domingo, 8 de dezembro de 2013

Cachorro amigo

Ele estava parado na calçada esburacada com o cachorro vira-lata, tão magrelo que parecia um saco de osso e pele. Nos viu passando e falou, com sorriso aberto com todos os dentes que ainda lhe sobravam: "Tô dando frango pro meu cachorro. Eu sempre divido tudo com ele. De que adianta ter as coisas se não for pra dividir?"

Eu não tinha como concordar mais, então sorri para ele, que completou seu discurso rápido e certeiro com uma verdade absoluta: "Melhor ter um cachorro amigo do que um amigo cachorro".



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ilona

Quem me conhece sabe que eu falo bastante e, se der corda, não paro. Pode ser alguém que eu conheço ou qualquer pessoa na rua. Eu gosto de histórias, sejam verdadeiras ou não. Gosto de gente, de pessoas que falam. Dessa vez, tudo começou por causa de uma peça de roupa.

"Bolinhas, que bonito!", disse ela sobre meu shorts, com um sotaque carregado, que não soube reconhecer de onde era - como se eu lá fosse uma mestre dos sotaques. Sentei ao lado dela e, depois de me perguntar o ponto em que ela teria que descer, fiquei ouvindo tudo que ela quisesse me contar. 

Falou que, com 75 anos, já não tinha mais idade para usar bolinhas (ao que eu discordei imediatamente), mas quase comprou um maiô vermelho de bolinhas brancas, já que sempre vai à praia. Aliás, vai passar o próximo fim de semana lá, mas a colocaram em um quarto no terceiro andar da colônia de férias e ela ainda está descobrindo como, com seus 75 anos, vai carregar suas malas e compras por três lances de escada!

Me contou que veio da Hungria com 15 anos e chamava Ilona, mesmo nome de sua mãe e de sua filha, que faleceu aos 52 anos por causa de uma bactéria no estômago. Uma pena, era tão inteligente, falava sete idiomas e era diretora da Cultura Inglesa. Me disse também que tinha mais três filhos e os citava como "filho nº 1, filho nº 2, filho nº 3".

Perguntei se tinha voltado para a Hungria, mas nunca teve oportunidade, nem dinheiro. Depois que o marido e a "mãezinha" faleceram, disse que não tinha mais interesse em voltar também. Também me falou que estava indo ao Incor fazer um exame para ver se estava tudo certo em seu estômago e torci, de verdade, para que realmente não houvesse nenhum problema.

A essa altura, nosso ônibus já tinha chegado ao destino final (dois pontos depois do meu). Depois de brincar com a cobradora, que tinha esquecido de avisá-la onde descer, elogiou de novo meu shorts azul de bolinhas brancas e disse que tinha sido um prazer me conhecer. Eu retribuí e fui trabalhar um pouco mais feliz e animada, com meu shorts de bolinha no corpo e a história da Ilona na cabeça.


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Sobre escrever

Tentei ignorar, mas não dá. Já fiquei meses sem encostar em um caderno, ou escrevendo só coisas do trabalho - até escolhi isso como profissão, veja bem. Não queria nem abrir uma página do word pra evitar qualquer pensamento que pudesse preencher tanto branco. 

Mas tem algo que vem de dentro, de algum lugar que não sei explicar muito bem onde é, que me coça a mão e não deixa os pensamentos fluirem sem antes serem registrados. Esse lugar tem uma voz, e essa voz sempre diz que “você pode saber fazer muitas coisas, mas você nasceu pra escrever. E você não vai parar”.

E parece que é assim mesmo. Não consigo relaxar enquanto não transferir aquele pensamento da cabeça pro papel. Devo ter nascido pra isso mesmo: pra preencher inúmeros cadernos, com a letra bem pequenininha mesmo. Pra lotar um HD com textos e mais textos. Pra ter uma série de rascunhos no corpo do email. 

