sábado, 8 de maio de 2010

The dream is not over


Antes de começar, aperte play.

Fazia tempo que esse assunto estava engasgado na minha garganta, implorando para sair. Porque é um vício incontrolável. Quanto mais leio, ouço e vejo falarem de Beatles, mais eu amo e menos me canso de saber tudo que for possível sobre o Fab Four. É a relação mais feliz, sofrida e admirável que tenho com uma banda.

Eu amo música. Sinto um prazer enorme em conhecer artistas novos, ser apresentada a bandas antigas que eu ainda não conhecia, ouvir de novo aqueles que não ouvia há muito tempo. Por uma fanfarrice de Deus, não nasci com o dom de cantar, tocar ou compor. Mas acredito que Ele tenha percebido isso e, para compensar, me deu vários contatos. Se não posso estar no palco (porque tenho bom senso, claro), farei toda aquela porra funcionar.

Bom, voltando ao assunto. Eu gosto de muitas bandas e artistas, mas, quando falamos de amor, o negócio muda de figura. Dá para contar em uns poucos dedos as bandas que eu amo mesmo, que sou fanática e obcecada, que conheço todas as músicas, que sonho, que tenho que me esforçar para disfarçar esse sentimento. Beatles é uma dessas, e o lugar deles nessa lista ninguém tasca: minha primeira paixão musical.

E essa relação que eu tenho com eles, só eu entendo. Desde o momento em que, lá com meus 14 anos e inglês capenga, li o Anthology original em dois meses. Foi uma sequência de risos, apreensão, chororô, raiva e dúvidas, tudo ao som dos quatro moçoilos de Liverpool, claro. Imagina minha alegria quando meu irmão voltou da Inglaterra com vários livros, xícaras, fotos e bugigangas dos caras. Nossa, fiquei meses pirando com aquilo tudo. Para mim, era um pedacinho do paraíso na minha casa.

A família também ajudou a alimentar esse vício, que hoje caminha sozinho. Meu pai e eu temos o gênio bastante forte, o que gera algumas discussões acaloradas, mas nos entendemos como ninguém no quesito música. Foi ele quem me apresentou os melhores artistas do mundo e, de certa forma, fez a música ser algo tão importante na minha vida. Agora perdi esse costume, mas íamos todo fim de semana para nossa casa na praia. Eram dois dias que a vitrola não desligava, e muita gente boa tocava ali, inclusive os Beatles.

They'll always pwn you.

Felicidade, sofrimento e admiração. Sim, consigo sentir tudo isso pelos caras de uma só vez. A felicidade chega a virar bobeira. Fico tão alegre por poder aproveitar tudo que eles fizeram, por terem inovado a maneira de fazer música. Fico feliz por eles terem sido tão criativos. A inspiração deles me inspira (para vocês terem uma noção, fiz um trabalho de Física no colegial que o tema era Beatles. Tudo por causa de A Day In The Life e os acordes inaudíveis para seres humanos). Ouço as músicas e sinto como se eles fossem meus amigos. Quando digo amigos, é como se eles fossem meus melhores amigos, aqueles que me conhecem como ninguém, que fizeram aquilo para mim, ou poderiam ter feito após ficarmos uma noite jogando conversa fora.

E sofro por causa disso, porque sei que é tudo ilusão, que nossos caminhos se cruzaram da mesma maneira como o de milhões de pessoas pelo mundo, mas sempre será só isso. Sofro porque o George morreu, e ele sempre foi meu beatle favorito. Sofro porque o John morreu antes mesmo de eu pensar em existir, por eu não ter tido nenhuma oportunidade de conhecê-lo. Sofro porque não tem mais nada novo deles. Sofro porque eles me fazem sentir saudades de uma época que não vivi, mas que merecia ter vivido – mesmo com todo mundo falando que eu não cresci nos anos 60 e 70 porque Deus sabe o que faz. Sacanagem, pessoal.

E admiro muito, e acho que todo mundo deve admirar também. Admiro porque eles mudaram minha vida, e até hoje não sei como fizeram isso, mas sou agradecida. Admiro a originalidade, a ousadia e a inegável contribuição deles para a formação das pessoas. Me impressiona que, passados 40 anos, depois de milhões de artistas terem aparecido, feito sucesso e marcarem época, nada se compare ao que os Beatles fizeram. Pela música, pelas artes, pelas pessoas. Pelo mundo. Por mim.

Não foi apenas minha preferência musical que teve um toque de Beatles. A pessoa que eu sou hoje tem muito deles, e isso me faz feliz e sempre lembrar o que eu preciso na hora do desespero.

Ainda tem alguma dúvida?

* Faça uma Beatlemaníaca feliz comprando tudo que está nesse link aqui. Ou você pode só me dar esse poster para eu colocar na parede do meu quarto.

2 comentários:

@tekawow disse...

Pra começar a semana com inspiração. Muito bom, adorei.

naotavaassim disse...

Sério... O que há pra dizer em momentos assim? Foi muito foda!!!

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