quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tá bom, ela lava a louça

Esse post é uma resposta intrometida à Nicole e ao Bruno.

Embora nunca tenha gostado de lavar louça, sempre foi fã de cozinhas: grandes, espaçosas, com equipamentos tão modernos que faziam seus olhos brilharem. Adorava cozinhar. Ver as pessoas sorrindo após comer um de seus pratos era uma das coisas que mais a alegrava.


Mas a pia a aterrorizava. Preferia acordar às quatro da manhã e ficar até meio dia com a barriga no fogão quente, fazendo comida para um batalhão, a ter que molhar o avental com toda a louça suja que surgia depois.

Bom seria se o famoso esquema “quem cozinha não lava; quem lava não cozinha”, que ela só foi conhecer nas épocas de república na faculdade, não gerasse tanta disputa em casa. A família inteira amava cozinhar, mas, por que será?, também detestava lavar a louça.

Então, toda refeição era momento de briga. Não para saber qual comida era mais gostosa (todas eram ótimas), mas para ver quem seria o mais rápido para chegar até a cozinha, lavar e cortar todos os alimentos e colocá-los no fogo. Esse era sempre o grande vencedor, enquanto os outros tiravam no palitinho, cheios de suspense, para saber de quem seria o infortúnio de lavar a louça mais tarde, com a barriga cheia e aquela preguiça pós-almoço de domingo.

Ela nunca dava sorte. Quando não conseguia ser a cozinheira da vez, sempre perdia nos palitinhos. Diziam por aí que os irmãos mais velhos sempre davam um jeito de roubar. Chegou um momento que ela se habituou à rotina: a louça do almoço de domingo era sempre dela, enquanto os pais e os irmãos se revezavam no resto da semana. Mas a de domingo, a louça mais aterrorizante, era sempre dela. Como não dava para discutir, ela ia até lá e lavava a louça.

Nas primeiras semanas, era pura tortura. Quebrou copos, pratos e nada fazia a gordura sair dos potes de plástico. Não sabia como limpar o fogão. Perdeu a paciência, deixou a louça pela metade na pia e não havia santo que a fizesse voltar para lá.

Depois de um tempo, acostumou-se com a tarefa. Já conseguia organizar todos os talheres no escorredor sem problemas, sabia qual era a melhor ordem para lavar tudo (pratos, copos, potes de plástico, talheres e panelas por último). Ela percebeu que a tarefa não era tão ruim como ela pensava. Até tirava aquele tempo para pensar em coisas só importavam a ela. Aproveitava para sonhar um pouco.

Ok, ok, não era tão mágico assim, mas ela realmente tinha tomado gosto pela nova atribuição e tinha até aprendido a se divertir enquanto esfregava pratos e areava panelas. Ela precisou de três meses para perceber que, a partir daquele momento, sua briga seria outra: para lavar a louça quando não conseguisse cozinhar. Nem precisava mais tirar no palitinho com os irmãos.

Ninguém entendia a mudança repentina da garota, mas o motivo era mais simples do que qualquer outra coisa que imaginassem: muito, mas muito pior que lavar a louça era ter que secá-la.

Tudo que ela tanto odiava mudou quando se deu conta disso. Secar louça era muito mais chato que lavar. Às vezes, tinha que usar uns três panos de prato, pois o primeiro ficava tão ensopado que já não adiantava de nada. E quando tirava a peça errada do escorredor e tudo caía? Sim, peça, pois chegou a um ponto que aquilo tudo nada era além de um grande jogo de pegar varetas, só que com muito vidro e metal. Além disso, secar louça sempre vinha acompanhada da tarefa de guardá-la, o que dava ainda mais trabalho em uma noite preguiçosa de sábado.

A partir daquele dia, passou a lavar, além da louça dela, a dos irmãos também. Tudo para não ter que secá-la. Todo mundo continuava sem entender sua nova fascinação, mas ela não se importava nem um pouco com isso.

Na verdade, até preferia assim. Já pensou se os irmãos descobrem o quão chato é secar a louça e passam a roubar no palitinho de novo?

6 comentários:

Bruno Massao disse...

Eu nunca tive tantos problemas em secar a louça :D

Acho que um post desses deveria ser obrigatório em todos os blogs do mundo.

Nih_x disse...

Louça de domingo é realmente a pior porque sempre tem o temido molho. Nossa, como dá trabalho pra tirar! Parece que gruda, principalmente nos potinhos de plástico que geralmente, uma vez com o molho, carregam aquela mancha vermelha pelo resto de suas vidas :(

Concordo também que secar e guardar é muito pior e da muito mais trabalho!

Tá virando meme, gente?
Quem que cês vão indicar pro próximo post? hahaha

<3

Hally disse...

Então, eu ODIAVA, com todas as minhas forças, lavar louça. Até que eu passei a ficar sozinha em casa. Então criei uma técnica que nunca falhou e sempre me deu mais vontade, tanto que eu deixava não só a louça, mas a cozinha toda um brinco.

Primeiro você coloca uma chaleira bem cheia d'água pra esquentar. Depois liga o som (no meu caso uns hard rocks 80's que são bem animados... mas geralmente rolava mais The Beatles!). Aí você separa a louça e tira o "grosso" da sujeira com muita, mas muita água, de preferência com bastante pressão. Com a água fervente em mãos, jogava nas partes mais complicadas, como potes de plástico e pratos com gordura animal (boi é UÓ pra tirar sem água quente). E lavava, sempre nessa ordem: copos, talheres, pratos e panelas (leiteira e assadeiras são o chefão de fase, ficam sempre por último).

Colocava tudo no escorredor e deixava (sempre tivemos o hábito de não secar a louça, não me perguntem porquê). Aí partia pro fogão, limpava duas vezes com detergente e uma última sem pra tirar a espuma e dar brilho. Então varria o chão e passava um paninho umido báááásico. Aí colocava a água pra esquentar novamente e fazia um chimarrão, porque, minha amiga, ninguém é de ferro. =D

Má-Má disse...

hahaha
sensacional. :)
eu adoro lavar a louça!! gosto da água, do sabão, de ver tudo limpinho depois...rs.
e como já provei ser um desastre na cozinha nem reclamo quando queimam panelas! rs

ps.: sei que vc é assídua, mas tem post novo no Palavra. :)

Larissa Bohnenberger disse...

Antigamente eu também achava secar pior que lavar, mas atualmente não sei. A verdade é que eu só chego na cozinha para assaltar a geladeira, mesmo! Meus talentos são nulos quando as prendas domésticas entram em jogo. Se um copo cai no chão e se espatifa, fico que nem uma bocó olhando pra sujeira e pensado por onde começar. Um fiasco!

Bjs!

Cami Pires disse...

Me identifiquei muito. Me distraio muito lavando louça e sempre agrado os amigos lavando a louça deles depois da festinha...

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