quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A maldição do All Star branco, parte 1

Adoro All Star. Uso desde quando me conheço por gente. É um tênis confortável, bonito, relativamente barato e combina com quase todas as roupas que eu uso e ambientes alternativos e lotado de pseudointelectuais, inclusive eu que costumo frequentar.

Durante minha vida, tive All Star de tudo quanto é cor. Pretos, amarelos, vermelhos, verdes, beges, rosas. De todos os modelos que tive e não tive, o branco sempre foi meu favorito. Já tentou combiná-lo com uma roupa inteiramente preta? Fica perfeito. Todo branquinho, só com aquela faixinha vermelha para diferenciar. Cano alto ou cano baixo, All Star branco é sinônimo de estilo (site de moda mode: on). É o único All Star que fica mais bonito limpo.

Inofensivos? Não tanto...

Mas, para minha tristeza, acontecimentos desconhecidos fora do meu controle parecem querer me impedir de usar, chegar perto ou até olhar de relance um belo All Star branco. Ultimamente, as únicas lembranças que tenho dos dias que usei All Star branco – ou tive alguém próximo que usou – são de água, muita água. Água caindo do céu sem parar. Enchentes. Crianças perdidas. Carros sendo levados pela correnteza. Árvores arrancadas brutalmente e sendo usadas como canoas e... Ok, exagerei. Mas sempre foram chuvas pesadas.

Sem dúvidas, é a maldição do All Star branco. Para ilustrar melhor minha teoria, três posts, com três fatos verídicos vividos em três dias diferentes até agora.

São Paulo, 21h45 – Avenida Paulista, 2 de dezembro de 2010

Dia 2 de dezembro é dia das Relações Públicas no Brasil. Data muito importante para a categoria. Para comemorar com estilo minha profissão, fui assistir à apresentação do TCC de uma amiga minha, lá na Cásper Líbero. Para quem não sabe, vou me formar esse ano e essa história de TCC está me deixando bastante tensa. O ano letivo nem começou ainda e eu já estou super preocupada.

Meus professores sempre recomendaram assistir às bancas para a gente ir se preparando. Vi todas as bancas de RP da minha faculdade e essa da minha amiga. A apresentação dela, por sinal, foi excelente (tanto que o grupo tirou 10) e saí de lá cheia de ideias para a minha defesa.

Tudo ia muito bem, até a hora de ir embora. Na porta da Cásper, peguei o saudoso Morro Grande, que me deixa quase na porta de casa. Foi quando um amigo me ligou e fiquei agradecida, pois a viagem era longa.

Foi quando surgiu o assunto. “Nat, onde você tá? Está chovendo MUITO aqui!”. Nessa altura, eu estava na Avenida Pacaembu. “Tá doido, Rô? Não tem uma nuvem no céu”. “Sério? Se prepara, porque aqui tá caindo o mundo!”. Achei que ele estava exagerando, afinal, faz o estilo dele. Mas percebi que era verdade quando cheguei na altura da ponte do Limão. Chovia sem parar. Como sempre, os passageiros fecharam as janelas, criando um bafão insuportável no interior do ônibus que não deixa enxergar nada. Depois de apertar o botão em um momento qualquer, torcendo para ser a parada certa, desci. Era a parada certa. Mas foi quando meus problemas começaram.

Um percurso que eu faria em no máximo cinco minutos levou mais de meia hora por causa daquele projeto de enchente. Imaginem a cena: eu, grande e desajeitada, com um guarda-chuva em uma das mãos, a bolsa em outra e uma calça de boca larga – não, não boca de sino, só boca larga. Ao meu redor, nada além de água. Não tinha uma alma na rua. Para mim, aquilo era um teaser do Apocalipse.

Todo o caminho teve que ser estrategicamente pensado, coisa difícil quando tudo que você consegue fazer é chorar e gritar “AI, MEU DEUS, E SE A ÁGUA TROUXER UMA BARATA??? AI, MEU DEUS, MEU TÊNIS BRANCO, SOCORRO”. Resolvi correr. Essa ideia deu certo até dobrar a esquina, o que chamarei aqui de “primeira fase” do joguinho preferido do São Pedro: São Paulo’s Waterleaks. O que eu não fazia ideia era que a segunda fase era ainda mais difícil.

Apesar da chuva e do alagamento, cheguei perto das calçadas das casas. Seria perfeito se a água não as tivesse invadido tudo e se não tivessem canos acima da minha cabeça, escoando a água dos quintais dos lares do bairro do Limão. Nessa fase, o chefão era o volume da chuva, visto que a água já estava batendo no meu joelho.

Sabe Deus como, sobrevivi a essa fase, mas perdi muita energia. A terceira era ainda pior, já que envolvia andar no meio da avenida, pois era o único lugar com menos água. Uma coisa que minha mãe sempre me ensinou, de maneira sutil, foi a não andar no meio da rua porque eu poderia morrer. Naquele momento, o monstro da fase era minha mãe, me aterrorizando com a lembrança de tais palavras.

De novo, venci bravamente e estava pronta para chegar à última fase: a ladeira. Depois de tanto sofrimento, aquilo era fichinha. Depois de uma grande corrida São Silvestre style, percebi que a ladeira era apenas uma pegadinha. O verdadeiro desafio era o identificador digital da portaria do meu prédio.