Tudo vira assunto. Pode ser um papel de bala, um filme, uma pessoa passeando na rua com seu cachorro, um mendigo, uma propaganda na TV, um jogo de futebol, uma noite divertida. E não tem a ver com talento, mas com vontade de escrever até os dedos doerem.

A verdade é que vira vício. Depois de tantos textos, músicas, poemas, crônicas, contos, a sensação que tenho é de que não vou conseguir fazer outra coisa. De não querer fazer outra coisa. 

Escrever preenche um espaço em que não encaixa mais nada.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Janela amarela

Tinha aquela janela amarela. Pequenina, provavelmente de um quarto. Nada de mais. Em frente a ela, uma árvore. Com todas as folhas bem verdinhas, era grande e imponente - claro, dentro dos limites permitidos pelo bairro, cada vez mais urbanizado, com mais fiação, mais gente e mais sujeira.

A questão é que a janela é linda. Eu passo por ela quase todo dia, mas, até ontem, nunca tinha reparado. Mesmo meio velha e com alguns rachados, ela tem muita personalidade, me faz imaginar o que tem dentro daquele cômodo iluminado por ela.

A gente costuma ignorar tudo por causa da loucura diária. Não dá tempo nem de reparar na própria roupa, o que dirá uma janelinha, entre tantas outras. Uma janelinha que combina com o céu azul de primavera.

Ontem, eu olhei para essa janela amarela e ela me pareceu deslumbrante. E, hoje, ela também estava linda, daquele jeito único: pequenina, amarela, sem grades, em frente a uma árvore gigante. Uma janela cheia de histórias para contar.


domingo, 16 de junho de 2013

Caixa de alegrias

Tinha uma época que eu guardava tudo que possuia algum significado especial. Era de tudo: carta, CD, adesivo, papel de bala, caneta, clips, graveto. Não chegava a ser uma acumuladora, mas tinha uma série de tranqueiras empilhadas. Como morei a vida inteira em casa grande, espaço nunca foi uma preocupação.

Aí eu me mudei para um apartamento e tive que dar atenção para o espaço. Quando fui me organizar, vi que tinha um monte de coisa que eu já nem lembrava mais que existia e que não tinha a menor função além de ocupar espaço. Então, joguei muita coisa fora e mantive só o que considero essencial, dividido em categorias. Uma delas é minha caixa de lembranças de shows. Já falei dela para vocês?

Em uma caixa (que está ficando cada vez menor), eu guardo ingressos, setlists, autógrafos, toalhas, bichinhos de pelúcia, programações e tudo mais que for relacionado a shows. A cada ano que passa, a coleção só cresce, e eu sempre sou tomada por uma alegria absurda ao pegar um ingresso e pensar “Caralho. Eu. Vi. Esse. Show. Esse, eu pensei que nunca veria”.

E falta coisa ainda

Era aqui que eu queria chegar. VETO é uma banda dinamarquesa de eletro-rock que eu sou fanática há sete anos. Ver um show deles estava na minha lista de coisas a fazer antes de morrer, e eu nunca imaginei que isso aconteceria no Brasil. Não só aconteceu, como foram dois shows. Não só foram dois shows, como foram baratos. Não só foram baratos, como agora eu tenho memórias de assistir VETO no meu país, e conversar com eles, e ouvir músicas que eu nunca pensei que ouviria ao vivo. E isso me enche de emoção e alegria.

Apesar de ter conhecido VETO ao ver um clipe deles na TV, eles nunca estouraram no Brasil. Na Dinamarca, eles são bem conhecidos e o Troels Abrahamsen, vocalista, é um produtor fodão. O Caio e eu (a gente conheceu a banda praticamente juntos. VETO tem uma importância enorme para a nossa amizade) éramos muito loucos pelos caras e mandávamos mensagens para eles no MySpace quase diariamente, perguntando se eles pretendiam vir para cá. A resposta era sempre a mesma: não temos grana.

