terça-feira, 10 de agosto de 2010

Por que nunca mais vou abrir um exame médico sozinha

Segunda-feira é um dia tão ruim que se estraga sozinho. Mas, como a vida é uma senhora muito sacana, essas vinte e quatro horas tinham que ficar piores.  Ontem foi um dia nublado, frio, feio, com muito vento e, para mim, triste. Para ajudar, eu estava super mal agasalhada. Para dar uma mãozinha ainda maior, fui dar uma de esperta e abrir meu exame de sangue.

Depois do almoço, entrei no site do laboratório e fui procurar pelo meu exame. Tudo certo, tudo lindo. Quando você não é médico, basta olhar qual foi seu resultado e checar se está dentro do referencial que sempre vem ao lado. Então, foi isso que eu fiz. Glicemia, ok. Tireoide, ok. Fígado, ok. Rins, ok. Triglicerídeos, ok. Colesterol, limítrofe.

Opa, espera lá: limítrofe? Meu colesterol está alto? Isso só pode estar errado, né. Pelo amor de Deus, eu tenho 19 anos, não como carne, quase não tem fritura em casa, me entupo de salada quase todo dia (porque eu gosto, ok?). Isso só pode estar errado. Liguei para a minha mãe para avisar e a notícia fica ainda mais assustadora. “Você foi premiada, viu? Ninguém na família tem colesterol alto”.

Pronto, era o que eu precisava para o meu mundo desabar. Na mesma hora, comecei a sentir meu coração batendo com muita dificuldade por causa da gordura que entupia minhas veias. Comecei a pensar no meu sangue como um molho vermelho de restaurante meia-boca, com uma bela camada de óleo por cima, que faz a massa de tomate até brilhar. De repente, só conseguia imaginar que meu corpo era um boteco bem dos vagabundos e que meu coração era um pedaço de torresmo de 19 anos, nadando na gordura do meu colesterol.

Depois de respirar um pouco, o próximo passo era o óbvio: consultar o médico sobre esse resultado. O Dr. Google. Fiz uma super busca e me deparei com termos como “doenças cardiovasculares”, “hipercolesterolemia”, “arteriosclerose”, “angina” e “infarto do miocárdio”, tudo isso na mesma frase. Uma frase só de palavras difíceis, nada poderia ser tão assustador.

A lista de coisas terríveis só crescia. Além de fatores hereditários, o que mais gera aumento no colesterol é a alimentação. A gordura saturada é uma das principais culpadas, pois esse veneno está presente em bolos, chocolates, bolachas, sorvetes, entre tantos outros. Alimentos de origem animal também estão recheados de colesterol ruim: ovos, leite, queijos... E eu como tudo isso. A solução? Cortar tudo isso e exercícios.

E, nesse momento, comecei a pensar no terror que seria minha vida daqui para frente. Nunca mais poderei comer uma barra de chocolate para superar o stress pré-semana de provas. Sem sorvete depois do almoço no verão? Se eu for a uma festa de criança, não poderei me empanturrar de bolinhas de queijo? O que vai ser da minha macarronada sem parmesão? E o que vai ser dos meus filhos, que carregarão esse gene que criei? E o exercício, meu Deus? Quero dizer, what’s the point? Acordar cedo no frio para correr, andar, alongar... TODO DIA? Nem lembro mais o que é isso.

E aí, eu parei para pensar – depois de muitos pensamentos esdrúxulos e MUITO chororô para minha mãe e para os meus amigos durante o resto do dia – na razão do meu desespero: eu nem levei meus exames ao médico ainda. Eu nem sei interpretar todos aqueles números. E, no fim das contas, o laboratório nem discriminou qual é minha taxa de HDL (colesterol bom) e de LDL (colesterol ruim).

Agora, vou canalizar todas minhas dores imaginárias no peito para o Lavoisier, já que tenho certeza que o médico – o de verdade dessa vez – vai me mandar fazer esse exame de novo... E é aí que mora a esperança, certo?

* Escrevi esse texto só para dar uma desabafada. Esse assunto realmente acabou com meu dia ontem.

3 comentários:

Hally disse...

Li seu texto devorando um pão de queijo (larica matinal mode: on, potência: TURBO) e imaginei minha vida sem guloseimas e acepipes... preferia ter ouvido um funk a todo volume no busão, seria menos torturante... =S

Mas tenha fé, não há de ser nada. =D

Vanessa Finizio disse...

Caraca, sua demente! Nunca mais faça isso rs
Um amigo meu já fez a mesma coisa que você, se te serve de consolo. Ficou pensando que ia morrer, me mandou um depoimento quase póstumo em desespero e me deixou mega preocupada, pra no dia seguinte dizer que o médico avisou que ele não tinha nada ¬¬

Giu disse...

Opa, eu auto-analisei meus exames e descobri que to anêmica. E minha reação foi a mesma que a sua: DAONDE?!

E cara, essas coisas de saúde são meio loucas. Tipo, eu sou a que mais como sal em casa e a única que tem pressão baixa! Go figure. Essas cosias são meio aleatórias, a meu ver, viu? E outra: se tá limítrofe, significa que ainda num tá preocupante, right? E, se num tá preocupante, num precisa surtar. Vc num precisa CORTAR tudo que curte comer e nem malhar todo santo dia. diminuir um pouco e malhar um pouco já ajudam.

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