quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A vizinhança – Relatos de uma mudança (bônus)

Não sei como simplesmente não pensei em falar de algo tão importante e vital quanto the neighbourhoooooood a vizinhança. Daqui a três dias, serão quatro meses de casa nova e, reparadora que sou, já sei algumas coisas essenciais sobre os moradores do meu prédio e da minha rua, além dos comércios, é claro.

Tem umas duas ou três coisas que não me agradam tanto, como o fato da padaria da esquina ser bem ruinzinha, da pseudo-malandragem-uso-uniforme-da-Onbongo-e-acho-que-estou-abafando do bairro se juntar toda santa noite em frente à mesma padoca para fumar um baseado e achar que ninguém percebe. Além disso, minha rua desemboca na maior descida de uma avenida, de onde os carros vêm descontrolados. Não tem farol nem identificador de velocidade, então, posso ser facilmente atropelada enquanto atravesso a rua num dia qualquer.

Mas, falando de coisa boa, vamos falar da Top Therm, gostei muito mais desse novo bairro. É mais tranquilo e mais perto de tudo. Tem dois supermercados próximos e dá para ir a pé – o único problema é voltar com as compras. Para minha mãe e meus amigos que têm carro, os postos de gasolina estão aos montes. Tem ônibus para tudo quanto é lugar e ainda consigo divertir minhas cachorras levando-as para passear em um pet shop gigantesco que tem na rua de baixo. O condomínio tem piscina, academia, salão de festas, salão de jogos (que descobri esses dias) e, dizem por aí, spa. Bem completo. Já os vizinhos... Ah, esses são uma surpresa todo dia.

Fazia um tempo que sempre via um menino de uns 15 anos que eu tinha certeza que conhecia. Não lembrava quem era, não fazia ideia de onde, mas sabia que conhecia. Foi aí que eu tive um estalo milagroso de memória. Esse moleque é o filho do meu professor de Artes do ginásio, que era muito maluco, que não percebeu quando levamos a prima de uma amiga que não estudava lá com o uniforme e ela assistiu um dia inteiro de aulas dele, até pintou um quadrinho lá... Como nunca o tinha visto por aqui, cheguei à conclusão que o moleque morava só com a mãe, até o dia que cheguei e dei de cara com ele saindo do prédio com seu carro - bem amassado, por sinal. Parou para conversar comigo – e ele lembrava mesmo de mim! – e atravancou o trânsito dentro da garagem e fora dela também (como moro em uma rua muito estreita, se um carro demora muito para sair, todos ficam parados até chegar à avenida). Complicado.

Calma, preciso de foco, pois não queria falar sobre nada disso. Fiz esse post em homenagem a dois vizinhos em particular: o morador de algum apartamento do segundo andar do meu prédio, que chamaremos carinhosamente de Babaca-que-acha-que-entende-de-tudo, e um não identificado que mora em algum dos trinta e seis apartamentos do meu bloco, conhecido a partir de agora por vocês como Egoísta-de-uma-figa.

O Babaca-que-acha-que-entende-de-tudo veio morar aqui há mais ou menos duas semanas. Lembro muito bem dos carregamentos de caixas e das capas de proteção dentro do elevador. Até aí, tudo bem; quero mais que ele seja muito feliz em sua nova aquisição imobiliária. O único problema é que, por causa dele, meu prédio inteiro está sem gás desde ontem à noite. Não tendo gás, não posso cozinhar e nem tomar um banho fervilhando de quente, do jeito que gosto.

Foi assim que aconteceu: quando se mudou, o Babaca-que-acha-que-entende-de-tudo precisou converter o fogão dele para gás encanado. Só que, na hora de fazer as ligações, ele conectou o cano da água na entrada do gás e vice-versa. Ele só pode ter feito isso sozinho, sem nenhuma orientação de uma pessoa que entenda do assunto. O resultado foi o entupimento de todo o encanamento de gás do prédio e só foram descobrir isso hoje de manhã, quando a Comgás veio tentar resolver o problema. E é aí que o Egoísta-de-uma-figa dá o ar da graça.