Sete anos depois, um pouco dessa grana chegou e alguém trouxe a banda para o Brasil, para a minha felicidade. Assim que fui avisada de que aconteceria o show, corri para comprar meus ingressos. A partir daí, as expectativas só cresciam a cada dia.

Quando cheguei ao SESC Belenzinho na sexta-feira, atrasada e esbaforida, ficava a cada minuto mais nervosa. Ao entrar no auditório e descobrir que eu os veria de pertinho, eu fiquei em choque. Esse é o problema de gostar de bandas gringas que são muito pequenas e desconhecidas. Quando você tem a oportunidade de vê-las ao vivo, é cara a cara, mas ninguém sabe quando pode rolar outra apresentação. E isso é um tormento.

O show da sexta-feira estava bem vazio e foi um pouco estranho. Eles tocaram logo após o CTM, uma banda meio down com o Cazuza na guitarra e a Cássia Eller na bateria que não peguei o conceito. Então, eles começaram. O setlist foi curto e baseado, principalmente, nos últimos álbuns, Sinus (2012) e Point Break (2013). Muitas pessoas estavam pedindo músicas do primeiro álbum deles, There’s a Beat In All Machines (meu preferido), e a sensação era a de que eles não curtiram muito a ideia. Jens, o baixista, era sempre super simpático, mas os pedidos tiraram o Troels do sério em alguns momentos. A qualidade do show não foi comprometida, mas fã é fã e espera ouvir só suas músicas favoritas. 

Fui embora correndo para não perder o metrô e com uma visão totalmente diferente da banda (principalmente do Troels. Os outros caras eram simpáticos), e deu até para dar uma extravasada, xingando aos gritos na rua. Decidi que, no dia seguinte, seria totalmente blasé, porque não sou obrigada.

TROELS CUZÃO VEM PEGAR BUSÃO q
Então, um novo dia nasceu e todo mudou. No sábado, o SESC estava bem mais cheio e a banda que tocou antes do VETO era um amor. O Alcoholic Faith Mission é super divertido e fofos, e as músicas colocaram todo mundo para dançar. Tão queridos que foram até para a galera depois da nossa insistência para mais uma música.

Quando o VETO entrou no palco, parecia outra banda. É impressionante como a energia dos vocalistas é um fator importantíssimo e faz muita diferença. Naquele momento, o Caio e eu percebemos que ele voltou a ser o nosso gordinho suado de sete anos atrás. O Troels estava mais simpático, interagindo mais com o público e, para surpresa geral, mandaram duas músicas do primeiro álbum: We Are Not Your Friends  e It’s a Test, a minha favorita da vida. Não dá para explicar a emoção que é ouvir ao vivo a música que te fez conhecer uma banda e a sua favorita em um mesmo dia. Eu até agradeci na hora, dizendo que esperei sete anos para ouvir It's a Test ao vivo. O Troels até me respondeu: "You are so welcome! We haven't play this in a very long time". Sério. *-*

:')

Depois do show, esperamos um pouco e conseguimos falar com os caras da banda, que são uns queridos (até o Troels, que era o mais estrelinha, foi simpático nessa hora). Ficaram bastante tempo tirando fotos e conversando com os fãs. Foi muito legal saber que eles vieram para o Brasil só para fazer esses shows e depois iam voltar para a Dinamarca, já que eles nem estavam fazendo turnê fora da Europa. Conversei mais com o Jens e com o Mads, o baterista, que são uns fofos. Eles ficaram impressionados por saber que tinham tantos fãs no Brasil, que conheciam todas as músicas inteiras.

