domingo, 9 de janeiro de 2011

A maldição do All Star branco, parte 2

(Ou dary!)

Viajar com os amigos é sempre bom. Para fechar 2010 com chave de ouro, precisava estar com alguns deles. E foi assim que eu, o Rodrigo, a Alessandra e a Íris resolvemos que já era hora de estraçalhar a cidade mais sem graça do litoral paulista: Itanhaém.

Foram três dias de sol, calor, risadas, fofocas, baralho, jogatina, fotos, praia e muita cerveja. Algumas histórias impublicáveis. Tirando o fato de a energia ter acabado bem no dia 31, na hora de fazer a ceia (cozinhar à luz de velas foi muito roots), 2010 terminou de uma maneira incrível. Perfeito, como só amigos podem oferecem.



E aí veio 2011. Gente sem noção na praia soltando fogos no meio da multidão – o que dava um efeito incrível, mas era bem perigoso – me fez ficar correndo bêbada como se estivesse em um campo minado, gritando pela minha vida e pelas vidas dos meus amigos. Nada disso se comparava ao que viria mais tarde.

Foram três dias de chuva, cerveja, frio, pipoca e How I Met Your Mother. Não dava para ir à praia de jeito nenhum. Era só pensarmos em sair de casa que começava a chover. Mas, de todas as tentativas, uma delas foi memorável e ficará para sempre em nossas memórias. Contaremos aos nossos filhos e netos, que contarão aos seus filhos e netos, a história do segundo dia de um ano novinho que foi arruinado por um All Star branco.

Itanhaém, 21h13 – Avenida principal da cidade que eu não sei o nome, 2 de janeiro de 2011

Quando saímos de casa, por volta de 15h, ainda não chovia. O tempo estava feio, mas a temperatura era amena, tanto que eu estava de shorts, regata e chinelo. Meus amigos, mais friorentos que eu, usavam tênis, calça e blusa. E a Íris, com o All Star branco.

Chegamos à cidade e fomos dar uma volta. Não tem muita coisa para fazer em Itanhaém, então resolvemos ir ao shopping – que também não tem muita coisa, mas eu fui voto vencido. Foi quando alguém deu a péssima ideia de irmos ao cinema.

Veja bem, ir ao cinema não é uma péssima ideia. Mas ir ao cinema para ver um filme ruim e dublado É uma péssima ideia sempre. O tormento filme era Skyline, o roteiro era um lixo e o ator principal parecia o Marcos Mion. Com cinco segundos de filme - os que falavam "numa distribuição empresaqualquerdedublagemedestruiçãodefilmes", eu sabia que tinha entrado em uma roubada sem tamanho.

Algumas sonecas depois, era hora de comprar cerveja. A essa altura, já tinha começado a chover, mas ainda dava para encarar. Chegamos ao mercado, compramos o que era necessário para o último dia de folga (cerveja, dã) e estávamos prontos para ir embora. Mas a vida é uma caixinha de surpresas e aquela chuvinha rala tinha virado um baita toró.

Caminhamos até o ponto e foi nesse momento que me arrependi profundamente de minhas vestimentas. Estava passando muito frio e minha bolsa estava molhada, assim como todos meus amigos e todas as dezenas de pessoas que se amontoavam embaixo do ponto de ônibus.

Este é mais um problema de Itanhaém: os ônibus. Só duas linhas passam perto da minha casa e uma delas eu me recuso a pegar (é a que vai pela rodovia. Se eu descer lá, nunca seria capaz de atravessar a pista. Como não tem passarela, eu ficaria presa do outro lado da estrada para sempre). E, como em qualquer cidade com pouca infraestrutura, os ônibus demoram uma eternidade para passar. Mas a chuva não parava de cair.

21h15, 21h30 e nada de ônibus. As compras estão molhadas, nós podemos ser centrifugados para secar, eu estava morrendo de frio e nada de ônibus. A Íris conta até 50 – ela diz que isso sempre funciona com o transporte público em São Paulo – e nada de ônibus. A Íris foi até o 300 e nada de ônibus passar. Vou ao mercado comprar mais um vinho, volto e o ônibus ainda não passou.

21h45, 22h, 22h10. Minha mãe me liga. Ela está em Natal, lugar cheio de praias bonitas. Lugar que não chove. É nesse momento que me dá vontade de chorar de inveja, porque todas as notícias que eu tenho para passar são “mãe, tô presa num pé d’água sem igual”. Começamos a brincar de “fui à feira e comprei banana, melão, jaca, tomate *repete infinitamente*”, “fui ao zoológico e vi elefante, papagaio, tamanduá *repete infinitamente*”, “fui ao hospital e vi uma pessoa com diabetes, hepatite C, ebola *repete infinitamente*”, porque o ônibus não chegava.

22h15, 22h30. Como já estava toda molhada mesmo, desisto do guarda-chuva. Vou procurar um táxi, pelo menos para saber o preço da corrida. Corro pelas ruas do centro de Itanhaém e não encontro nenhum. Cinco minutos depois, vejo um e vou perguntar o preço da corrida: 45 reais. Dividido por quatro, até que é um bom preço. Espero que o taxista não cobre mais porque estamos molhados.

22h50, 23h, 23h15. Estou correndo de volta ao ponto de ônibus para avisar o pessoal que achei um táxi. É quando escuto alguém me chamando aos berros. Chego no ponto e a Íris está chorando. O ônibus tinha chegado e ela pensou que eu não ia chegar a tempo e não conseguiríamos pegar aquele, que deveria ser o último ônibus. Eu grito de alegria; a adrenalina está a mil. O pessoal no ponto de ônibus grita comigo. Nós conseguimos!

Nós estávamos tão felizes de ter subido no ônibus que até esquecemos que estávamos molhados e que a cidade estava alagada, atrasando nossa viagem. Era um momento de vitória; todos comemoravam em silêncio. O grande prêmio seria o banho quente e ficar embaixo das cobertas na hora que chegássemos em casa. Puxa, podia ter uma musiquinha para embalar esse momento.

Foi quando aconteceu. Um abençoado ligou o autofalante do celular. Foi quando eu percebi que aquele era meu prêmio de primeiro lugar no pódio da batalha “Humanos VS. Fenômenos Naturais 2011”. O som começou a ecoar no fundo do ônibus e era ela, linda e majestosa. Minha música. A música dos vencedores.

Não dá para incorporar o vídeo com o clipe. Absurdo.

Comecei a cantar com a certeza de que todos me achavam retardada. Nada era mais importante que aproveitar aquele momento. Depois de tudo que tínhamos enfrentado, eu merecia essa vitória. Estava tão feliz que até esqueci que a Íris usava um All Star branco. Cheguei até a pensar que essa história de maldição era só um fruto da minha imaginação fértil.

Mas eu estava errada. O universo me confirmou isso três dias depois.

5 comentários:

Alessandra disse...

agora falta as nossas versões, mas apesar de tudo, tivemos bons motivos pra beber :B

.a que congemina disse...

Aijisuis, como termina???

Flavia disse...

hhahahahaaha morri com a música!!

Bruno Massao disse...

Eu imaginei a cena toda.

Sabe qual foi o resultado?

Estou chorando de rir. Valeu!

Van disse...

Ai meldelz, eu esqueci de avisar a você? Eu tentei gritar aos quatro ventos "NÃO VEJAM SKYLINE!!!!!". É ruim demais!
Tô aqui rindo descontroladamente imaginando você toda molhada no ônibus cantando Total Eclipse of the Heart com essa sua linda voz (-n) kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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