quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Minha vida de acordo com The National

Depois de certo tempo de participação ativa em blogs, tumblrs e outras redes sociais, você percebe que existe uma maldição agindo fortemente na sua vida: os memes.

Quer dizer, não vejo nenhum problema em participar de memes, acho muito legal que os leitores possam me conhecer melhor e saber quais presentes me dar em datas especiais. Mas é que, uma vez dentro, não há como fugir. Ok, a não ser que eu pare de postar, o que não estou pensando em fazer nesse momento.

Pensando em criar uma nova tradição de troca de memes, o Bruno me indicou para esse aqui, que eu gostei por se tratar de músicas. Ia ser “minha vida de acordo com The Beatles”, mas todo mundo já sabe que eu os amo. O que muita gente não sabe é minha paixão por The National, uma das melhores bandas da atualidade e que todo mundo deveria ouvir. Mas, antes de ir ao meme, quero contar uma historinha.


Quando você conhece uma banda que sabe que vai gostar para o resto da vida, se lembra perfeitamente do seu primeiro contato com ela – a exceção aqui é Beatles, já que devo ter ouvido antes mesmo de começar a falar - e com The National foi assim. 

No finalzinho de 2007, estava lendo uma coluna do Folhateen escrita pelo Álvaro Pereira Júnior sobre Boxer, o quarto disco de estúdio do The National. Não era uma crítica, era apenas uma dica sobre essa banda sensacional. Nessa época, estava em umas de baixar discografias completas – quer dizer, ainda estou – e baixei a deles. Foi quando me deparei com “Secret Meeting”, do álbum Alligator. A partir dali, foi amor à primeira vista e fiquei pensando quanto tempo eu demoraria para ouvir aquela música ao vivo.


Só os broder (sem mentira)

Esperei mais de um ano. Foi no dia 25 de outubro de 2008, no finado Tim Festival, na companhia do finado ex-namorado. O The National tocaria depois do Cérebro Eletrônico e antes da banda-do-momento MGMT, na programação chamada “Ponte Brooklyn”, por conta da origem de cada banda. Só eu e mais quatro gatos pingados foram para ver The National, mas nenhuma das quase três mil pessoas presentes no Parque do Ibirapuera poderia imaginar que aquela seria o melhor show da noite, do festival e um dos mais inesquecíveis da minha vida.

Depois da sempre incrível apresentação do Cérebro, o The National entrou em cena e eu fui à loucura. Nunca pensei que uma banda com um som tão soturno pudesse se apresentar com tanta energia. A banda executa todas as músicas com perfeição e com uma intimidade que só a família pode trazer (a banda é formada por dois pares de irmãos e mais o vocalista). O vozeirão do vocalista Matt Berninger fica ainda mais poderoso ao vivo, como sua performance bipolar – em alguns momentos, ele é super introspectivo; em outros, agitado demais, pulando e dançando loucamente.

Tô atento, glr

Foi lá que eu iniciei uma das minhas técnicas mais utilizadas em shows. Estava lendo o lindíssimo “O carteiro e o poeta”, de Antonio Skármeta, na época e o livro estava na minha bolsa, junto com uma caneta. Escrevi na contra-capa “Today is my birthday, play Cardinal (song, uma das minhas preferidas deles)!”. A cada intervalo entre músicas, tentava chamar a atenção do Bryce ou do Matt para meu pedido. Não tive minha música tocada, mas ganhei muito mais em troca, como o trecho dessa matéria no G1 pode exemplificar:


“Simpático, Berninger conversou com as pessoas que estavam mais perto do palco, pegou presentes (que depois devolveu autografados), derramou vinho e não parou um segundo.”

Pois é. Meu ex e eu éramos essas pessoas mais próximas do palco. O presente – que não era presente, na verdade – era o livro, e ele realmente devolveu autografado depois. E não era vinho, era cachaça. Foi tudo muito rápido, mas inesquecível. Enquanto eu me esgoelava para ter minha música tocada, o Matt, que estava completamente bêbado, entendeu tudo errado: ele pensou que o livro era um presente, pegou da minha mão e agradeceu. 

