sábado, 4 de setembro de 2010

Rock.

Depois de uma semana deprimente (leia-se: criatividade zero para escrever. Perdi as contas de quantas horas gastei olhando para uma página em branco do Word, me sentindo totalmente incompetente) e bombardeada por notícias ruins, poucas coisas podem explicar minha euforia de hoje. 

As principais são o feriado prolongado, porque minha cabeça estava implorando por um tempo para conseguir organizar os pensamentos e essa parece uma ótima oportunidade; receber mensagens inesperadas de uma amiga com a qual eu não falava há uns bons meses, porque foi um ótimo meio de dar uma escapada dos meus problemas, mesmo que por cinco nostálgicos minutos; e a confirmação do Queens Of The Stone Age no SWU, como eu já tinha comentado aqui, porque me fez mandar todo meu planejamento para as cucuias sem o menor medo de ser feliz. Afinal, é uma das minhas bandas preferidas tocando uma semana antes do meu aniversário. Só pode ser um sinal de que eu TENHO que estar na grade da maldita Pista Premium, com um cartaz de papelão escrito com batom vermelho falando que é meu aniversário para, com sorte, conseguir fazer com que eles toquem a música que eu quero – ou, pelo menos, um convite para o backstage, assim o Josh pode me dar parabéns do jeito que ele quiser, de preferência, com muito contato corporal e um autógrafo.

A história do cartaz já deu certo várias vezes

Calma, perdi o foco. Não é esse o assunto do post. Enfim, assim que cheguei em casa hoje, fiquei assistindo vídeos de apresentações do QOTSA e, cara, como eles mandam bem ao vivo. Depois, vi alguns shows do Them Crooked Vultures e do Foo Fighters. São bandas que eu curto e que têm influências incríveis. Foi quando me deu um estalo e pensei: caralho, rock’n’roll é foda.

Apesar de eu gostar de artistas de várias épocas e estilos diferentes, sempre tive uma conexão muito forte com o rock. Uma das lembranças mais marcantes da minha infância é do meu pai me apresentando sua enxuta, mas ainda assim linda, coleção de vinis. Nós dois sentados no chão, na frente da vitrola, ouvindo clássico atrás de clássico: Beatles, Dylan, Stones, Who, Led, Doors, AC/DC. Naquela época, eu não fazia ideia da importância desses caras, mas hoje eu sei que devo muito do que sou a eles, porque sou um ser humano movido à música e, se eu não tivesse os conhecido, quem sabe que tipo de pessoa eu seria hoje?

Falo aqui de quem sou porque, na minha visão, qualquer tipo de música é muito mais que o conjunto “letra e melodia”. Música é atitude, um instrumento de mobilização social. Acho que, de todas as formas de arte, a música é a que se aproxima mais facilmente de qualquer pessoa, por isso que é tão difícil achar alguém que não goste. 

E é essa a sensação que eu tenho quando escuto alguma canção de rock. Uma letra inesquecível, um riff genial de guitarra, um solo impressionante de bateria ou um baixo que parece estar sincronizado com as batidas do seu coração são coisas que me deixam completamente arrepiada e fazem com que eu me pergunte a todo momento se os responsáveis por essas maravilhas sabiam o que seriam no futuro e o quanto seriam essenciais para minha formação; que tenho uma vontade absurda de saber o que eles passavam quando fizeram meu álbum favorito; se eles sabiam que depois de dez, vinte, cinquenta anos, teriam uma legião de fãs fervorosos que clamaria para ter 1% desse dom.

Tudo isso passou pela minha cabeça depois de rever um vídeo do Foo Fighters tocando Rock’n’Roll com Jimmy Page e John Paul Jones para um estádio abarrotado na Inglaterra. Lembro que vi umas partes desse show pela primeira vez na TV, em 2008, mas nunca me esqueci da apresentação dessa música. Dave Grohl, um cara que me parece ser muito gente fina, estava visivelmente emocionado ao anunciar a melhor noite da porra da vida dele. Eu não tenho a menor dúvida de que tenha sido mesmo.

Porque, nesse momento, ele deve ter pensado em tudo que eu falei até agora, adicionado de um “caralho, estou tocando com os caras em quem me inspirei minha vida inteira. São os caras que me fizeram ser quem eu sou hoje, no mesmo palco que eu e minha banda”.



Algum dia, espero ser honrada com uma chance dessas. Afinal, tenho muito ovo para babar a agradecer.

* Eu amo música, mas não tenho uma banda e nem penso em ter. A melhor maneira de eu demonstrar meu amor é pela admiração mesmo (e o mundo agradece).
* Se um dia eu encontrasse mesmo algum dos meus ídolos, teria mesmo muito a agradecer, mas não tanto quanto tenho devo ao meu pai. Sem ele, tudo seria muito diferente.
* Com a confirmação do QOTSA caiu como uma bomba agora, serei obrigada a comprar ingressos para Pista Premium, pelo menos para esse dia. Com esse desvio orçamentário, a única cláusula do Projeto Bolso Bonito no SWU que se mantém de pé é de não sair para mais lugar nenhum até quitar as dívidas. Ê, vidinha...

3 comentários:

Nih_x disse...

Puta que pariu! Pelo texto e pelo vídeo, sua linda! <3

Isadora disse...

Eu não sei o que faria se encontrasse, por exemplo, o Robert Plant. Precisaria agradecer por toda a minha formação, durante pelo menos uns 8 anos. E como você fala isso pra alguém?
Acho que seria somente um: "posso te dar um abraço", uma foto, e um eterno, eterno "obrigada" imaginário!

Adorei o post!

Otavio Oliveira disse...

faço minhas as palavras da Isadora, mas transferindo para o Paul McCartney ou o Ringo Starr (ok, é clichê amar Beatles, mas fazer o que?)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...