Depois de chegar em casa, eu estava radiante, nem conseguia acreditar no que tinha visto, depois de tanto tempo de espera. Porque esse é o tipo de momento que não vai sair da minha cabeça e, agora, eu tenho itens físicos para a minha caixa de memórias de shows.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sobre baderna, democracia e meu direito de protestar

Quero falar que tô feliz pra caralho. Tô orgulhosa de ver gente na rua protestando e buscando seus direitos. Vendo que, aqui na internet, rola muito apoio de todos os lados, inclusive daqueles que têm R$ 3,20 pra ir até onde acontecem as manifestações e fazer parte dessa “baderna” (Acha que isso não existe? Tá na hora de sair da sua bolha e ver quanta gente nessa cidade tem que pagar pra ir trabalhar).

Porque isso aí que os desavisados chamam de baderna é o que vai garantir os direitos dos nossos filhos e dos nossos netos. Foi a baderna armada por aquele bando de “vagabundos” lá nos anos 60 que garantiu que eu pudesse escrever isso hoje.

Faz muito tempo que essa baderna deixou de ser por causa de “vinte centavinhos”, se é que alguém ainda acredita nisso. Ela também não é mais só por causa das condições de merda que temos que enfrentar todo dia pra chegar no trabalho; muitas vezes, passar horas dentro de um transporte sucateado, lotado e perigoso. Você, que dificilmente precisa usar um ônibus ou um metrô, acredita no que a TV te fala? Acha mesmo que essas mudanças não te atingem?

Atingem sim, meu amigo. Porque esses “filhos da puta” aí tão nas ruas lutando pelo que a maioria, já resignada e conformada, esqueceu: a democracia e nosso direito de protestar. Essa é a causa deles, fortemente reprimida por uma polícia truculenta, mal treinada, mal paga e pela mídia alienadora. Um dia, você vai precisar subir a voz e mostrar pro mundo o que você pensa, e muita gente vai te apoiar. Eu não sei qual vai ser a sua causa, mas, quando esse dia chegar, você vai passar pelas mesmas coisas, pode ter certeza.

Por isso, se você acha que não tem MESMO nada a ver com esses infelizes que não têm mais o que fazer, pare e pense de novo. Essa baderna não é por causa de vinte centavos. É por causa do desrespeito que eu, você e todo mundo sofremos diariamente. Desrespeito de um governo que nos faz andar com medo de levar uma bala na cabeça a qualquer hora, que nos faz torcer pra nunca precisar usar o SUS (embora eu pague uma fortuna de impostos pra ter um serviço de qualidade), que obriga mulheres a carregar filhos frutos de violências sexuais, entre tantas outras coisas que nos frustra diariamente - inclusive o sufoco que é o transporte coletivo, olha só isso. Essa é UMA das inúmeras razões que temos pra protestar.

Essa baderna toda me deixa muito, mas muito feliz mesmo, porque mostra que, no país do futebol, às vésperas de uma superfaturada Copa das Confederações, tem gente ocupando as ruas do Brasil inteiro pra protestar pelo que acredita, pelo seu direito de exercer a democracia. Que estamos acordados e vendo tudo que acontece, e não vamos deixar barato.

Essa baderna tá aí pra incomodar mesmo, porque é isso que uma sociedade conformada como a nossa precisa. Todo munto precisa de um belo de um chacoalhão pra sair da bolha lembrar de uma coisa há muito tempo esquecida: o poder de mudar é, sempre foi e sempre será do povo.


"Ajoelha pra levar bala" (Foto: Folha Online)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Maçãpalooza


Era uma vez uma maçã. Sua vida era pacata e tranquila, mas sempre quis viver grandes aventuras e emoções. Pensou que isso nunca aconteceria, até que, certo dia, foi colhida, levada a uma unidade de uma grande rede de supermercados e comprada por uma bela e saudável jovem.

Ruborizada de emoção, a maçã percebeu que, naquele momento, sua vida daria uma reviravolta. Não sabia explicar o motivo, mas algo em suas sementes lhe dizia que tudo ficaria bem ao ser carregada naquela sacolinha plástica.

Oi, eu sou uma maçã.

