terça-feira, 30 de março de 2010

Daqui a cinco anos? Tá doido?

Quando se está na faculdade, tem duas coisas que você faz como se não houvesse amanhã: 1) ir ao bar com os amigos (no horário de aula, claro) e 2) disparar currículos loucamente.

No colegial, as coisas não apertam tanto para o lado do pobre estudante. “Ela ainda tem 16 anos, deixa ela curtir um pouquinho a vida. Você sabe que, depois que entrar na faculdade, sua filha vai sumir, hein”, comentam os vizinhos, amigos da família e a parentada toda. E é a mais pura verdade. Que atire a primeira pedra aquele jovenzinho que nunca ouviu do pai que “tá na hora de trabalhar, filhão” ou um ameaçador “você não acha que já está bem velhinho para receber mesada? Todos seus amigos já estão encaminhados”.

Agora que já entrei no terceiro ano do curso superior, posso dizer que aqueles dois itens citados no começo desse texto têm regido minha vida acadêmica. Muita, mas muita cerveja mesmo e – quem diria – um número ainda maior de currículos enviados para todas as empresas existentes no universo.

Ok, forcei a barra, mas é bem por aí mesmo. Quando não trabalhava, mandava inúmeros currículos para agências de comunicação, participava de alguns concursos públicos, tento fazer uns freela, além dos concorridos estágios em multinacionais. E, especificamente para o último citado, foram muitos cadastros, para empresas das mais variadas áreas, de coisa que nem sabia que existia. Mesmo que os salários oferecidos (R$ 1500 para trabalhar seis horas? Am I dreaming?) fossem um ótimo atrativo para quem tem 17 anos, nenhuma conta para pagar e uma habilidade arrasadora de queimar dinheiro nada para fazer, essa nunca foi minha prioridade, talvez pelos mesmos motivos. Sempre fui curiosa e até que bastante responsável e, quanto mais o tempo passa, mais xereta fico (mas parece que menos responsável). Então, não é mentira quando digo que o que mais me interessa numa oportunidade de emprego são os desafios que ela pode trazer para minha carreira profissional.

Falei, falei, e ainda não falei do que eu queria no começo. Ano passado, preenchendo uma ficha de inscrição de um processo seletivo de uma multinacional, me deparei com a seguinte pergunta: “Como você se vê daqui a cinco anos?”.

“Oi?”, foi tudo que consegui pensar, no auge dos meus 18 anos. Conheço muita gente que, com a minha idade, parece que já tem toda a vida traçada. Sabe o que quer fazer, com quem vai casar, onde vai morar, onde quer trabalhar para o resto da vida. Sem dúvidas, esse tipo de estabilidade nunca combinou comigo. Então, alguns filmes passaram pela minha cabeça, sendo eu, aos 23 anos, a personagem principal. Exemplos:

1. Eu, em um palco, fitando a multidão ensandecida, gritando meu nome, enquanto fazia o mais incrível dos solos de guitarra da história do rock’n’roll. Corta para o backstage, eu e minha banda, todo mundo muito louco, curtindo a vida adoidado.

2. Eu, assistindo a um show incrível de uma banda incrível, feliz por ter conseguido organizar o evento tão bem. Corta para alguma balada, onde estou com a banda, equipe e amigos, comemorando o sucesso da apresentação. O cara mais bonito, simpático, inteligente e engraçado do recinto paga uns drinks para mim. Corta para meu apartamento na Paulista e... Deixa para lá essa parte.

3. Eu andando sem rumo mundo afora, com uma mochila nas costas e sem dar notícias, enquanto escrevo todas minhas experiências em um bloquinho de anotações qualquer.

Sendo sempre essas as ideias mais comuns (e que os avaliadores menos querem ouvir), começa aí uma minicrise: “Porra, se é isso que eu quero da minha vida, por que estou nesse curso? Pior; por que estou me inscrevendo nessa vaga nessa empresa metalúrgica que, com certeza, não tem nada a ver comigo? Meu Deus, me segura. O QUE EU FAÇO AGORA?”. Depois que me dá esses cinco minutos, vejo que esse surto não adianta muita coisa e tento me recompor de novo.

Como destacado por um amigo (e muitos outros antes dele) um dia desses, devo ter algum tipo de distúrbio bipolar, devido à minha incrível capacidade de mudar de humor mais rápido que a luz. Como se não bastasse, sou bem impulsiva. O meu problema não é não querer nada, mas sim querer tudo, e isso é impossível, mas eu continuo querendo. Isso complica bastante quando você quer descobrir o que fazer da sua vida daqui a cinco anos. Peraí, daqui a cinco anos? Eu não sei direito nem o que eu quero para daqui a cinco minutos! Mas, não ter certeza do que eu quero é um problema? Será que estou jogando esses anos no lixo? Faço parte da juventude transviada? Não estou desesperada nem nada, mas, alguém tem alguma resposta? Porque eu continuo procurando, e algo me diz que vou achar algum dia...

5 comentários:

Nih_x disse...

Essa pergunta também me complica a vida. Além de querer tudo, ainda tenho pavor de planejar as coisas e me decepcionar depois.

Eric O. disse...

Às vezes me sinto assim também. Mas acho que viver no presente é um objetivo mais saudável do que planejar uma vida inteira, então deixo por isso mesmo.

Algum dia vou elaborar uma resposta sofistacada só pra essas entrevistas aí.

naotavaassim disse...

Faça tudo, baby. Tudo mesmo...
É sério, explore as possibilidades e em cada etapa tire um pouquinho de felicidade...

E quando tirar... me empresta uma grana?

Charlie

Ela disse...

Meus planos foram todos derrubados pelo dia-a-dia. A vida reservava outra coisa pra mim! Mas, confesso que estou muito bem, obrigada. Se eu fosse você, continuaria xereta. E claro, partiria pelo mundo com um bloquinho!

Natalia Máximo disse...

Poxa, Girl, obrigada! É bem isso que dá vontade de fazer mesmo =D

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