domingo, 27 de junho de 2010

O guarda-roupa – Relatos de uma mudança (parte final)

15 de julho.

Desde os primórdios do calendário gregoriano, o dia 15 de julho tem feito muito barulho na história. Além de ser aniversário de pessoas que fazem diferença na formação da cultura, como Ian Curtis (vocalista do Joy Division), John Locke Terry O’Quinn, Forest Whitaker e Samuel Rosa, também foi data para acontecimentos essenciais para o mundo ser hoje o que conhecemos, como a patente da margarina e a fundação do Uberaba Sport Club.

De acordo com as minhas contas, dia 15 de julho também será de magnitude comparável para mim: é a data limite para a Dell Anno entregar os guarda-roupas aqui em casa, em “até 45 dias úteis após a assinatura do projeto final”. Visto que eu DUVIDO que eles entreguem antes, essa é uma data memorável, e só quem já passou por algo parecido sabe qual é a sensação de ter sua vida em uma caixa - quer dizer, em várias.

Sempre dei um valor desnecessário para artigos que não merecem tanta atenção, porque podem ser comprados de volta com muita facilidade, como livros, roupas, sapatos e maquiagens, mas nunca pensei que o guarda-roupa ia chegar a esse patamar. De todos os problemas que a mudança e o estranhamento que a vida em apartamento podem trazer – não fazer barulho após as 22h, ficar presa no elevador, ter que levar as cachorras para passear, reuniões de condomínio, dividir vagas de estacionamento, entre, pãtz, inúmero outros -, nunca pensei que o pior deles ia ser ficar sem guarda-roupa por tanto tempo.

Meu quarto tem 2,76m de comprimento por 2,38m de largura. Eu sei essas medidas com perfeição porque elas foram necessárias para a Dell Anno criar o projeto de dormitório para esse humilde espaço. Agora, coloque-se no meu lugar por um instante: sou mulher, trabalhadora e estudante universitária, tenho muitas roupas, sapatos, maquiagens, livros, DVDs, um violão e tranqueiras em geral. Imagine ter que dividir esse espaço com sete caixas, que parecem ter vida própria – não é possível que eu faça tanta bagunça; eu quase nem fico em casa – com montes de roupa cada vez maiores e mais difíceis de organizar. Entendeu meu sofrimento?

Tenho certeza que você deve estar pensando porque não comprei um guarda-roupa qualquer nas Casas Bahia, só para quebrar um galho. Primeiro: não daria para colocar um armário desses no meu quarto e entrar ao mesmo tempo; eles sempre são super trambolhos. Segundo: um guarda-roupa não daria conta das minhas coisas e das coisas da minha mãe, fora que esse negócio de misturar meus pertences com os dela nunca deu certo. Comprar dois estava totalmente fora de questão. Terceiro: não pensamos que a demora ia ser tanta, então não quisemos jogar dinheiro fora.

Falando em dinheiro, agora penso que foi bom não termos comprado um armário qualquer, porque vou ter que economizar para pagar esse planejado, em 24 demoradas parcelas, com um dinheiro que dava para fazer uma viagenzinha bem legal para países vizinhos. Acredite, essa foi a primeira coisa que pensei quando assinei o contrato da porcaria do mobiliado.

Deixando os problemas de lado, vamos ver pelo lado positivo: só faltam 13 dias úteis para eu ter meu guarda-roupa!

Ah, não, esqueci um detalhe! Caso eles não possam entregar dentro do prazo, ou a gente não possa receber, ainda tem um período de 15 dias corridos para poder fazer a montagem de tudo.

Então, vamos retificar:

Deixando os problemas de lado, vamos ver pelo lado positivo: só faltam 13 dias úteis para eu ter meu guarda-roupa! Ou 28. Já posso chorar?

* Todos os dados do primeiro parágrafo saíram da Wikipedia. Não gostou? Reclama lá.

2 comentários:

Má-Má disse...

Noossa, Nat!!! eu passei por isso quando tinha 7 anos e mudei do apê pra uma casa. imagina quantas coisas a menos eu tinha...rs

e meu pai transformou a espera pelo guarda-roupa (isso merece um post) em algo genial: pintamos tijolos de concreto de amarelo (era uma tinta que tinha sobrado sei lá pq) e colocamos tábuas de madeira entre cada tijolo. isso virou uma estante que ficou lá por uns bons meses, até a gente ter dinheiro de comprar os móveis. hahahaha
hoje, vemos fotos do quarto e parecia um barracão.
por isso, acredite no investimento!!! e ative seus contatos de direitos do consumidor caso a Del Anno não entregue no prazo combinado...rs

e, ah! fiquei imaginando como é que vc sabia que "tanta coisa" tinha acontecido no dia 15/07...rs

Natalia Máximo disse...

NOSSA! Eu lembro que teve uma vez que meu irmão e eu fizemos uma estante nesse estilo pra colocar os livros dele, porque já não tinha espaço em casa. Minha mãe odiou a história profundamente, você não tem noção!

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