terça-feira, 13 de março de 2012

Essas crianças

Dia desses, fui gastar um dinheiro. Diferentemente da maioria das mulheres que conheço, prefiro gastar tudo que tenho em livros, DVDs e CDs. Mas, como dessa vez tinha ganhado um vale presente da Daslu Renner, tive que comprar roupas.

Eu detesto comprar roupas. Acho super legal em fotos, nos outros, mas comigo não dá certo. Primeiro porque, na minha cabeça, estou sempre muito gorda, então nada serve. Segundo porque acho tudo muito caro – sempre que vejo uma etiqueta de preço, eu me pergunto “mas com esse dinheiro todo eu poderia comprar uns quatro livros”. Prioridades, né.

Depois de olhar muitas peças e nada me agradar, passei para os sapatos. Já fazia tempo que precisava de uma sapatilha e, em um momento de muita sorte, encontrei um par de oxfords gracinha. Para melhorar, eram os últimos do meu tamanho e estavam com um preço bem camarada. Enquanto experimentava, quase certa da minha nova aquisição, senti uma aproximação. Era uma criança.

Companheiro de guerra

Antes de continuar, preciso abrir parênteses: não tenho muito jeito com crianças. Elas costumam me amar – acho que é por causa do cabelo – e eu tento retribuir, mas nunca lidei muito bem com elas. Acho que é a falta de convivência, porque quando eu dava aulas de inglês, tinha turmas de pirralhos de todas as idades e nunca tive problemas. Agora, tenho alguns priminhos pequenos, mas não tenho tanto contato com eles quanto gostaria. Não tenho filhos, nem sobrinhos e nem irmãos pequenos, então criança é uma área a se explorar. Adoro quando amigos contam as histórias de seus filhos, sobrinhos, irmãozinhos e tudo o mais, mas fico boiando e não consigo entender como essas crianças de hoje em dia são tão pra frentex. Enfim, mesmo com meu conhecimento pífio do público infantil, uma coisa eu sei: não existe bicho mais honesto que criança. Continuando.

Era uma menininha de uns quatro anos, bem bonita. Parou do meu lado e ficou me olhando. No mesmo momento, gelei. Fiquei sem saber o que fazer. Como qualquer imigrante em terras desconhecidas, falei um oi. Ela abriu um sorriso e retribuiu, falando que seu nome era Vitória. Ela começou a me mostrar o que ela ia levar e pediu minha opinião. Com isso, pensei que já tinham carimbado meu passaporte para esse reino estranho encantado e resolvi que também poderia me abrir sem receio. Ledo engano.

Sou fofa, mas não valho nada

Perguntei o que ela achava do sapatinho que pretendia levar e, na mesma hora, recebi um olhar de reprovação e uma única frase: “se eu fosse você, levava outro, tipo esse aqui”, e apontou para um par de calçados infantis que só me serviriam na cabeça inocente da Vitória. Na mesma hora, meu mundo caiu. Até uma menina de quatro anos tinha mais noção de moda do que eu. Eu estava realmente muito empolgada para levar o sapato. Vale dizer que a mãe também não sabia onde enfiar a cara diante de tanta honestidade de sua filha.

Recolhi meu queixo do chão, peguei minha autoestima minhas coisas, sacudi a poeira e dei a volta por cima. A Vitória já tem um nome mais legal que o meu, mas ela não ia me derrubar por causa disso. Eu ia levar o sapatinho. Dei um tchau sem muitas emoções, virei o rosto e fui para a fila de pagamento, já me sentindo muito mais aliviada de sair de um ambiente tão hostil. Qual não foi minha surpresa quando, cinco minutos depois, a Vitória surgiu na fila, querendo ser minha amiga, enquanto a mãe saía correndo atrás dela aos gritos. Tentei ignorá-la, mas não resisti à sua doçura e começamos a conversar de novo. Dessa vez, foi muito mais agradável, talvez porque eu não tenha pedido nenhuma opinião de moda. Paguei e fui embora.

No dia seguinte, recuperei minhas emoções e minha autoestima e resolvi estrear o Oxford. Foram muitos elogios, tanto na faculdade quanto no trabalho, mas resolvi que ignoraria isso também. Porque, sem dúvida, se ainda fôssemos crianças, a resposta seria outra – e ainda não estou emocionalmente preparada para enfrentar tantas verdades de novo.

