 2008 quase duas mil pessoas sairiam de casa para vê-los ao vivo. Grande erro, sem dúvidas, mas ainda bem que as coisas mudam. Há três anos, o The National já tinha álbuns ótimos, mas nenhum deles foi tão importante para a carreira dos caras como High Violet, o melhor lançamento de 2010 e que trouxe um sucesso considerável – e merecido – para a banda. Eles voltaram muito mais maduros e prontos para dar tudo que a gente queria nas quase duas horas que tínhamos para aproveitar aquela oportunidade. Eu voltei diferente, com companhias diferentes (e ótimas) e esperando muito deles, porque eu sei que eles supririam tudo aquilo.

Muito mudou, mas muita coisa continuou igual também – para mim, para eles, para o bom e para o ruim. Percebi que existem alguns sentimentos continuam iguais, mas o fato de ignorá-los permite seguir a vida normalmente; o The National continua com a incrível capacidade de fazer músicas tristes e difíceis de digerir e, mesmo assim, fazer uma apresentação imprevisível e cheia de energia. Todos são muito simpáticos com o público e parece que ficam até meio incrédulos com o sucesso que fazem por aqui (“Nossa, vocês fazem tanto barulho, até parece que somos o Kings of Leon” ou “Vocês jogam coisas legais na gente. Em outros shows, já jogaram camisinhas, luvas cirúrgicas e outras sete coisas muito nojentas que não vale a pena falar” quebraram o gelo quando preciso).

O palco estava lindo. As luzes roxas, brancas, azuis e amareladas criavam uma atmosfera bastante intimista, como acredito ser em todos os shows do The National.Dessa vez, a estética da banda estava bastante diferente também: o Matt está num super estilo DILF (pesquise, não vou explicar esse termo neste blog de família), os gêmeos deixaram o cabelo crescer e, pela primeira vez, fiquei impressionada de ver o John Lennon tocando bateria. Musicalmente falando, três anos trouxeram muitas mudanças também. Os Dessner ganham muito mais destaque, se revezando nas guitarras e teclados. Senti falta do Padma Newsome, o multiinstrumentista insano que fez do show de 2008 um momento ainda mais inacreditável com seu modo inusitado de tocar, algo que dava para perceber que vinha lá de dentro, bem do fundo. Em compensação, dois rapazes (que eu não sei os nomes) vieram para compor o coro com os metais de sopro, que fizeram bonito. A voz de Matt é perfeita e toda sua performance ao vivo é de encher os olhos: é introspectivo em alguns momentos; em outros, se joga na plateia (e joga vinho na gente também) e canta em cima da grade, praticamente nas mãos dos fãs.

Essa foto fez sucesso, beijos.

O show é bastante diferente com a força das músicas de High Violet. The National é uma das poucas bandas que eu conheço que abre shows com músicas lentas (dessa vez foi Runaway, na outra, Start a War) e não deixam a apresentação se perder nessa melancolia; na verdade, fazem até melhor no seguimento, agitando todo mundo. Todas elas, menos Lemonworld (a minha favorita do disco, claro que não ia tocar), são executadas de maneira impecável e mescladas com canções dos dois últimos álbuns, Boxer e Alligator. Algumas das antigas eu já tinha visto ao vivo em 2008, mas a alegria e a surpresa ficam por conta de Daughters of SoHo Riots, que eu pedi tanto no primeiro show, About Today, que é simplesmente indispensável de tão linda que é, e Mistaken for Strangers, a música que eu mais tenho ouvido desde terça-feira. England, Bloodbuzz Ohio e Conversation 16 (“uma música sobre pessoas que se amam, tanto que acabam comendo uma a outra”, de acordo com Matt), algumas das melhores canções do novo disco, ficam ainda mais incríveis ao vivo, como se isso fosse possível. 

E quando você pensa que já acabou, que já sorriu o bastante naquela noite, a banda desliga todos os microfones e amplificadores, pede silêncio para o público e fecha o show com uma versão acústica de Vanderlyle Crybaby Geeks, como se estivéssemos em um ensaio de garagem da banda. A sensação de acompanhar um momento como esses é inexplicável, só quem esteve lá sabe do que estou falando. Mas vai um vídeo para vocês terem uma noção:


Li em algum lugar que show do The National é coisa de adulto. E é mesmo. Saí de lá encharcada de vinho, mas ainda não consegui digerir muito bem o que aconteceu. Na verdade, acho que ninguém conseguiu ainda. Mas, tudo bem, eu nunca imaginaria ver outra apresentação deles no Brasil e vi. De repente, quando eu tiver algo de adulto em mim, aqui ou em algum lugar em Londres, eu consiga entender tudo que o The National quer passar para mim. Ou não. Eles sempre conseguiram superar minhas expectativas, mesmo sem eu saber direito quais são. De repente, esse é o objetivo.

5 comentários:

Bia Nascimento disse...

Só uma coisa a comentar, já que eu não curto o The National: Seus cachos são os mais lindos do mundo!! Quem dera o meu cabelo quando enrolado ficasse lindo como o seu!

beatriz rey disse...

natália, adorei o post - estava lá e até agora não consegui digerir o show!

Bruno disse...

Sei que a gente tem que comenatr sobre o post e tal, mas é sério mesmo que foi você que tirou essa foto?

Marina disse...

[Não vou falar da banda, porque não conheço =/]

Fico feliz sempre que vejo gente assumindo os cachos. Muito mais lindo que aqueles cabelos liso-escova-progressiva.

Larissa Bohnenberger disse...

Não conheço a banda, mas falando de mudanças em geral, da mesma forma que a vida da gente pode mudar em um segundo, três anos não é um tempo muito longo, e se a gente está numa fase mais estável e acomodada da vida, às vezes este tempo passa num piscar de olhos em que nada de novo acontece. No final das contas, acho que a rapidez ou lentidão com que os anos passam estão relacionados justamente com as mudanças que sofremos no meio do caminho!

Bjs!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...