E não é que ela tinha razão? Em uma bela manhã de sexta-feira, a bela e saudável jovem foi até sua geladeira, derrubou um pouco de iogurte no chão sem querer, limpou e lembrou-se da maçã: seria uma boa alternativa caso a fome apertasse durante o Lollapalooza Brasil 2013.

Então, a bela e saudável jovem e sua maçã partiram em direção ao Jockey Club de São Paulo, acompanhadas de seus belos, jovens e não tão saudáveis amigos. Qual não foi a emoção da mocinha ao chegar lá e não se deparar com filas enormes, como tinha aguentado no ano anterior? Ficou muito feliz ao saber que, em poucos minutos, teria um show divertido.

Mal sabia que sua maçã não teria o mesmo feliz final. Depois de uma revista nada rigorosa, que permitiria à bela e saudável jovem adentrar o recinto com itens não tão saudáveis assim - caso ela os portasse, que fique bem claro -, sua querida maçã não pode entrar por motivos de ainda estar inteira, contrariando tudo que havia sido publicado no site do evento sobre frutas pequenas OU cortadas poderem entrar. 

A aterrorizada maçã estava acompanhada de uma irmã maçã e uma amiga banana. Ela sabia que seria impossível curtir aquele dia de amor e música. Sabia que também seria impossível para a bela e saudável jovem ingerir tantas frutas tão depressa sem ter um piriri, apesar de todos seus protestos contra a incoerência da organização do caro estimado evento. Então, conformou-se com seu destino: ser brutalmente descartada em um lixo onde encontrou outras amigas que não haviam sido cortadas. Fim.

Caso não tenham percebido, a bela e saudável jovem sou eu. Me apeguei à maçã e à sua história, que correu o mundo. Por isso, quero contar um pouco para ela sobre esse divertido festival.

Estrutura

Fila para comprar ficha, pegar comida, bebida, ir ao banheiro - tudo isso que sempre tem e que deve ter em festival gringo também, vai. Devo dizer que não me senti tão afetada por isso porque cheguei cedo todos os dias e já comprei as fichas. Além disso, tentava sempre comprar comida ou bebida antes do final dos shows principais, que é quando todo mundo vai para a fila. Lama para todos os lados - mas se fosse no Glastonbury todo mundo ia achar lindo. Mas o pior de tudo, além do fedor de estrume, foi o som: baixíssimo nos palcos principais e altíssimo na Tenda do Perry. Ir para casa depois foi aquele parto de sempre, porque deve ser impossível fazer algum tipo de parceria com o Metrô para deixar algumas estações abertas por, pelo menos, mais uma hora.

Gatos

Sim, por favor, de tudo quanto é jeito. E o mais importante: ruivos. Declaro oficialmente que me apaixonei diversas vezes nessa edição do Ruivopalooza e aguardo ansiosamente a edição 2014.

Também te escolho, Josh

Unicórnios

Teve também. Ao dono dessa máscara, insisto que se apresente, pois quero ser sua melhor amiga para sempre.



Shows

Vamos por dias, por que não?

29 de março 

Of Monsters and Men

Quanta fofura na chuva. A menina que parece a Bjork com voz de Kate Nash e sua banda, com o gordinho com voz de Phill Collins e o baterista com melhor look do dia, fizeram um show que agradou quem amava e quem não fazia ideia de quem era a banda.

CAKE

Melhor show do dia. Os caras são tão divertidos e fora da moda quanto suas músicas que, justamente por isso, vão ser sempre legais. Cantar Short Skirt, Looooooooooooooooooooooong Jacket: apenas impagável. Uma pena o som estar baixíssimo.

Tamo nas montanha uhuu

The Flaming Lips

Gente, que loucura. Já tinham me falado que o show deles era bom, mas foi super hipnotizante ver o Wayne Coyne com aquela boneca e com uma bizarra obsessão pelos aviões que passavam toda hora. Ótimo show, ótimo som.

