quinta-feira, 25 de março de 2010

Cidade queimada (e suada): aquela noite selvagem com o Franz Ferdinand

*Antes tarde do que nunca.

Parece que em 2010 vou cumprir a única promessa que faço em todas as viradas de ano desde 2007: ir a todos os shows internacionais que eu estiver com vontade. Sim, só bandas internacionais, porque é mil vezes mais fácil ir a shows nacionais, esses nem contam.

Por vários motivos, sendo a falta de dinheiro ou datas conflitantes os principais, é claro que nunca consegui ser fiel à promessinha-nossa-de-cada-dia. Ano passado, até que fui bem. Vi Radiohead, Oasis, Friendly Fires, Iggy Pop, Maxïmo Park e todas as outras do Planeta Terra. Mas perdi AC/DC, Kiss e Beach Boys, e só isso já é ruim o bastante. Ah, e claro, perdi o show do Franz Ferdinand para mil pessoas, sendo que 500 eram babacas que nem devem saber quem é a banda convidados, com ingressos esgotados em 10 minutos. Fiquei mal de não ter ido nesses shows? Não, imagina. Mal é pouco.

Na terça, me redimi de pelo menos um desses. Vi uma apresentação sensacional do Franz Ferdinand lá no Via Funchal, a única casa de shows de São Paulo que eu ainda não tinha ido e achei incrível. Sou dessas: gosto de show em lugares menores mesmo; por mim, as bandas que vêm pra cá poderiam ficar um mês fazendo apresentações em lugares pequenos em vez de fazer um megashow pra 80 mil pessoas no Morumbi. A vibe é outra. Em apresentações menores, você não deixa passar nadinha, o artista também não.

Assim como o show do Coldplay, estava indo nesse mais por uma questão de honra. Assim como o Coldplay, não tinha ouvido muito o último CD do Franz; logo, só iria porque não podia perder OUTRO show dos caras, pela quarta vez. Deve ser por causa dessa falta de expectativas que deixei para comprar os ingressos na última hora – coisa que, acreditem, eu nunca faço.

Já no Via Funchal, encontrei o Lucas por acaso – pelo jeito, vai virar meu brother de shows. Conversamos enquanto a Anacrônica, banda de abertura beeem fraquinha, e a Vívian, amiga dele, jogava sudoku (ela fez um ótimo tempo, considerando o barulho, empurra-empurra e a música ruim: 16 minutos, nível médio).

Acabou o show de abertura, eram 22h e eu já completamente suada. Se teve uma coisa que não faltou foi suor. Então, com uns quinze minutos de atraso, o Franz entra, esbanjando uma simpatia muito sincera e gostosa de ver. Alex Kapranos mandou o clássico “Boa noite, São Paulo”, emendando um absurdamente paulistano “E aí, mano”, sem aquele sotaque gringo. A galera foi à loucura e aí já dava para ver qual seria o naipe do show. Enquanto eu gritava e surtava com Bite Hard e Matineé (para os fãs, beijos), continuava suando como um porco.

O que mais impressiona é que, em um show com 20 músicas, só tinha hit! Não tinha nenhuma música que fosse menos conhecida ou que a galera não soubesse cantar. Se eles tocassem qualquer música de qualquer um dos três CDs, todo mundo ia saber, sem dúvidas. Só hit mesmo, tipo a seguidinha Walk Away, Do You Want To e The Fallen. Rapazes muito ousados, pensei, quando tocaram essas logo no começo do show, o que funcionou direitinho. Nessa hora, eu já aberto caminho entre a multidão e cruzado o Mar Vermelho (o que não deixava de ser, visto o tanto que aquele povo estava suado, parecia que tinha chovido lá dentro) e chegado à grade.

A decoração do palco era bem simples, o que não foi um ponto negativo, já que a banda por si só é muito eletrizante. Amplificadores estilizados, alguns jogos de luz, um telão grande no fundo, passando imagens randômicas e dois nas laterais, passando imagens do show em preto e branco.

O show foi repleto de pontos altos. Quem tinha visto outras apresentações do Franz afirma que eles estão muito mais maduros e abertos à experiências diferentes nas músicas, misturando sonoridades muito diferentes, mas sem nunca perder a vontade de se divertir com o público. Não posso deixar de falar na minha alegria quando tocaram Shopping For Blood, Darts of Pleasure (que ninguém esperava) e a versão animal de DEZ MINUTOS de This Fire, com bateria, gritaria, guitarras, sintetizadores e tudo que você possa imaginar. Além disso, os “dois” solos de bateria: um antes do bis, com os quatro mandando ver, e o segundo (só do Paul, sozinho no palco) depois de Lucid Dreams, para fechar o show em grande estilo, com direito a Alex e Nick em cima dos amplificadores – gesto que, para a Camis, é o ápice do rock’n’roll.



