segunda-feira, 26 de julho de 2010

"Marcão"

Que existe muita gente babaca nesse mundo eu não duvido. Mas, encontrar tanta tosqueira em uma só pessoa é um pensamento que, não sei como, chega até a doer nos pensamentos.

Dia desses, estava conversando com umas amigas exatamente sobre isso: gente tosca. Mas, como éramos muitas mulheres em um espaço reduzido, resolvemos que o mais saudável a se fazer era focarmos no sexo oposto, mais especificamente no ridículo vestuário que é tão típico de muitos rapazes por aí. Eles não fazem ideia de como seriam mais felizes se nos ouvissem um pouco mais – pelo menos nisso, ok? Difícil estarmos erradas nesse quesito, admitam, garotos!

Enfim, falávamos de todas as roupas, acessórios e penteados que nunca – leiam com atenção e aprendam: NUNCA! – favorecerão um homem. Dentre todas as coisas que listamos, alguns erros crassos se destacaram, como:

1.    Regatas (pior quando são aquelas furadinhas, de fazer academia);
2.    Calça cargo, de moletom, ou de tactel (se você tem mais de 17 anos e já não usa mais uniforme da escola, vai ficar tosco, não tenha dúvidas);
3.    Pochete (se bem que não usar pochete vale para qualquer ser humano. E usar pochete é algo tão antiquado que nem o Word – vejam bem, O WORD!!! – reconhece a palavra);
4.    Nike Shox ou qualquer tênis com mola (essa moda ridícula já deu há muito tempo, né, meninada?);
5.    Correntes, principalmente aquelas que parecem correia de bicicleta de tão grossas que são, ou as douradas;
6.    Falando a verdade, qualquer coisa pendurada no pescoço, como celular ou bilhete único, é tosco. E um atestado de pobreza;
7.    Cabelo com gel, mousse, creme. Ensebar a peruca não é nada legal, e fica ainda menos legal para vocês, garotos;
8.    Cavanhaque desenhado. Pessoal, ficar com cara de cantor de pagode do meio dos anos 90 não é nada legal.;
9.    Moletons de marcas de surf que vem com a inscrição STAFF nas costas. Se você usa isso, só pode ser da equipe dos babacas-mór. Já reparou que os caras que usam isso costumam sair em bandos? Quem um dia imaginou que isso era bonito/legal/charmoso/atraente estava muito, muito errado;
10.    Sapatênis. Wrong, just wrong;
11.    Bigode. Só os deuses do rock’n’roll e do futebol podem usar bigode. Vocês, pobres mortais, não, porque TOSQUICE TEM LIMITE;
12.    Perfume barato, daqueles vendidos na bandeja de isopor na 25 de março, misturado com o cheiro do Axe;
14.    Luzes no cabelo. Só dá certo se for sedoso como do McDreamy ou se você trabalhar na Globo ou em Hollywood.

Não, não é bonito ser feio.

A lista ainda vai muito longe e eu não tenho o dia todo para fazer essa relação. E, se cometer apenas um desses erros já é demais, já imaginou juntar vários deles em uma mesma pessoa, com o quê da inconveniência? Pois foi isso que fui obrigada a presenciar no ônibus nessa manhã.

Passei o fim de semana inteira rouca e tossindo, o que resultou em uma péssima noite de sono. Tudo que eu queria nessa manhã, antes de chegar ao trabalho, era um pouco de paz para ler Alta Fidelidade no ônibus. Mas, como alegria de pobre dura pouco, ele (que vamos chamar de Marcão, porque toda turma de otários tem um Marcão) adentrou o recinto público e, mesmo com todos os assentos vazios, resolveu sentar ao meu lado.

Sério, o Marcão mandava muito mal no modelito. Dos itens citados acima, os únicos que não consegui identificar foram o 5 (porque ele já estava com o maldito celular pendurado no pescoço), o 9 (só porque estava calor; tenho certeza que ele tinha uma blusa da Onbongo dentro da mochila) e o 10 (até porque ele já estava usando seu Nike Shox falseta, e nem ele seria tão tosco de usar um pé de cada. Isso é coisa dos fãs do Fiuk).

Foi nessa hora que eu olhei para os céus e gritei internamente “SENHOR, QUAL É? TÔ DE BOA NA MINHA” e, em vão, esperei alguma resposta positiva. Deus, com toda sua magnificência, achou que um retorno válido seria o Marcão se escorando em mim.

Com toda a paciência que pode se esperar de alguém em plena segunda-feira, eu simplesmente ignorei, já que ainda tinha – e tenho – uma longa semana pela frente, e doente. Voltei à minha leitura, concentrada nas músicas de alta qualidade que tocavam no meu iPod.

Mas, fui interrompida pelo Marcão e pelo seu celular pendurado no pescoço e com toque babaca (até então eu não sabia disso. Preferia que continuasse assim), que era uma daquelas músicas mais tocadas em todas as FMs da cidade. Como era de se esperar, ele falava alto, muito alto. Afinal, é de extrema importância que todos no ônibus saibam que ele está atrasado e precisa avisar o chefe, né.

E foi esse meu percurso da Lapa até o Butantã. Teve uma hora em que comecei a tirar vantagem da minha doença, tossindo loucamente para tentar assustar o Marcão. Fui malsucedida e só consegui uns olhares arregalados do senhor que estava sentado na minha frente.

Quando desci, voltei a olhar para os céus (ou para o teto do ônibus, que era tudo que eu tinha naquele momento) e fiz uma nova prece: “Senhor, me libera disso na próxima, senão não me responsabilizo pelos meus atos, ok?”. Acho que Ele resolveu me dar um sossego, já que consegui uma carona até minha casa. Valeu aí, Deus e, só para lembrar: sem Marcão amanhã, valeu?

4 comentários:

Charlie Brown disse...

Hahahaha... Acho que, assim como eu, você tem um "X" ou um alvo pintado nas costas. Não é possível...
Bom... Mas pense que essa sua experiência poderia ser pior:
O Marcão poderia estar de papete e meia, com uma vistosa blusa com pelinhos no capuz e utilizar o celular como um potente equipamento para a difusão do Funk Carioca... Já pensou? Hahaha

Toni Barros disse...

VOCÊ TÁ DIZENDO QUE VOU TER QUE RENOVAR MEU GUARDA ROUPA???

brincadeira, não tenho nada disso não

Natalia Máximo disse...

Não me decepciona, Toni, NÃO ME DECEPCIONA

Giu disse...

Poooo, calça de moletom num é muito legal pra sair na rua, mas deixa a bunda gostosa!

HUAHAUHAUAHU, pochete e bigode são o fim do mundo!

Ah, vc tá lendo Alta Fidelidade?

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