The Killers

Sem nem dar nem “boa noite”, chegaram quebrando tudo com Mr. Brightside. Fazia tempo que eu não via alguém tão feliz num show quanto o Brandon Flowers, que não parava de sorrir. Não sei o que ele tomou antes de entrar no palco, mas também quero um pouquinho. Tocaram vários hits, me diverti muito com o querido e fiquei sabendo que rolou até pedido de casamento. Mas mais sobre isso no dia...

Já que tô no Brasil, também vou ensebar a janela do ônibus com meu gel, né

30 de março

Gary Clark Jr.

No dia mais hipster do festival, consegui ver um pedacinho da apresentação do rapaz que, ano passado, tinha feito os shows de abertura do Eric Clapton. Só isso. Cada toque na guitarra é um choro, um grito. De novo, foi uma pena o som estar tão baixo.

Two Door Cinema Club

Só conhecia uma música dos irlandeses, aquela mais famosa. Fiquei chocada ao ver a pista tão lotada, nem parecia que cabia tudo aquilo de óculos gente por ali - o vocalista (ruivo) também ficou perplexo. Brasileiros, né. Debaixo de muito sol, dancei e ri muito com o Jann (e com uma prima de PRIMEIRO GRAU que eu não reconheci), mas o que eu queria ver mesmo era...

Alabama Shakes

Make me cry, Brittany
Brittany Howard, você quer ser minha amiga? Depois de me deixar completamente arrepiada o show inteiro com essa voz magnífica, só não posso dizer que foi o melhor show da noite porque você e sua incrível banda não são páreo no meu coração para o...

Queens of The Stone Age

Aqui é pé no peito, colega. Melhor show do festival. Cada toque de Josh-Deus-Homme na guitarra na bateria soava como o seguinte aviso: “não vai bater palminha aqui não, filho da puta. Aqui você vai beber, cantar e se preparar para transar mais tarde”. Se um dia forem me pedir em casamento, o show do QOTSA é uma excelente ideia. Ainda não compreendo o que se passa na cabeça desses organizadores de festival brasileiro que não colocam esses caras como headliners. De onde eu estava, o som estava ótimo, graças a Deus, a galera estava ensandecida - tem como não ficar? - e ainda tivemos música nova em primeira mão neste planeta. CHUPA, MUNDO! E Josh (ruivo), estou esperando você aqui no meu sofá, lindo!

Assiste aí e cala a boca

(Mudando de assunto: show do QOTSA me faz lembrar como existe fã mal educado. Estava vendo os vídeos do show deles no Rock In Rio 2001, antes do Songs for the Deaf e do sucesso por aqui, e todo mundo estava xingando porque queria Sepultura. No SWU 2010 também foi assim: os fãs de Avenged Sevenfold estavam xingando TODOS os artistas que tocaram antes dessa bandinha uó. Os shows não têm horário marcado? Se você chega mais cedo e sabe que outras bandas vão tocar antes, cala a boca e assiste ou chegue mais tarde. Ponto.)

Madeon

Depois da porrada do QOTSA, fui dar um tempo até o Black Keys na tenda do Perry - melhor ponto de encontro, aliás. Lá, tocava o Madeon, um DJ de DEZOITO anos. Aliás, o que é essa coisa da França com os DJ’s? Não erram nenhum! Enfim, o menino é super carismático e conseguiu levar a tenda inteira à loucura, misturando Killers com Justice, com Blur, com um monte de coisa. Sabe o que faz e espero vê-lo de novo.

The Black KeysZzZzZZZZzzzz

Eu gosto de The Black Keys. Apesar de serem os caras mais malas da música atualmente, o som deles é ótimo. Mas o show foi chato demais. Fiquei o tempo inteiro batendo um papo com o Sardinha e nem me incomodei, porque a impressão que dava é que eu tinha colocado o CD para tocar em uma festa, porque eles são iguaizinhos no estúdio e porque todo mundo circulava e conversava. Tenho certeza que, em um side show, teria sido muito mais interessante.