Na euforia do momento com todo mundo falando “MEU DEUS ELE CONVERSOU COM VOCÊ VOCÊS SÃO BFF”, até pensei em deixar para lá. Mas meu ex me lembrou que o marca-página era uma foto dele quando bebê que não tinha cópia nenhuma. Aí começamos uma nova série de gritarias, dessa vez para pegarmos a foto de volta. Foi um diálogo – e muita gesticulação – mais ou menos assim (em inglês, claro):

- MATT, TEM UMA FOTO DENTRO DO LIVRO, DEVOLVE!
- Oi? Livro?
- DENTRO DO LIVRO, TEM UMA FOTO, A GENTE PRECISA DESSA FOTO
- (pega a foto) É o filho de vocês?
- NÃO, DEUS ME LIVRE É ELE (aponto para meu ex)!
- Que bonitinho! (joga o livro no chão de novo e volta a cantar)

Para mim, tinha acabado ali mesmo. Desisti de pegar o livro e voltei a me acabar cantando todas as músicas. O Matt até tentou passar a garrafa para mim, mas o segurança filho da puta não me deixou pegar.

No fim do show, depois da linda “About Today”, percebi que o Matt não tinha se esquecido de mim. Ele saiu do palco e depois voltou com um saquinho feito de toalha e jogou na minha mão. Dentro, um setlist todo detonado e o livro autografado – com a foto lá dentro. Eu tenho tudo isso guardado em uma caixa até hoje, junto com todas minhas outras lembranças de shows.


Ah, e eles tocaram "Secret Meeting", sim. Olha só.

Como foi muito bom relembrar tudo isso e, para comemorar o show que vão fazer aqui em abril, parte da turnê do sensacional e um dos melhores discos de 2010, High Violet, resolvi escolhê-los para esse digníssimo meme.

Sim, eu tenho tudo.


Como funciona: Escolha um artista ou banda e responda essas perguntas usando apenas nomes de músicas deste artista. Tente não repetir as músicas e seja criativo em suas escolhas. Coloque o título do post como “Minha vida de acordo com (nome do artista)”.

Escolha o artista/banda: The National
Você é homem ou mulher? Cold Girl Fever
Descreva-se: Fake Empire
Como você se sente? Brainy
Descreva o local onde você vive atualmente: Apartment Story
Se você pudesse ir a qualquer lugar, aonde você iria? England
Sua forma de transporte preferido: Looking for Astronauts
Seu melhor amigo: Friend of Mine
Você e seu melhor amigo são: Terrible Love
Qual é o clima? Start a War
Hora do dia favorita: All The Wine
Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado? Slow Show
O que é vida para você? Racing Like a Pro
Você sorri quando: Without Permission
Você chora quando: Afraid of Everyone
Seu relacionamento: Available
Seu medo: Trophy Wife
O melhor conselho que você tem a dar: Baby, Well Be Fine
Pensamento do dia: The Perfect Song
Seu lema: Pay For Me

Feliz, Bruno? Para não deixar a peteca cair, indico o Charlie – porque o blog dele está voltando com tudo, e eu adoro isso.Ah, e não precisa de história, só se você quiser!

5 comentários:

Bruno Massao disse...

Siiiiiiiim muito feliz! :DDD

Só falta a Nih agora.

Eu pensei em escrever um texto junto, mas eu tava tão... Tão... Desanimado. É, então eu nem escrevi. :P

Cami Pires disse...

Arrepiada! Quero que esse ano passe logo por motivos diversos, mas também para chegar 2012 e eu voltar a ir em shows!!!!

Nih_x disse...

Essa é a história mais incrível que já ouvi sobre shows!

Ainda não sei com qual banda fazer o meme :(

Marina disse...

Ahhh, já fiz esse meme. São uma maldição mesmo.

Que legal, a história. Estou rindo com a parte da foto. Hahaha!

Charlie disse...

Como recusar, né?... Ainda mais depois da afronta da semana passada e dos elogios pitchutchucos pro NTA...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...