terça-feira, 16 de novembro de 2010

For fans only – Belle & Sebastian em São Paulo

Sem expectativa nenhuma. Foi assim que eu cheguei ao Via Funchal na quarta-feira passada, pronta para ver o show do Belle & Sebastian, uma das bandas mais fofura da história. Primeiro porque meu último show incrível tinha sido o do Queens Of The Stone Age, que é um tanto mais pesado que B&S. Segundo porque tinha pista VIP, coisa de babaca. Terceiro porque é impossível dar mosh e fazer stage dive em um show deles (eu nunca fiz isso em show nenhum, na verdade, mas quero fazer algum dia nessa vida).

Não me entenda errado: eu gosto muito deles, mas, desde a compra do ingresso para o show do Paul McCartney e depois de ler inúmeras resenhas sobre o show dele em Porto Alegre, é a única coisa que consigo pensar quando o assunto é show. E minha reação era completamente diferente da Ana, essa linda que encontrei na entrada. A menina era pura emoção, expectativas e nervosismo. Coisa de fã mesmo.

E o show, sem dúvidas, foi só para fãs. Lá não tinha espaço para quem sabia só os sucessos – até porque acho que B&S nem tem hits top five das FMs e de passar na MTV, me corrijam se eu estiver errada. E, para quem curte shows como eu, um público que conhece todas as letras e se empolga em todas as músicas é de encher os olhos e traz um ânimo completamente diferente à apresentação.

Com início pontual na casa abarrotada, a banda subiu ao palco tocando uma das novas, “I Didn’t See It Coming”, emendando duas que eu adoro, “I’m A Cuckoo” e “Step Into My Office, Baby”. Foi uma pena o som estar baixo. Com tantos elementos que o B&S tem, ficou tudo embolado: metais, piano, cordas e vocal.

Estamos lindos, público indie?

E falando em vocal, Stuart Murdoch merece um destaque. Não desafina em nenhum momento, toca vários instrumentos, dança loucamente e interage bastante com a plateia, coisa que eu não estava esperando, já que ele tem uma super cara de antipático.

Depois de ir ao banheiro, que era o lugar mais silencioso para falar no telefone, e me deparar com a cena mais bizarra que poderia acontecer na noite (uma menina aos prantos fazendo escândalo com a segurança que estava revistando a bolsa e o tênis dela para recolher todas as drogas possíveis. A cena foi bizarra porque não consigo imaginar como ela foi pega, já que eu nem fui revistada. Dava para entrar com um carregamento de LSD ali), perdi quase três músicas e cheguei no meio da linda “Piazza, New York Catcher”.

Passadas mais algumas músicas, chegou a hora de mais interação: Stuart autografou umas bolas de futebol americano para jogar para a galera, além de pedir para as meninas passarem rímel nele (?). É nessas horas que ressurge meu ódio pela área VIP e eu me pergunto qual é o problema dos artistas e seu campo de visão, já que eles só conseguem enxergar quem está na frente deles, nunca dos lados. É nessas horas que pessoas como eu e a Ana – que tinha o rímel! – são seriamente prejudicadas.

Esbanjando mais um pouco de simpatia, foi a vez do Stuart convidar uma galera para subir no palco. Tenho certeza absoluta que o critério para escolher era quem dançava da maneira mais estranha, já que ele chamou uma menina que estava na minha frente na VIP, dançando muito esquisito. Fora que o garoto que subiu... Nossa. NOS-SA. Vergonha alheia demais. Só sei que as seis pessoas devem ter curtido bastante, já que subiram no palco enquanto tocava “The Boy With The Arab Strap”, uma das músicas mais legais deles.

Mas melhor ainda foi a que veio em seguida, “If You Find Yourself Caught In Love”, que eu não estava esperando ouvir e foi incrível, principalmente pelo fato do Stuart ter lembrado que existe uma pista comum e ir lá no meio da galera, dando uma das visões mais legais lá do lugar onde eu estava, na grade do canto esquerdo do palco. Depois vieram “Simple Things”, b-side do b-side e ainda melhor ao vivo, e, para fechar, “Sleep The Clock Around”.

Só comecei a fazer o post depois de achar essa foto.

No bis, só músicas para deixar a galera animadíssima: um pedacinho de “Jonathan David”, “Get Me Away From Here I’m Dying”, “Judy And The Dream Of Horses” e “Me And The Major”, que me fez dançar demais e, contrariando o que eu esperava, suei. Suar em um show do B&S soa até meio incoerente, mas foi assim mesmo. E, com muitos agradecimentos, eles foram embora e me deixaram ali, uma pobre fã, sozinha e desamparada, mas feliz. Foi um show ótimo, o clima estava incrível e os fãs curtiram demais – a felicidade estava estampada no rosto da Ana!


A melhor coisa que aconteceu foi não ter criado nenhuma expectativa (mentira. Eu só queria que eles não tocassem “Like Dylan In The Movies”, por motivos pessoais. E eles atenderam!). Nos textos que li por aí, vi que muita gente reclamou do setlist, mas eu achei perfeito, até porque tiveram várias músicas do “Dear Catastrophe Waitress”, meu álbum favorito. Se eu fechasse os olhos, ia parecer que estava ouvindo o CD, de tão harmônicos e sincronizados que eles são.

Mas, se eu disser que saí de lá cantarolando “A Song For The Dead” e que até agora não bateu um depressão pós-show, vocês acreditam? É, já fui mais fã de Belle & Sebastian...

* Me desculpem pela repetição de assuntos. Ultimamente, só tenho falado de shows, shows e shows. Infelizmente, isso não vai mudar tão cedo, já que ainda vou ao Planeta Terra, ao show do Paul McCartney FALTAM SÓ CINCO DIAS SOCORRO MEU DEUS TÔ MORRENDO, do Scissor Sisters e, chata que sou, preciso contar tudo para vocês. Mas prometo arranjar outras coisas para falar por aqui, ok?

6 comentários:

Wagner disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana disse...

Até agora não consegui escrever sobre o show, acredita?
Mas obrigada por me citar em vários momentos do seu post. E não revelar os meus segredos hahaha

Bjs gata

Natalia Máximo disse...

Você foi A ESTRELA do show, sua linda

Wagner disse...

Irrepreensível, baby. Tanto vc qto o B&S.

Anônimo disse...

Essa banda aí eu pulo .. fico esperando o review do show do Paul.

Cami Pires disse...

Lindona, eu fui cheia de expectativas e amei. Suei, chorei, dancei... lindo demais!

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