quarta-feira, 14 de abril de 2010

Saldão – Relatos de uma mudança (parte II)

Estou prestes a me mudar. Sexta-feira já vai ser dia de dormir no chão. E dá para ver, apertar e fazer cócegas na empolgação da Sra. Máximo, de tão palpável, concreta e colorida que é.

E perceber isso é muito fácil. Já faz duas semanas que as coisas estão sumindo de casa. Cada noite que chego é um mistério. Um diálogo muito comum nessas duas últimas semanas tem sido o seguinte:

- Mãe, cadê o (insira aqui qualquer coisa. Qualquer coisa MESMO)?
- Vendi, ué.

Antes de qualquer coisa, é importante que vocês saibam dessa qualidade da minha mãe, que garante o pagamento das contas do mês e a transferência de metade do meu salário para a conta dela. Minha mãe é uma vendedora nata, nasceu com esse gene. A mulher tem uma lábia tão boa que, não importa o que você colocar na mão dela, pode confiar: ela vai vender.

Ela já vendeu salgadinhos, enciclopédias Barsa, roupas, imóveis, os filhos e carros. Hoje, ela vende planos de saúde e produtos da Natura. Ah, e é claro, os móveis da minha casa. Como ela quer que tudo seja novinho em folha lá no apê (até porque o mobiliário da minha casa não cabe naquele ovinho), é preciso se livrar dos antigos antes.

Fiquei empolgada com a ideia e pensei em fazer um blog no estilo bota-fora, mas nem deu tempo de ligar o computador. A Sra. Máximo foi muito mais rápida e já vendeu os dormitórios e a cozinha para a nova família que vai morar na minha casa. Em questão de dois dias, ela vendeu um sofá, as mesas da sala, o aparador e uma estante de livros.

Eu pensei que ela estava exagerando com essa história de ser tudo zero-bala, mas me enganei. Imaginem qual não foi minha surpresa ao chegar da faculdade e, ao procurar uma colher para comer a sopinha que ela tinha feito, só achar três talheres na gaveta.

- Manhê, cadê as colheres?
- Eu dei, ué. Você acha que vou levar esses garfos tortos para lá?

Agora, só falta vender o rack da sala. Muito bonito, tabaco, tem duas gavetas e uma portinha de correr. Valor negociável. Se alguém estiver interessado, deixe um comentário. Mas, seja rápido, senão minha mãe vai vender o rack, esse blog e até a dona do blog.

Update de última hora: Entrei na sala hoje, às 21h35. Adivinhem do que senti falta dessa vez.

5 comentários:

naotavaassim disse...

Adoro essa Dona Maxima!
Mas, me diz uma coisa:
Além dos talheres, armários, sofás e de outros objetos da residência Maximo, você não notou, por acaso, o sumiço de sua Certidão de Nascimento?? Dá uma olhadinha no Mercado Livre... vai que... né?
Charlie

Natalia Máximo disse...

PORRA, VOCÊ JÁ COMPROU?

Mel disse...

Ah, que divertido demais isso tudo! Ri do começo ao fim e desejei, que a Sra. Rossi tivesse pelo menos metade do mapa genético da Sra. Máximo! Q deliciaaaaaaaa! Será q eu não nasci em casa errada não? Sra. Rossi vive dizendo q eu só não vendo a mãe pq ela já criou raízes la naquela casa 96 na antiga Rua Teresa que ela nasceu há 55 anos... arre
Bjos da Mel

Natalia Máximo disse...

Eeita, Mel, acho que fomos trocadas pela cegonha, viu?!

Ela disse...

Nat, muito foda demais esse seu blog. Resolvi dar um tempo e vim tirar o atraso na leitura. Parabéns, filhota. Ah, se a sra. Máximo der um desconto, compro a dona do blog!

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