domingo, 20 de junho de 2010

A arte de ficar sozinho

Ontem, li um texto da May lá no blog dela, o Palavra Final, sobre isso. Hoje, foi o Toni quem tocou no assunto, no Geladeira Oráculo. Gostei dos dois. Me identifiquei muito com os dois. Foi quando eu percebi que, de todas as coisas que eu preciso e devo desabafar sobre, essa é uma das mais urgentes.

Eu gosto de ficar sozinha. Aliás, acho que aprendi a apreciar esses momentos, por causa de principalmente duas coisas: o modo como gasto meu tempo e pelas coisas que a vida me ensinou, de um modo agradável ou não.

A primeira é fácil de explicar, basta descrever minha rotina. Acordo cedo para ir ao trabalho, com fones no ouvido no transporte público recheado de desconhecidos e, quando chego, continuo ouvindo música porque ajuda a concentrar (quem trabalha em agência de comunicação deve saber como é a sensação de estar no meio de tantas vuvuzelas humanas). Tem alguns momentos para ir tomar um cafezinho e dar uma relaxada, sem dúvida. Mas isso dura até pegar o transporte público de volta para a faculdade, onde praticamente só discuto assuntos relacionados a provas e trabalhos. É, meus professores não tem dado sossego nenhum. Quando eu chego em casa, minha mãe já está dormindo. Só me resta ir tomar banho, dormir e começar tudo de novo no dia seguinte. No fim de semana, os trabalhos de faculdade transbordam e, se sobrar tempo para ver algum amigo ou parente mais distante, é quase milagre. Claro, sempre sobra um tempinho para fazer uma ligação ou outra, mas quem disse que a conversa muda?

- E aí, quanto tempo, hein? Como tá a vida?
- Ah, você sabe, né, muita correria. Mas vamos marcar de nos ver, precisamos colocar a conversa em dia!
- Vamos sim, só me ligar marcando! Mas agora preciso desligar, tenho que correr para um compromisso. Um beijo!


E, como sempre, esse encontro nunca é marcado.

O segundo motivo até que não é mais difícil de explicar quanto o primeiro, mas é preciso forçar um pouco mais a cabeça – e o coração, que se nega a sentir aquele aperto ruim mais uma vez. Acho que a vida é muito mais responsável por eu saber lidar com esse sentimento de solidão do que qualquer rotina que eu tenha. E, ainda bem, a vida me ensinou direitinho como lidar com isso, porque, vamos concordar, não é fácil. E, parando para pensar agora, aprendi muita coisa com ela sobre a solidão.

Aprendi a gostar de ficar sozinha porque percebi que estar com alguém não tem nada a ver com se sentir completo; ninguém nasceu para carregar um fardo tão pesado quanto ter que completar outra pessoa. Aprendi literalmente o tal do “antes só do que mal acompanhado” que minha mãe sempre me falou tantas vezes. Não adianta quantos amigos você tem, eles nunca vão te conhecer tão bem quanto você mesmo. E, para se conhecer, é preciso ficar sozinho. E, mesmo que os outros falem que isso é estranho, você aprende a perceber que esses comentários não fazem mais a menor diferença, porque são essas pessoas que tanto criticam que também deveriam aprender que passar um tempo sozinho é mais que importante: é essencial.

Por que é essencial? Porque, até onde eu sei, essa é, sempre foi e sempre será a maneira mais eficiente de se conhecer, e todo mundo deveria tirar um tempo para bater um papo consigo mesmo. Não tem nada de egoísta em querer passar um tempo fazendo coisas que você gosta sozinho. Não tem nada de estranho em conversar um pouco com seus botões, afinal, psicólogo nenhum vai te falar o que você precisa ouvir.

Legal é saber que, mesmo que seus amigos te achem estranha por isso, você se sente bem, se sente livre. Teve um tempo que eu pensava que ficar sozinha ia me fazer virar uma pessoa fria. Fiquei com medo e fiz de tudo para não passar tempo nenhum sozinha. Foi aí que eu percebi que chega uma hora que você tem que encarar os fatos. E, para falar a verdade, ficar sozinha nem é tão ruim assustador quanto parece. Foi ficando sozinha que eu aprendi a me ouvir e, principalmente, a não me enganar.

A vida me ensinou que ficar sozinha não afeta em nada na minha felicidade. Para ser sincera, até ajuda. Tem coisas que não devem ser feitas sozinho, como tem coisas que não existem para ser feitas com mais de uma pessoa. A diferença é que hoje isso não me incomoda mais. Agora, eu faço algumas coisas com os outros porque eu quero, não porque eu dependo das pessoas.

E vocês não sabem como isso é bom. Não tem sensação melhor do que a de estar bem com você mesmo. E o melhor de tudo é que fica muito mais fácil os outros se sentirem bem quando nós estamos bem.

* Espero que meu bloqueio criativo acabe!

5 comentários:

Eric O. disse...

http://en.wikipedia.org/wiki/K%C3%BCbler-Ross_model

Toni Barros disse...

Uma coisa é ficar sozinho, a outra é estar sozinho.

Ficar sozinho é bom e necessário, tendo alguém ou não.

Estar sozinho, uma hora cansa.

O bom é ter a opção.

May disse...

É.. eu adoro ficar sozinha, principalmente qdo eu é que escolhi essa condição.
Pessoas que se dão bem consigo mesmas são mais legais. Juro. Pq se conhecem... :)
Honra inspirar um texto por aqui.
Agora, deixa eu ficar sozinha que vou ali ler o texto do Toni! :P
Bjos

Natalia Máximo disse...

May, eu que tenho que agradecer, você e o Toni por terem tirado meu bloqueio criativo!
Beijo!

Má-Má disse...

lindo texto! :)
concordo com tudo. e percebo a cada post que os top "comentadores" têm mta coisa em comum...rs
e é bem isso...uma questão de se conhecer. e acho que quanto mais vc se conhece, mais vc se respeita.

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