Uns dois meses após eu ter me mudado, instalaram essa porcaria no meu condomínio. De acordo com a administração, são questões de segurança, pois apenas os moradores com a digital cadastrada poderiam entrar sem esperar os porteiros liberarem a passagem. Tudo muito bonito e moderno se não fosse por um problema: aquele aparelhinho NUNCA identifica minha digital de primeira. Algumas vezes, preciso tentar umas quatro vezes ou pedir para outro morador que também está saindo/entrando para passar a dele. Antes que vocês perguntem, eu estou passando o dedo certo. E sim, eu moro lá, ok?

Dessa vez, eu estava cansada, doente e encharcada. Quando fiquei cara a cara com o portão, pensei que escalá-lo demoraria menos do que esperar a maldita maquininha funcionar. Tentei uma, duas, três, quatro tentativas. “Cadê os porteiros?”. Cinco, seis, sete. “Ai, não tem como secar o dedo”. Oito, nove dez. “É isso. Vou escalar. Melhor jogar a bolsa primeiro e coloco o pé nesse bura..Ah, finalmente! Valeu, Sr. Porteiro!”.

Cheguei em casa e me deparei com uma fase bônus: conseguir tirar a roupa. Sempre que tomo chuva, parece que minhas roupas encolhem e eu incho. Além disso, precisava enfrentar a fome, o frio e os pulos entusiasmados das minhas cachorras. Depois de muita luta, coloquei todas a blusa, a calça e a meia para secar.

De tudo que aconteceu naquela noite, o que mais me chamou a atenção foi o All Star branco. Eu teria que lavá-lo naquela mesma hora. Ele demoraria mais para secar que qualquer outra peça de roupa. Ele parecia inocente, mas carregava uma terrível maldição.

Foi isso que eu aprendi um mês depois.

** Esse é o post de número 100 do Caleidoscópio Dental. Vamos comemorar essa marca inédita!

12 comentários:

Dragus disse...

Costumo ter esses problemas depois que meu tênis fura.

Não pego chuva até o tênis furar (todos os meus furam, pois uso um par a exaustão).

Daí... É glub glub.

MaxReinert disse...

hauhauhuaa... triste fim! Bom, eu NÃO USO tênis branco. Só pra ir para academia... ainda bem que é perto!

Parabéns pelo post de número 100!!!!!

Bia Nascimento disse...

Eu tb sou fanática por All Star mas desisti do branco. O último que tive durou 3 meses e desmontou inteirinho (Isso mesmo, ele não rasgou... ele descolou e virou um tênis da Lego). Atualmente tenho só um roxinho que está furado no calcanhar e, como Murphy me idolatra, toda vez que uso obviamente chove ¬¬.

Bia Nascimento disse...

Ops... Quase me esqueço!

PARABÉNS PELO POST N. 100!!

Isadora disse...

Uma das maiores decepções da minha vida foi quando eu descobri que não posso usar all star.

Tá, eu podia falar que tenho uma terrível maldição que me impede de usá-los, ou que um dia prometi a uma avó morta que não os usaria, mas não, é bem mais besta: dói meu joelho.

Acho tão lindinhos...

Parabéns pelo post nº 100!!

Ana disse...

Deus é 10, o Caleidoscópio é 100 e vc é 1000!

Otavio Oliveira disse...

To te devendo um comentário decente pelo centenário (e pelo post anterior, muito bom). mas, agora, só vim pra responder o comentário no meu:

"Poisé, Nat! tive a ideia de fazer uma vez, mas já deixei de lado depois do show do Paul, porque o evento me inspirou a uma outra ideia, que ainda é secreta, e que deve ser posta em prática logo =)"

Van disse...

Por isso que o meu All Star branco é de couro! É justamente pros dias de chuva rs

Anônimo disse...

Parabéns!

Bruno Massao disse...

Bom, inicialmente, parabéns pelo centésimo post! :D

Bom... Eu tenho sérias 'issues' com All Star. Eu não uso o modelo convencional há 6 ou 7 anos. Motivo? eles não duravam mais que um mês no meu pé. Aí eu tomei uma certa "vergonha" na cara e comprei um Starzoom da Adidas. Durou 1 anos, e ness emeio tempo eu fui comprando outros modelos - Nike Dunk, Nike Air Force, Vans Hi, etc etc

Eu não tenho sérios problemas com tênis, até porque eu tenho vários. Não sou obrigado a trabalhar de sapato, então eu vou variando. Minha mãe disse que eu consigo ficar duas semanas usando um par diferente por dia HAHAHAHA

Mas sei lá, é difícil eu ter problemas com chuva. Meu único problema é quando chove e eu tô com o Dunk ou o Air Force, porque eles escorregam. De resto... \o\

Bia Nascimento disse...

Ontem eu comentei:
"Atualmente tenho só um roxinho que está furado no calcanhar e, como Murphy me idolatra, toda vez que uso obviamente chove ¬¬."

Vai cair o mundo na Vila Jaguara e adivinha qual tênis eu estou usando hoje?

VDM

Tyler Bazz disse...

Acho que o problema é o All Star branco. Se fosse preto, azul, vermelho, nada disso aconteceria.

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