quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dias de verdade (que deveriam ser de mentira)

De acordo com a Wikipedia, o conceito de Dia da Mentira nasceu na França. Mas, dadas minhas experiências nas manhãs dos dois últimos dias (porque eu tenho que ter um diazinho extra, né), só posso pensar que a história está errada e essa coisa de ficar pregando peça no 1º de abril surgiu no Brasil ou aprendemos muito bem as lições vindas do pessoal que faz biquinho para falar – e superamos quando o assunto é mal gosto. Vou facilitar as coisas e fazer um tipo de diário:

31 de março

Acordei atrasada, para variar. Assim que saí de casa, depois de tomar banho, me vestir e tomar meu leitinho da manhã mais rápido que Usain Bolt, meu cadarço desamarrou. Pensei: “é um presságio. Coisas muito ruins estão por vir”, mas ignorei meu sexto sentido porque estava difícil equilibrar um iPod, óculos de sol, bolachas na mão e a mochila pesada em um só ombro. Também considerei o sol bonito que estava fazendo e cheguei à conclusão de que estava enganada sobre a história do cadarço.

Sonho meu. Assim que consegui ajeitar a mochila, colocar os óculos na cara e os fones no ouvido percebi que o shuffle estava muito pior que o normal. Deixei para lá de novo quando dei de cara com um cachorrinho muito bonitinho que me deixou apaixonada. O que não era nada bonitinho foi o cocozinho dele grudado na sola do meu tênis. Gritei um “caralho” que assustou duas senhorinhas que praticavam suas caminhadas matinais e aproveitei para amarrar meu cadarço. Pronto, o rebosteio estava feito: pisei na merda com o mesmo pé do cadarço desamarrado, e acabei pisando em cima dele logo depois de ter metido o pé onde não devia, mas, como sempre acontece comigo, só fui perceber a sujeira depois de ter amarrado o cadarço. Iécati. Pelo menos, já tinha acabado de comer minhas bolachinhas um tempinho antes. Depois disso que comecei a perceber quanto cocô de cachorro tem espalhado pelas ruas do meu bairro e pensei: “caralho, isso só pode ser mentira”. Me desviei das bombas desse campo minado até chegar no ponto de ônibus, onde esperei quase vinte minutos até chegar o Urbaninho.

Explicações básicas: para quem não sabe, moro no Limão, bairro da Zona Norte de São Paulo e, até onde sei, os Urbaninhos só circulam por aqui. São um tipo de lotação com ar condicionado e que tinha tudo para dar certo, mas, como muita coisa nessa cidade, não deu.

Explico porque não deu certo.

1. Os Urbaninhos, por ter ar condicionado, não têm janelas. Em dias de chuva ou frio, isso já é péssimo em ônibus normais, imagina em um que nem te dá a opção de abrir o vidro para deixar circular um ventinho.
2. Os bancos são feitos de tecido, o que é absurdamente nojento, porque eu tenho certeza que aquilo ali nunca foi lavado.
3. Brasileiro não sabe o que riscar, então, sobra pros bancos, pras janelas, pro teto... O estado de conservação desses ônibus é triste.

Depois de vinte minutos esperando, claro que todas as pessoas que estavam naquele ponto iriam pegar o mesmo ônibus que eu. O problema é que brasileiro não sabe como se comportar dentro de transporte coletivo. Pode confirmar: nunca esperamos o próximo ônibus/trem/metrô, mesmo que o que esteja na estação nesse exato momento não tenha espaço nem para um grão de areia. Uma vez dentro do ônibus/trem/metrô, todo mundo fica aglomerado nas portas, enquanto sobra um espaço absurdo na parte dos fundos – que você nunca consegue alcançar para entrar ou sair, porque os outros 542396576435876348 usuários estão parados na porta.

"Esse povo pensa com o cu, não é possível", é o que sempre falo comigo mesma nessas horas.

E, lá estava eu, sentada, olhando a muvuca e com nojo de tocar qualquer parte suspeita. Ah, e claro, com a merda no pé.

Assim que desci na Lapa, fiquei procurando um lugar para lavar o tênis. Lembra aquele tempo bonito? Comecei a xingá-lo também. Se tivesse chovido, teria alguma pocinha cheia d’água que seria de grande ajuda naquela hora.

Peguei meu outro ônibus, que demorou muito mais do que o normal, cheguei no ponto e quase fui atropelada tentando atravessar a rua, porque paulista não sabe dar seta. Finalmente limpei meu sapato e pude seguir meu dia em paz - ou algo parecido.

1º de abril

Acordei muito atrasada – para ser mais exata, acordei na hora que deveria estar abrindo meu Outlook. Enquanto tomava banho e praticamente me trocava ao mesmo tempo, ouvia minha mãe brigar comigo porque eu não ia tomar café – nessa hora, já estava trancando o portão. Faustão ficaria impressionado com o meu “Se vira nos 5 minutos”.

Quando cheguei na Lapa, fui até um orelhão para avisar o pessoal do meu trabalho que me atrasaria (perdi meu celular; coisas de uma noite regada à muito álcool). Liguei, alguém atendeu mas, como eu não conseguia ouvir nada, desliguei. Quando fui tirar o fone do ouvido, senti algo puxando. Quando fui ver, não acreditei. Algum babaca tinha colado chiclete no fone. Gritei “CARALHO, ISSO SÓ PODE SER MENTIRA. TÁQUEOPARIU, VOU MATAR ESSE FILHO DA PUTA” a plenos pulmões e, nem ter coberto um mês de férias, nem ter que resolver pepinos no trabalho em véspera de feriado, nem o trânsito de duas horas que peguei na hora de voltar para casa, nem meus vizinhos fazendo a garagem deles de centro de macumba às 21h e batucando todos os tambores da cidade, nem o especial de Sertanejo do Roberto Carlos e nem esse cheiro muito estranho de queimado que estou sentindo agora me incomodaram tanto quanto esse infeliz que não tem o que fazer e que, infelizmente, representa uma parcela da população brasileira.

Então, para todos esses imbecis que não têm o que fazer e ficam destruindo patrimônios públicos e depois culpam os políticos por não prover o que precisamos, meus sinceros desejos de vão tomar no cu e morram com a rosca torrada. O governo não faz mais que a obrigação em fornecer meios de transporte e de telecomunicação eficientes, mas não são eles que usufruem disso, e sim os otários que contribuem para quebrar tudo.

Feliz Páscoa para vocês, porque a minha nem vai ter chocolate. =[

4 comentários:

Toni Barros disse...

Pensa que foi só chiclete.

Uma vez vi um orelhão com merda. Nego teve a coragem de cagar na rua, pegar a merda na mão e espalhar pelo teclado do telefone.

Natalia Máximo disse...

Um amigo meu tava me contando que, uma vez, também aconteceu isso com ele. Chiclete no pé e merda na orelha.

naotavaassim disse...

Godamnit!!! Isso é o que eu chamo de dias de merda... Fala a real, o cara tem que ser espírito de porco Level 7 para aprontar uma dessas..

Natalia Máximo disse...

Level 7 é o que gruda chiclete no telefone. Level 150 EPICWIN é o que passa merda no teclado ¬¬'

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...