segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cinco segundos de emoções desnecessárias

Segunda-feira é um dia tão ruim que não precisa de nada para piorar, mas sempre dá um jeito. Ou chove, ou faz frio, ou faz muito calor. Ou faz tudo de uma vez. Enfim, segunda-feira é sempre um saco.

Ontem, fiquei acordada até tarde fazendo trabalhos da faculdade, mesmo meus planos sendo acordar mais cedo que o normal. De fato, acordei bem antes do que estou acostumada, mas resolvi ser nostálgica e reviver algo que eu fazia todo dia antes de ir para a escola: acordar cedo, me arrumar e voltar para cama por mais 10 minutinhos. O problema foi que perdi a hora e acordei uma horinha depois.

Acordei num pulo, abri a porta e saí correndo para a rua. Mesmo assim, isso não me impedia de estar sonolenta. Me senti um zumbi, andando meio morta, meio dormindo. Mesmo assim, fui enfrentar o difícil começo de semana. O sono era tão grande que até esqueci o meu ritual matutino de ouvir música no iPod. Se não conseguia nem ver para onde meus pés iam, o que dirá cantar junto com Phoenix.

Mal sabia eu que muita emoção me aguardava nos próximos cinco segundos. Assim que cheguei à avenida e estava a caminho da faixa de pedestres para chegar do outro lado, ouvi um barulho inusitado para as 8 da manhã de uma segundona. Era o som desagradável de pneu cantando. Foi pior ainda quando vi que, do meu lado esquerdo, tinha um carro preto correndo. “Tem alguma coisa errada, mas não sei o que é”, foi a única coisa que consegui pensar.

Mesmo assim, percebi que o motorista tinha uma cara assustada. Mas o que me chamou atenção mesmo foi a direção de seu olhar. O rapaz maluco no volante estava olhando para trás. Acompanhei o movimento e, para minha surpresa e falta de reação, era uma perua vindo atrás do carro, também cantando pneu. O único problema era que, em um espaço tão reduzido, a única coisa que a perua atingiria seria eu.

No mesmo instante, soltei um berro seco, arregalei os olhos, comecei a tremer e devo ter ficado mais branca que sulfite tratado com Vanish. Minha sorte foi poder me “esconder” atrás de um orelhão, que misteriosamente surgiu na minha frente. A perua não me atingiu e continuou em busca de seu alvo, de quem senti pena no momento.

Tudo isso em cinco segundos. Os próximos cinco foram dedicados à uma rápida reflexão: que porra foi essa??? Dois veículos fazem uma manobra arriscada – e não permitida – em frente a uma calçada movimentada, às oito da manhã de uma segunda-feira. E eu ali, com o coração – e não só ele – na mão, no meio de uma perseguição clandestina classe D.

Só emoções desnecessárias para uma segunda. E nem consegui falar com meu pai e desejar feliz aniversário. É mole?

7 comentários:

Charlie disse...

Wow...
Por um momento tive vontade de procurar um orelhão e me esconder...

Anônimo disse...

Ah mas como injusto sou eu. Clamei por novos textos aqui no blog, mas não fui capaz de fazer um comentário, nem que fosse pra reclamar dos dois últimos textos. Vale um comentário para os dois textos?

A minha grande pergunta é: para que serve um bolo? Por que temos que comprar fazer bolos de aniversário, casamento, bodas de algum material semi-resistente.. qual é o valor sentimental que as pessoas depositam em um bolo? Não sou contra o uso de bolos em eventos festivos mas por que são usados somente nesses eventos? Por que não posso simplesmente chegar em casa após um longo dia de trabalho, comprar um bolo confeitado e comê-lo?

Sobre o seu incidente hoje de manhã, irei fazer uma reflexão: e se você não tivesse dormido 1 hora a mais? E se você tivesse dormido uma hora e 30 segundos a mais? Qual é a diferença? Esses 30 segundos podem mudar completamente nossas vidas. Os 30 segundos podem te fazer ganhar na mega-sena.. ou podem despedaçar corações. 30 segundos podem mudar o mundo para melhor ou acabar com a humanidade.

“E se eu dormisse por mais 30 segundos?”

Flavia disse...

Gente, e esse comentário do anônimo, hein?

Anyways...
Cara, espero de verdade que o resto da sua semana seja muito tranquilo e repleto de acontecimentos NORMAIS para compensar essa segunda-feira macabrinha hahaha

Devo dizer que me sensibilizei com a situação, mas achei hilário o seu texto.
Ficou muito bom!

Bjos!

Anônimo disse...

Minha intenção não era escrever um comentário ofensivo. E sim uma reflexão. Não entenderam?

Nih_x disse...

~~dorgas~~ manolo rs

Natalia Máximo disse...

Entendemos, Anônimo, relaxa

Anônimo disse...

"You don't look different,
But you have changed.
I'm looking through you,
You're not the same."

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