quinta-feira, 29 de julho de 2010

Manual de ideias estúpidas® | 1 – senha para ônibus

Quem utiliza transporte público em uma cidade com trânsito tão caótico como São Paulo sabe que o excesso de carros, caminhões, buracos (nas ruas e calçadas), motos e a escassez de ônibus, metrôs, trens e ciclovias não são os únicos problemas. O comportamento das pessoas também ajuda a piorar a situação, estando elas de carro ou não.

Todo mundo já presenciou uma cena absurda que comprova a falta de noção e de bom senso do cidadão brasileiro. Não importa quantas vezes você fale, mas sempre terá o desprazer de ver alguém jogando lixo pela janela, falando muito mais alto que o necessário, ouvindo música sem fones de ouvido (isso sem nem falar que a música SEMPRE é ruim), comendo coisas fedidas, fingindo que estão dormindo para não dar o lugar para a velhinha, desafiando as leis da Física ao se esmagar para entrar no ônibus lotado e, finalmente onde queria chegar, se amontoando na porta.

Para explicar melhor a muvuca na porta do ônibus, vou fazê-los imaginar o perrengue que eu costumo passar.

Quarta-feira, 18h30, Teodoro Sampaio. Na rua que também conhecida como inferno na Terra, aguardo pacientemente o ônibus 177Y-10 COHAB Jd. Antártica. Como não faço a mínima ideia de onde é o ponto final dele (só sei que deve ser bem longe do mundo real), vou falar o que sei do percurso dele:

- Rua Teodoro Sampaio;
- Avenida Sumaré;
- Estação de metrô e trem Barra Funda;
- Avenida Marquês de São Vicente;
- Ponte da Freguesia do Ó;
- Avenida Inajar de Souza.

Trajeto de uns dois mil quilômetros

Dei uma pesquisada e descobri que, depois de percorrer toda a Inajar, esse ônibus ainda passa por uns 25 endereços. Uma linha que sai de Pinheiros (onde o mundo inteiro trabalha), vai para a extrema zona norte (onde o mundo inteiro mora) e ainda passa por uma das maiores estações de metrô da cidade só pode ser o caos.

Teodoro Sampaio em um dia tranquilo

Não sei o que se passa na cabeça das pessoas, mas parece que elas tem necessidades fisiológicas de se amontoar na porta do ônibus, e o mais engraçado é que elas nunca descem logo; só ficam lá atrás encaralhando a vida de todo mundo que não fica até o ponto final. Imagine isso em um ônibus lotado. Se você estiver sentado em um banco perto da catraca, é praticamente impossível chegar até a porta, porque ninguém te dá passagem – até porque não existe espaço nenhum para mobilidade.

Foi numa dessas que tive mais uma das minhas ideias genialmente estúpidas. E, com a ajuda do Waniguer Wagner, já tão presente nesse humilde blog, tenho até o nome para a campanha: Vai para a casa do caralho? Dê a preferência!

Vamos explicar sobre o que se trata essa campanha. Depois de muita pesquisa e observação, percebi que o sistema de organização de filas para entrar no ônibus, tipicamente adotado em São Paulo, é o principal causador do fenômeno conhecido cientificamente como Muvucamentus inportus, a famosa muvuca na porta do coletivo.

Para evitar esse evento, que acontece praticamente a qualquer momento e em qualquer lugar, é preciso mudar o tão famigerado esquema de filas para um mais eficiente, embora não tão prático: o sistema de senhas.

Muitas pessoas acharão que é só mais uma maneira do governo invadir a privacidade da população. Pode até ser, mas não é esse o ponto. Aqui falamos de melhorias em nível mundial na melhor acomodação das pessoas em seus ônibus.

Funciona assim: ao chegar ao ponto do ônibus, a pessoa terá que dizer em qual ponto descerá e sua posição dentro do veículo será definida de acordo com a distância que o cidadão percorrerá. Dessa forma, pessoas que descerão nos últimos pontos poderão ficar sentadas e sem se amontoar nas portas, como era feito anteriormente.

Esse é um jeito de fazer todo mundo sair feliz do coletivo. Quem vai encarar mais tempo dentro do tanto quanto desconfortável transporte público merece, de alguma maneira, descansar. Quem vai descer logo não precisa se estressar, nem suar, nem ficar com a bolsa presa nos outros passageiros que estão no caminho, ou tentar abrir o Mar Vermelho do proletariado das 18h.

Pode ser o fim desse problema.

Dúvidas como “e quem entrar no meio do caminho?” ou “quem vai garantir que todo mundo vai se manter na posição determinada lá dentro?” estão sendo avaliadas e em breve serão respondidas. Além disso, o projeto da campanha VPACDC?DAP! pretende proibir que pessoas sem fone de ouvido adentrem os ônibus que adotarem o método. É ou não é genial?

* Eu tenho muitas ideias babacas que nunca se tornarão verdade, mas que divertem. É por isso que estou criando o Manual de Ideias Estúpidas, um grande achado da humanidade em termos de cultura inútil. Esperem muita baboseira pela frente.

3 comentários:

Charlie Brown disse...

Velho... Genial!
Sempre imaginei a razão para este fenômeno coletivo-movel-urbanístico da cidade.
Cheguei até a pensar que fosse uma espécie de síndrome de excursão, saca? Todo mundo lá no fundão, fazendo algazarra e tals... Mais nãããão... Muitas vezes a galera vai realmente descer na PORRA do ponto final, mas devido a um deturpado instinto de sobrevivência corre para se aglomerar perto da porta traseira...
Não achei a ideia estúpida. Na verdade, só merecerá o título de estúpido aquele que topar distribuir senhas para as linhas que seguem pela Teodoro Sampaio...

. disse...

Se estiver interessada, me disponho a trazer a ideia para o Centro-Oeste.
Brasília PRECISA de algo assim!!

=~~

Giu disse...

Ou simplesmente poderiam colocar mais ônibus nas ruas, porque aí eles não pareceriam latas de sardinha e todos conseguiriam chegar à porta =)

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