domingo, 3 de outubro de 2010

O show (não tão bom) da democracia

Quando fui convocada para ser mesária nas eleições desse ano, já fui pensando na emoção: eu mandando muita gente voltar para casa porque esqueceu documentos, com os nervos à flor da pele por causa do barulhinho da urna eletrônica, em quantas leituras colocaria em dia por causa do marasmo proporcionado por um domingo chuvoso, entre tantas outras coisas super produtivas. Mas, como tudo na minha vida (somado ao fator inferno astral pré-aniversário), algo iria dar errado e acabaria com o meu humor.

Para começar, ter que acordar seis da matina de um domingo está muito longe do que eu penso de um domingo ideal. A coisa piora ao descobrir que passarei o dia inteiro presa em uma sala com pessoas que, à exceção de um amigo de ginásio que eu não via desde então, eu não dividiria o mesmo espaço sob nenhuma outra circunstância – não sei se já comentei isso aqui, mas não sou a maior fã de pessoas efusivas/extremamente alegres/sem opinião própria/que não são práticas e dinâmicas/que não fazem o que têm que fazer/repetitivas/lerdas/que não conseguem captar nenhum tipo de sarcasmo ou ironia. Esse é o tipo de gente que dá muito trabalho, mas só do chato e que não me interessa nem um pouco. Acho que não sobra muita coisa depois dessa limada, mas dei sorte na vida e os que encontrei me bastam. Enfim, voltando ao assunto: na minha seção, os outros mesários se encaixavam nessa descrição acima.

A tranquilidade acaba às oito da manhã em ponto, quando os primeiros eleitores começam a chegar. A partir desse momento até o soar da sirene da escola às cinco da tarde, passam pela mesa receptora da qual faço parte 392 eleitores, da maior variedade que a zona norte da cidade pode oferecer: altos, baixos, gordos, magros, bonitos, feios, estudados, analfabetos, educados, folgados, apressados, tranquilos, velhos, jovens (tinha gente nascida em 1994 votando. As crianças de 1994 já têm 16 anos. Deus, estou ficando velha #rumoaos20), garotas da minha idade com filhos pequenos ou até grandinhos... As rotulagens são infinitas, mas não foi sobre isso que pensei o tempo inteiro, e sim no por que daquelas pessoas estarem ali. Senti uma certa tristeza por ver gente que nem sabe escrever seu próprio nome sendo obrigada a fazer algo que talvez nem entenda muito bem o que é e qual é sua importância – se eu, que tenho um bom grau de instrução, não sei muitas vezes onde buscar informações sobre esse tipo de coisa, imagino como deve ser difícil para os outros. E eu me pergunto por que o voto é obrigatório.

Foi aí que comecei a pensar sobre ser cidadão no Brasil. É muito difícil saber quais são nossos direitos e deveres, e acho que muita gente também pensa assim. A gente esquece que essa coisinha tão simples, que é nosso voto, tem um poder enorme e toda a população merece saber disso. As pessoas têm o direito de conhecer seus candidatos e saber como eles trabalharão se forem eleitos. É o mínimo, O MÍNIMO de respeito que merecemos. A gente precisa aprender a dar valor para o nosso voto, porque essa é a nossa arma de mudança. As pessoas merecem saber que nem tudo que passa na televisão é verdade. 

O povo merece um governo menos sujo. Merece gente que saiba governar e entenda as prioridades da população. Sei lá, o Brasil merece coisa melhor que o Tiririca passeado pelo Congresso Nacional. E também merece saber que não é votando nele que se faz protesto.

Quando fui convocada para ser mesária, pensei que seria engraçado, mas não dá para rir da realidade assim. Em menos de um mês, estarei de volta à mesma sala, recebendo os mesmos 392 eleitores, dividindo a mesa com os outros quatro mesários que não são da minha praia. E minha perspectiva continua ruim, por mais que eu não queira.

6 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei esperando alguém comentar mas ficou meio no vácuo aqui. Então .. comentei! :) O assunto sobre política não rendeu muito!

Natalia Máximo disse...

Haha, então, acho que não rendeu por várias razões.
1. não divulguei em lugar nenhum, então, só quem tem o feed ou passa por aqui todo dia que viu;
2. Não divulguei porque política é um tema que eu não entendo muito bem e tenho pouquíssimo conhecimento e intimidade para falar (tanto que o texto ficou muito meia boca), mas tinha alguma coisa dentro de mim me pressionando pra fazer esse texto, sabe? Rs
Mas obrigada pelo comentário, Anônimo! Você é sempre muito bem vindo por aqui =D

Anônimo disse...

rs .. eu fico criando confusões né?! Mas a verdade é que eu gostei do texto! Senão eu não estaria aqui comentando. Agora uma coisa .. você falou #rumoaos20 .. eu sei que é extremamente indiscreto perguntar a idade para uma mulher. Mas fiquei curioso agora ...

Natalia Máximo disse...

Meu aniversário é dia 18, vou fazer 20 anos =]

Anônimo disse...

Ok então. Te vejo então no "post" do dia 18. Abraços!

Giu disse...

Cara, eu bem achei também que ia botar toda a leitura em dia, mas num rolou não. Agora no segundo turno acho que rola, bem mais rápida a coisa.

E oh, eu rio pra num chorar, porque o quadro é deprimente mesmo.

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