31 de março

Vivendo do Ócio

Apesar do nome, a apresentação dos baianos não é nada ociosa. Jajá, mesmo vestido de bancário, manda muito bem e sabe controlar a galera, que sabia todas as músicas de cor e fazia questão de gritar todos os versos. Eu sempre acho que falta tocarem Lado Ruim pt. II, minha favorita, mas eles compensaram ao chamar o músico uruguaio Pedro Gonzalez e a dupla de repente Caju e Castanha para tocar O Mais Clichê, uma das melhores do segundo álbum deles. 


Foals

Eu tinha visto uma parte do show do Foals no Planeta Terra de 2008 e tinha simplesmente ficado doida com os caras. Depois disso, eles lançaram dois álbuns muito bons e a apresentação está totalmente diferente. Achei que, lá em 2008, quando tinham só o Antidotes, rolava mais experimentação. Gostei do show, mas, de novo, o som foi um problema. Ouvia melhor o Mix Hell, que tocava na Tenda do Perry, do que o Foals, que estava a dez passos de distância de mim.

Vanguart

Quando todo mundo foi ver Kaiser Chiefs, eu fui ver Vanguart, sem arrependimentos. Eu gosto demais da banda, que fez parte de momentos muito especiais da minha vida. Fazia uns quatro anos que eu não ia em nenhum show deles - depois de uns três anos indo a praticamente todas as apresentações deles em São Paulo - e foi um soco no estômago, muito forte. Mas valeu a pena.



The Hives

Um absurdo de divertido. Aquele início assustador era só fachada para um show que seria repleto de pulos, gritos, suor e insanidade, da plateia e do vocalista Pelle Almqvist. Eu só conhecia os hits, mas parece que aprendi o resto do setlist ali na hora por osmose com a galera. Destaque para o figurino: a banda toda de fraque e cartola e os roadies de ninja. Apenas incrível.

Planet Hemp

Fiquei em dúvida: ficar no lugar ótimo que estava para o Pearl Jam ou ver Planet Hempa? Optei pelo segundo e sabia que ia ser bom porque, enquanto cruzava o Jockey, eu vi lá de longe o Gil Brother no telão dando sua opinião sobre a maconha e sobre a banda. E que show! Como o Sardinha tinha me dito, é show para pular e gritar até morrer. Também, com todo esse raprockandrollpsicodeliahardcoreragga, não dava para esperar outra coisa.



Pearl Jam

O Tyler disse uma vez que show do Pearl Jam é assim: se você nunca viu, não adianta eu explicar. Se você já viu, você sabe como é e eu não preciso explicar. E é bem por aí mesmo. Eu já tinha visto os dois shows em São Paulo em 2011 e fiquei alucinada. Mesmo achando o setlist meio light e, de novo, o som baixíssimo, a sensação foi a mesma. Meu maior problema nesse show foi ter enfrentado a área coxinha: meninos e meninas bonitinhas que, sabe-se lá por qual motivo, pagam R$ 300 em um ingresso e R$ 8 em cada copo de cerveja para ficar batendo papo a noite inteira e atrapalhando quem realmente quer ver o show e se acabar com a banda. Acho simplesmente inconcebível dar atenção para outras pessoas além daquelas que estão em cima do palco.

O mais querido <3 td="">

Momento indignação

Não deixaram minha querida maçã entrar no primeiro dia do festival, mas perdi as contas de quantas peras, laranjas, maçãs e bananas do tamanho de bazucas que vi lá dentor - e inteiras. Por uma questão de honra, tive que levar outras maçãs nos outros dias, e essas passaram. FUCK THE POLICE!