Para a empresa fazer sei-lá-o-quê para arrumar tudo e devolver meu querido gás,  eles fizeram um tipo de mapeamento antes de começar a mexer no encanamento, mas não puderam seguir em frente porque detectaram um foco de vazamento (leia-se: algum mané viu que no dia anterior não tinha gás e esqueceu uma das bocas do fogão ligada). E quem é esse? Só podia ser o nosso amigo Egoísta-de-uma-figa!

Como não dá para saber em qual apartamento foi feita essa cagada master besteira, a administração do condomínio teve que interfonar para todo mundo até descobrir. Todos os moradores tiveram que desligar o aquecedor, mas ainda não conseguiram falar com o Egoísta-de-uma-figa - já são 23h33.  Aí que quando eu estava chegando de uma caminhada com minhas cachorras, uma super mobilização estava acontecendo na entrada do meu prédio: crianças, mulheres, vovôs e vovós, empregadas, seguranças, cachorros e papagaios parados no hallzinho, tentando descobrir – em vão – quem era o maldito do Egoísta-de-uma-figa. O maior medo de todos era que ele tivesse saído de férias logo hoje e só voltasse daqui a um mês. Eu, que já previa mais uma manhã de banho frio, com água esquentada no micro-ondas e jogada no corpo com um “tapauér”, congelei instantaneamente só de pensar nisso.

Minha sugestão? Linchar esses dois infelizes e jogá-los pela janela Vamos todos cozinhar e tomar banho na casa do Egoísta-de-uma-figa e do Babaca-que-acha-que-entende-de-tudo por uns três meses! Se você estiver achando essa solução ruim, espero que tenha um chuveiro com água fervendo e um fogão que funcione à minha espera na sua casa, ok?

UPDATE: Já arrumaram o gás, consegui tomar um belo banho hoje de manhã! Um bom presente para uma sexta-feira 13, né, Hally? Arruma logo esse seu disjuntor, pô! Ah, e o Egoísta-de-uma-figa mora no 74. Vou quebrar a cara dele hoje à noite.

5 comentários:

Hally disse...

Tu não vai acreditar, mas pensei em ti ontem, depois do primeiro banho decente que tomei em dois meses (leia-se quentíssimo e demorado), sem que o disjuntor da minha casa caísse. É, minha cara, os chuveiros elétricos também dão problemas... ¬¬

Mas eu não quero que fiques com inveja, tá? Pensa assim: vai levar, no mínimo, mais dois meses até eu poder tomar outro banho decente. E você poderá tomar um fervilhando, como você mesmo escreveu, daqui a, no máximo, um mês. Não é uma boa notícia para uma sexta-feira 13?

=D

Charlie disse...

Juro...
Acho que você tem que dar uma busca no teu condomínio. Garanto que vai achar um sapo (com o seu nome costurado com linha grossa na boca do bicho) enterrado lá...
Ou isso, ou deus adora te sacanear... hahahaha

Seja lá como for, com essa história de chuva de meteoros, vai saber, né? É melhor você procurar um abrigo dos bons...

Natalia Máximo disse...

Aposto que vai cair um meteoro no meu guarda-roupa novinho!

Vanessa Finizio disse...

Mina, saindo do assunto... Gostei dessas coisas aí de piscina, salão de jogos, spa... Quero nem saber se o apartamento é pequeno, vai ter que me abrigar uma noite aí (e dormir de conchinha, porque eu sou romântica) rs

Giu disse...

Cara, viver em prédio é querer matar as pessoas por coisas com as quais vc jamais imaginou que teria de se preocupar. Eu um dia quase morri do coração achando que o prédio tava pegando fogo, pq meu hall era pura fumaça, eu num conseguia ver a vizinha de frente, e aí descobrimos que era a velha do andar de baixo que queimou um bolo. Mas isso a gente descobriu um dia depois, quando o zelador foi fazer fofoca, porque na hora a velha ficou bem quietinha na dela, ao invés de contar pra gente que a gente num ia morrer, porque ela tava COM VERGONHA. Ah tá!

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