segunda-feira, 1 de novembro de 2010

“What a magic beautiful fucking night”

Depois de sofrer bastante no meio dos fãs babacas de Avenged Sevenfold desde o começo do terceiro dia do SWU Festival, perdi meu lugar em frente ao palco para o fanatismo alheio – prefiro não expressar minha raiva aqui porque já a deletei da minha vida. 

Depois da ótima apresentação do Incubus e de ter conseguido me ajeitar em um local mais tranquilo do outro lado da grade, meu coração já estava pulando pela boca, pois em poucos minutos, Josh Homme ESSE LINDO e seu Queens of The Stone Age entrariam no palco. O que eu não sabia é que a pontualidade dos shows, que esteve presente em todos os dias do festival, ia dar para trás bem nessa hora. 

Cinco, dez, quinze, trinta minutos de atraso e nada. Aos quarenta e cinco minutos e sem nenhuma satisfação por parte da organização, a galera começou a ficar enfurecida, mandando vários “SWU, vai tomar no cu” e, claro, empurrando tudo que surgisse pela frente. Nessa hora, eu estava bem acomodada na grade do lado direito do palco, numa parte bem tranquila. Só fui me dar conta da confusão se formando ali em no meio da área VIP quando vi uma corrente humana caindo em cima de mim. Dei um grito para o bombeiro na minha frente, que me tirou de lá e fiquei esperando a poeira baixar até encontrar um lugarzinho onde eu pudesse aproveitar o show.

Já sem esperanças de ficar amassada na grade, fui para um lugar com boa visibilidade e esperei mais uns quinze minutos até o show começar. Enquanto isso, fiquei conversando com um cara que disse não conhecer o QOTSA tão bem, mas já tinha ouvido muita gente falando bem da apresentação deles. Eu, pelo que tinha visto nessas internê, concordei, mas ainda assim falei que o setlist não seria um dos melhores, já que os discos mais legais dos caras são os primeiros, quando o QOTSA tinha uma formação totalmente diferente. O rapaz, talvez chutando alto ao ver minha ansiedade, só mandou essa: “relaxa, tenho certeza que eles vão tocar as mais antigas”. Nem dei muita atenção, pois ele falou isso no mesmo momento que as luzes começaram a se apagar lá no palco.

“I’ve been waiting a loooong time for this” foi a primeira coisa que o Josh disse, e ele nem deu tempo para a galera ficar eufórica ao emendar o riff inconfundível de “Feel Good Hit Of The Summer” e, sem pausa nenhuma, “The Lost Art Of Keeping A Secret”. Esse foi o momento que me deixou mais feliz de ter comprado ingresso para a área VIP, já que os telões só não funcionaram no show do QOTSA, ferrando a vida de quem estava lá atrás. Como se o som baixo do microfone não fosse ruim o bastante.

Tudo era muito surreal para mim. No palco, uma das minhas bandas preferidas em um cenário inacreditável: por causa do vento, a fumaça das máquinas de gelo seco tomava caminhos diferentes do normal. Ela subia, envolvia todos os integrantes da banda e, com as luzes vermelhas que os iluminavam, só conseguia pensar que tudo aquilo parecia uma apresentação digna de Desert Sessions. Simplesmente perfeito.

Até o meio do show, eu estava me acabando com o setlist, que estava incrível. Mesmo tendo que cortar “Misfit Love” por conta do atraso, “3’s & 7’s”, “Sick, Sick, Sick”, “In My Head”,  “Monsters In The Parasol”, “Little Sister”, “Burn The Witch” com o coro da galera – algo que eu não lembro de ter ouvido em outros shows deles – e “Long Slow Goodbye” deram conta do recado. Para mim, cada música era uma surpresa e uma chance de cantar a plenos pulmões.

Mesmo gordo e barbudo, o Josh estava incrível ESSE LINDO e bastante simpático com a plateia. Toda hora conversava com a gente, perguntava como estávamos, mandava uns “obrigados” e até se sentiu meio envergonhado de não conhecer mais nada de português, mas ele sabia como nos satisfazer: mandando porrada atrás de porrada. E não fui só eu quem ficou feliz com a apresentação. Até os fãs insuportáveis de Linkin Park pararam de vaiar, como tinham feito em todas as outras apresentações do dia, e começaram a curtir. Eram 58 mil pessoas entregues AO CHARME INDISCUTÍVEL DAS REBOLADINHAS DO MR. HOMME (groupie mode: on).

SEU INCRÍVEL

A essa altura do campeonato, eu já não tinha mais voz. Também não sentia mais frio, nem cansaço, nem raiva, nem nada. Eu estava até satisfeita com as nove músicas que eles tinham tocado. Foi aí que começou uma sequência detonadora (e minhas ligações intermináveis para o Lucas, que deveria estar lá comigo), cumprindo aquilo que o cara do meu lado tinha falado mais cedo: eles vão tocar as melhores. 

E tocaram. Depois de uma jam improvisada, um gole de vodka e um trago no cigarro, Josh e o Queens vieram com “Do It Again”, “I Think I Lost My Headache” e “Go With The Flow”, que são muito melhores ao vivo. Joey Castillo arregaça na bateria e, no show inteiro só pensei na probabilidade de um prato voar longe dali. Mas nas duas últimas músicas, “No One Knows” (com as palmas ininterruptas da galera) e “A Song For The Dead”, ele conseguiu ser ainda mais perturbador – mas não voou nenhuma peça da bateria, infelizmente. E não tenho outras palavras para “A Song For The Dead” além de do caralho, foda, genial.


E, para a minha tristeza, o Queens Of The Stone Age encerrou a melhor apresentação do SWU. Eu continuei meio atordoada por um tempo e, mesmo querendo ouvir “Mexicola”, não tive do que reclamar. Josh Homme é uma das mentes mais brilhantes do mundo da música e tem muita coisa boa para mostrar ainda. A banda é excelente, mas ele é a alma do negócio.

Saí de lá feliz com meu presente de aniversário adiantado e queria encontrar o menino vidente para agradecê-lo. Não sei como ele fez isso, mas previu que o show ia ser, como o Josh disse antes, uma porra de uma noite mágica e maravilhosa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito legal a forma como você falou do SWU aqui no Blog. Resumir um pouco de cada banda foi bem interessante para conhecer e ter uma noção de como foi a energia em cada show.

Como já tem tempo, não vou estender meu comentário.

Abraços!

Anônimo disse...

Hey, I am checking this blog using the phone and this appears to be kind of odd. Thought you'd wish to know. This is a great write-up nevertheless, did not mess that up.

- David

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