segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

C-c-changes

Existem certas situações na vida de uma mulher que são muito doloridas e, por mais que ela tente, nunca vai saber o real motivo desses acontecimentos, alguns deles bastante frequentes. Será que o alinhamento dos planetas com a Lua está sempre errado? A gravidade está acabando? Ninguém sabe que fenômeno é esse, mas é praticamente impossível de se controlar.

Não existe um nome para essas tristes experiências – embora eu sempre utilize um “puta que pariu, e agora?” – que, mais cedo ou mais tarde, todas as mulheres vão enfrentar. Em algumas situações, a recuperação é um pouco mais simples. Exige só uma boa dose de disciplina e paciência, como quando você perde aquela calça favorita por causa dos quilinhos extras das festas de fim de ano; uma – sim, é sempre UMA, só uma – unha quebrada depois de esperar duas semanas para todas se igualarem.

Toda mulher conhece essas situações, sabe como são desagradáveis e consegue vencê-las de qualquer forma. Mas o maior problema mesmo são os problemas irreversíveis, que, na maioria das vezes, envolvem perda: perder o brinco favorito na balada ou nunca mais ver aquela blusa xodó linda-última-peça-da-coleção depois de emprestar para alguma amiga. Mas a pior das perdas envolve sempre uma pessoa habilidosa e que entende todos seus desejos – e os realiza melhor do que você mesma poderia imaginar: seu cabeleireiro.

Antes que você pense que meu cabeleireiro morreu, vou esclarecer toda a história.

Há uns dois meses, estava pensando em fazer um corte radical. Veja bem, eu sempre pintei, alisei e joguei todas as químicas possíveis no cabelo, mas nunca ousei mudar demais o comprimento, pois sempre tive medo de ficar parecendo um abajur – o maior que tivesse na loja. Estava plantando essa sementinha dentro de mim há algum tempo, as amigas foram regando e a vontade finalmente floresceu. Agora, só faltava ligar para o meu cabeleireiro que, sabe-se lá porquê, sempre quis fazer os cortes mais malucos possíveis no meu sofrido picumã.

Fazia uns dois anos que eu cortava com o Val, mas estava sem aparecer por lá há quase um. Desatualizada da tabela flutuante de preços de tratamentos embelezantes, o primeiro passo foi perguntar o preço do corte. Salgado, mas nada muito acima do que eu esperava. Mas foi a pergunta seguinte que mudou todo meu destino.

- Então, o Val tem horário livre às 19h?
- Quem?
- O Val, ué.
- Ah, o Val não trabalha mais aqui.

Meu estômago puxou meu queixo pela garganta, os dois pegaram um número considerável de britadeiras e abriram algumas crateras no chão. Depois de alguns segundos babando sem reação, perguntei para a moça que me atendeu se alguém sabia para onde ele tinha ido ou se podiam me passar um número de celular. Ninguém podia, ninguém queria me ajudar. Eu e minha juba estávamos ainda mais arruinadas.

Depois de alguns momentos de tristeza e incredulidade, tomei vergonha na cara e, já que não tinha nada a fazer, fui à caça de um novo cabeleireiro. Passaram-se dias de interrogatórios com todas as amigas, perguntas intermináveis sobre as pessoas que faziam maravilhas nas madeixas, preços e distâncias. Depois de balancear todos os fatores possíveis, cheguei a uma escolha. Marquei uma consulta um horário no sábado e, assim que chegou o dia, juntei todas minhas forças e saí de casa.

Chegando lá, tomei um susto ao descobrir que o cabeleireiro é argentino. Não tenho nada contra eles além da rivalidade natural por causa de futebol e blablablá, mas rolou um certo receio no primeiro momento, do tipo “PUTA QUE PARIU, UM ARGENTINO VAI CORTAR MEU CABELO, ME DEI MAL, SOCORRO”. Voltei à realidade e percebi que, se ele quisesse trollar as brasileiras, já teria sido expulso aos chutes. Além disso, argentinos usam mullets e ficam uns lindos me julguem.

Pronto, era isso mesmo. Não tinha muita saída e, assim que sentei na cadeira, mudei totalmente minha concepção sobre o Juan: super simpático, ficou o tempo inteiro conversando comigo e me fazendo dar risada – eu tinha falado para ele que aquele era o corte mais radical que eu já tinha feito. Enfim, uma pessoa que gosta do que faz e sabe deixar os clientes bem confortáveis. E uma das coisas mais legais foi que ele não falou nenhuma vez sobre os tratamentos que eu tinha que fazer. É fato, TODO cabeleireiro tenta empurrar para as clientes hidratações, cauterizações, escovas progressivas, sendo que tudo não passa de um discurso repetido exaustivamente. Como o Juan não tentou me vender mais nada além do que eu queria (incluindo o fato de não querer alisar meu cabelo a todo custo; ele estava elogiando meus cachos!), só posso dizer que ele ganhou mais uma cliente.

Lá no meio do processo, eu já estava muito mais tranquila, mesmo vendo um mar de cabelos no chão ao meu redor, pois sabia que tinha um novo cabeleireiro para chamar de meu. Quando ele finalizou, eu tinha certeza que ia amar o resultado. Afinal, mudança é sempre bom e cabelo cresce.

A @anasavini e a @akormanski foram as primeiras a ver a mudança.
Ah, o @pettoruti, que tirou a foto, também. E os cupcakes estavam ótimos!
Mas acho que não vou deixar o meu crescer de novo não.

***

Obs: não dá pra ver direito meu cabelo, mas é a única foto que eu tenho até agora.
Obs2: @akormanski, eu sei que você vai me matar porque eu coloquei a foto aqui, mas a vida não é simples, amg.

9 comentários:

Alessandra disse...

vc tá uma linda e eu tbm quero foto nossa com seu cabelo novo bjoo

palavrafinal disse...

Ousar num corte quando se tem cachos é uma decisão mto difícil, né?

Eu fiz igual, Nat! Faz duas semanas e ele está mais curto e comportado do que nunca! rs

Valorizo a ousadia. :)

Carrô

Cami Pires disse...

Ficou ainda mais linda!

Ana disse...

E ficou super linda!
=D

Má-Má disse...

hahahahahahahaha
tá lindo, nat!!! eu adorei! é muito bom dar aquele tapa no visual... :))
eu tb passei por esses apuros e acabei encontrando uma japonesa indicada pela may que faz permanente no proprio cabelo. não é muita contravenção? achei interessante. aqui em barcelona ainda não cortei porque to com medo de não ficar linda como os argentinos de mullets (já que aqui são as meninas que usam....hahahaha), mas me inspirei...rs

pettoruti disse...

Como disse antes, ficou muito bom.
Parabéns para o conterrâneo Juan.

Ana disse...

QUEM AUTORIZOU A PUBLICAÇÃO DA MINHA IMAGEM??????????????????????????????????????????????????????????????????
A SENHORA PODE ESPERAR O CONTATO DO MEU ADVOGADO.

Nih_x disse...

AMEI o corte, sua linda!

Também estou precisada de uma tosa, mas nunca tive um cabeleireiro de confiança how make?

Larissa Bohnenberger disse...

Ficou lindo o novo cabelo. Aliás, seus cachos são lindos, já tinha dito isso aqui, não alisa eles não.

Mudança é sempre bom né? Me convenci tanto disso que em breve vou inventar alguma coisa dferente também. Quer dizer, só no próximo mês, que a grana de março tá curta! Rsrsrsrsrs!

Bjs!

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