A verdadeira expressão de um show de rock'n'roll.

Como tinha falado no Twitter mais cedo, o Alex estava doente, e isso era visível. Muitas vezes, ele parava de cantar para dar uma respirada mais profunda, mas sempre com um sorriso enorme por ver toda aquela galera cantando e pulando em todas as músicas, do começo ao fim – apesar do calor, que eles também perceberam, já que estavam pingando tanto quanto nós. Ele ainda conseguiu provocar todo mundo – e isso era audível pelos gritos ensandecidos da plateia – quando tocou várias vezes os primeiros acordes de 40’, a penúltima do show.


Os Franz destruindo na bateria.

Se valeu a pena? Demais! Mas, como a noite é uma criança e o staff da Neu é fantástico, todo mundo já sabia para onde ir depois de todo o nonsense do show: a after party dos caras ia ser lá naquele sobradinho na Dona Germaine Burchard 421, a balada da , que eu também já estou chamando de minha (se o Charlie pode ter um bar, eu posso ter uma balada!). Mais cedo, ela tinha me dito que ia ter uma festinha lá, mas nem sabia que seria com o Franz. E foi aí que eu percebi que os caras têm bom gosto para caramba. Com dinheiro sobrando e convites abertos para qualquer lugar da cidade, eles foram parar numa das mais desconhecidas – porém, uma das mais legais – que eu já fui, e recomendo!

Para ser honesta, não gostei da discotecagem do Paul, mas valeu ter ido para lá depois só porque consegui conversar um pouco com os caras e perceber que toda aquela simpatia não acaba no palco: Paul e Nick circulavam pelo lugar e conversavam com todo mundo tranquilamente, o que achei muito legal. Adoro artista sem estrelismo! Também fiquei feliz pelos pais dos adolescentes que não deixaram seus filhos irem para a balada pós-show. Era visível que a casa estava lotada de fãs – quem conhece a Neu, sabe que aquele pessoal que estava lá não era o público normal –, mas eram os mais velhos, que evitam gritaria e foram só para ver os caras fora do palco mesmo.

Fomos embora cedo, dormi pouco, acordei com olheiras colossais, mas estou feliz. Tudo tinha valido a pena: a enrolação e o sufoco para comprar o ingresso, ter que ouvir a banda de abertura, o empurra-empurra, ver gente que eu não queria no show, minha roupa que deve estar encharcada de suor até agora. A sensação é de missão cumprida. Ah, se todas as missões fossem iguais essa...

Vale lembrar:

1 – O Wagner reparou que o Sheldon Cooper estava no show. Se não era ele, era a irmã gêmea dele.
2 – Odeio com todas as minhas forças quem fica olhando torto para mim quando fico gritando, cantando e dançando loucamente em todas as músicas. Se não gosta de ver gente estranha, não vá a shows, problema resolvido.
4 – Pessoas, aprendam: estar na mesma after party que a banda não é a mesma coisa de estar na after party COM a banda. #fikdik
5 - Os vídeos eu peguei no canal do Trabalho Sujo e a foto é do Guilherme, da comunidade Franz Ferdinand Brasil.
6 - O setlist está aqui.

6 comentários:

Fernanda Iema disse...

Nataly, foi demais da conta de incrível mesmo, né?!??! Adorei!

Wagner disse...

O show foi incrível... Um dos melhores da vida.
Só faltou a menina Sheldon mandar um "Bazzinga" pra coroar a noite...
Hahaha
Beijo

Cami Pires disse...

Foi foda demais. Adoro rockstar que sobe no amplificador e toca guitarra na nuca!!!

naotavaassim disse...

Cara, Foi sensacional...
Que tal se, da próxima vez, levarmos os caras para tocar no bar?
Hahahahaha!!!
Adorei Nat. O post tá do caralho.
Charlie

Natalia Máximo disse...

Poooo, eu tenho certeza que eles vão curtir o Mambembe e o Amaury pra caralho!

Nih_x disse...

4 – Pessoas, aprendam: estar na mesma after party que a banda não é a mesma coisa de estar na after party COM a banda. #fikdik

HAHAHAH
Mandarei essa no meu blog qualquer dia!

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