quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Unhappy mondays - parte final

(Ou sobre por que segundas-feiras são tão desnecessárias)
Veja o último episódio a parte anterior aqui.

Expectativa

Tinha bastante tempo para chegar ao trabalho. Por isso, passei nos comércios da região, cumprimentei todos os funcionários e ainda comprei várias coisinhas, já que tenho muito dinheiro na minha conta. Infinitos zeros. Subi no ônibus, que já estava pronto para partir. Continuei ouvindo minhas músicas, mas dessa vez preferi não compartilhá-la com os outros passageiros. Era hora de guardá-las para mim e tirar uma soneca.

Mas não foi possível. O Sr. Cobrador era um rapaz muito bonito e inteligente, com quem eu e os outros passageiros conversamos em volta de uma fogueira e com um violão sobre diversos assuntos: música, teatro, cinema, artes, política. Ah, que rica argumentação. Quase perdi meu ponto!

Bem que me disseram: de todas as segundas-feiras, a última do ano é sempre a melhor!

Realidade

Mais uma vez, corri até o ônibus, que já estava pronto para partir – era o que eu via de fora. Sentei, enxuguei o suor, recuperei o fôlego, acompanhei com o olhar o Sr. Motorista sentar-se em seu lugar e... desligar tudo. “Peraí, já estava tudo ligado, eu já estou mais que atrasada, que horas que essa bagaça vai sair daqui???”, era a resposta que eu procurava loucamente enquanto pensava nas contas que tenho que pagar. Afinal, não estou nadando em dinheiro. Pensei que, para tirar aquilo da cabeça, a melhor coisa a se fazer era puxar um ronco.

Mas não foi possível. O Sr. Cobrador era um Marcão da pior espécie. Falava alto, se vestia mal e ouvia música ruim. Ele não colocou nada para tocar, mas tenho certeza que ele ouvia música ruim. E era carente. Toda hora, ia tentar puxar papo com o Sr. Motorista, que o desprezava. O pior era que ele não percebia o repúdio e esse ciclo não acabou até eu me jogar da janela de tanto desespero chegar no meu ponto: o Sr. Cobrador gritava, o Sr. Motorista ignorava. O Sr. Cobrador fazia cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança, ninguém ligava. O Sr. Cobrador continuava falando sozinho. Já estava até tremendo de nervoso para chegar no meu ponto.

Bem que eu percebi: segunda-feira é tudo a mesma merda. Bom vai ser o dia que não existir mais.

** O Otávio disse que estava pensando em fazer um post estilo "expectativa/realidade", como essa série, claramente inspirada por 500 Dias Com Ela. Por favor, faça! Incentivem o rapaz aí enquanto tomo um solzinho na praia, pessoal.

2 comentários:

Otavio Oliveira disse...

haha farei, um dia, pode crer :D

pouca gente usa o tachado nos textos como vc, nat. é incrível haha

Larissa Bohnenberger disse...

Conclusão mais que acertada! O dia que não houver mais segunda-feira, as semanas serão bem mais alegres!

Bjs!

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