Saldo

Apesar da lama, do estrume, dos preços abusivos, dos transtornos para ir embora, eu ainda estou em transe e nem percebi que já é quinta-feira. Mas o mérito é única e exclusivamente das bandas, nem um pouco da organização do festival. E que ano que vem minha maçã tenha paz.

Não dá para falar sobre esse Lollapalooza sem agradecer todos os amigos que, com certeza, fizeram dessa uma experiência muito melhor - alguns até já citados: Alê, Sardinha, Nik, Lika, Jann, Camis, Wag, Tyler, Tru e todo mundo que eu não encontrei. Ano que vem tem mais!

Tirando a foto da maçã e do unicórnio, essa última do Popload, todas são da Rolling Stone.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Gritos


Tem dias que a inspiração bate e escrever uma história - divertida, romântica, emocionante, tanto faz - é a coisa mais simples do mundo. Em outros, a impressão que dá é que fazer uma cirurgia cardíaca seria mais simples que digitar três frases curtas. O bom é que, em raras ocasiões, algo interessante se desenha na sua frente e você tem mesmo que aproveitar uma oportunidade tão linda dessas. 

Dessa vez, a história já estava prontinha. Eu só tinha que copiar e colar - e não, não é plágio.

Desde que se mudou para Itanhaém, minha mãe aprimorou suas aptidões tecnológicas. Assim quase como todo mundo, ela também trocou o telefone pela internet para muita coisa. Mas isso não quer dizer que ela tenha tanta intimidade como eu com a web - nem esperaria, já que foi, por tanto tempo, algo tão distante da realidade dela.

Aconteceu ontem, pela inbox do Facebook. A conversa é completamente fiel à realidade.

Mãe: “FILHA, TD BEM? QUER IR EM bRAGANÇA EM UM CASAMENTO COMIGO NO SABADO AS 11HS”

Eu: “ah, preciso responder agora? não tô muito afim não”

Mãe: “ATE SEXTA, PARA EU DECIDIR COMO FAZER OK”

Eu: “ok. casamento de quem?”

Mãe: "DE UMA MENINA DA DELEGACIA. TINHA ESQUECIDO, ELA ME CHAMPOU PRA MADRINHA FAZ TEMPO"

Eu: “nossa, mãe hahaha vc tem roupa?”

Mãe: “VOU ALUGAR NE. VOU VER POR AQUI”

Eu: “vc tá gritando?”

Mãe: “COMO ASSIM”

Eu: “é que vc tá escrevendo tudo em caixa alta, aí isso é grito na internet hahahaha”

Mãe: "NAO ENTENDO NADA DISTO"

Eu: (aqui eu já pensava que parecia mesmo que ela não entendia nada disto, mas a gente perdoa tudo da mamãe) "tudo bem, é que tá tudo maiúsculo"

Mãe: "TEM QUE ESCREVER EM MINUSCULO E ISTO"

Eu: "não precisa"

Mãe: "NAO ENTENDI, VC ESCUTA GRITO MEU E ISTO OU SOM"

Nesse ponto, eu fui tomada de uma necessidade inenarrável de ligar para ela e explicar tudo, e foi o que fiz. Depois que ela atendeu, respirei, segurei o riso e expliquei para ela que, na internet, quando a gente escreve tudo em letra maiúscula, é para dar a impressão de que estamos falando alto ou gritando mesmo. Perguntei se ela não estava entendendo.

- Nossa, você já tava me deixando louca! Eu nem tava falando nada, como que você tava me ouvindo gritar? Pensei que você tava ouvindo o rádio que tá ligado aqui, uê (ela usa muito essa expressão, que eu adoro)!!! Mas isso aí de gritar na internet é coisa de jovem, né, Natalia!

Rindo muito, desliguei o telefone e fui trabalhar. Hoje de manhã, conversamos de novo pelo Facebook, mas, dessa vez, ela escreveu tudo em caixa baixa. Lá no fundo, ela sabe que também é jovenzinha - ainda mais quando o assunto é internet.



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