Vou deixar sua alma mais sem esperança que esse sofá

terça-feira, 6 de março de 2012

Ano novo, cara nova


Dia 3 foi o aniversário de dois anos do Caleidoscópio. Como sempre, me atrasei, me confundi, esqueci a data. Não é de propósito, mas é que minha memória é bem falha para datas.

Então, me sentindo muito culpada, fiz o que pude com orçamento e talento zero limitados para dar uma cara nova para o Caleidoscópio, curtiram? Apesar de ter desistido da aba com blogs que leio – estão todos aí ao lado direito -, agora, esse lindo blog tem um background diferente, está com uma aparência mais limpa, mas sem esquecer de uma de suas figuras mais importantes: a carismática lesma psicodélica, que até hoje não tem um nome. Aliás, vocês poderiam sugerir alguns, hein? Pensei em Astolfo e Mandraque, mas só percebi que é ótimo que eu ainda não tenha um filho.

Estou bem feliz de chegar ao segundo ano do Caleidoscópio – que tem um email e uma página no Facebook, porque achei chique e ficarei muito feliz se vocês curtirem – e espero que vocês também estejam. Ano novo, cara nova, textos novos e comentários novos, que aguardarei ansiosamente!

Por mais anos com fotos roubadas do Google. Parabéns, Eleanor

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sobre fé e música

Though I had certainly looked at religion, I have always been resistant to doctrine, and any spirituality I had experienced thus far in my life had been much more abstract and not aligned with any recognized religion. For me, the most trusthworhty vehicle for spirituality had always proven to be music. It cannot be manipulated, or politicized, and when it is, that becomes immediately obvious.

Fé não é um conceito muito simples. Admiro pessoas, como minha mãe, que acreditam, de forma inabalável, em algo que nunca viram. Sim, acredito que exista algum tipo de força superior que rege o planeta e a nossa existência, independentemente de religião. Afinal, é só olhar tudo que existe hoje em dia: alguém – ou algo – tem que ser responsável por tudo isso. Não tenho uma opinião formada sobre o assunto, nem tenho uma fé lá muito consistente, mas acho importante acreditar em alguma coisa maior que nós mesmos.

De uns tempos para cá, tenho depositado minha fé na música. Para mim, é a melhor manifestação de alguma existência divina. E, no dia 12 de outubro de 2011, eu vi Deus. Saí de casa com meu pai em direção ao Estádio do Morumbi já sabendo que veria algo suficientemente marcante para contar para os meus filhos, num futuro bem distante. 

Dizem quem a fé move montanhas. Não foi exatamente o que aconteceu, mas o lugar que receberia uma divindade em poucas horas estava tão abençoado que meu pai e eu conseguimos lugares bem melhores na plateia. Duas amigas que iriam em um bom setor, bem melhor que o meu, trocaram de ingresso conosco, pois queriam ver o show com os amigos, que estavam na nossa arquibancada. Aleluia: já iríamos ver Deus mais de perto.

Logo nos acomodamos para o início do culto, ministrado por Gary Clark Jr., um jovem surpreendente, que já emocionou bastante e me preparou para a celebração divina, que viria em sequência.

Quando subiu no palco, Deus parecia muito mais simples que sempre imaginei. Humilde e tímido, eu o confundiria facilmente com o dono da banca de jornal da minha rua. Em sua forma humana, também conhecida como Eric Clapton, Deus mostrou que, para arrebatar rebanhos e mais rebanhos de cordeiros, só precisa de uma Fender Stratocaster azul.


Foi, fácil, um dos melhores shows que já vi na vida. O modo como Clapton toca é completamente hipnotizante. Acho que passei as quase duas horas de show com todos os pelos do corpo arrepiados e com os olhos marejados de emoção. O que foi dito a respeito do espaço é verdade: se tivesse sido em um lugar menor e mais intimista, o show teria sido excelente e não perderia tanto da energia. Mas não seria isso que impediria Deus de fazer sua obra em nossas vidas naquela noite.


É inútil dizer qualquer coisa sobre o setlist, mas foi uma incrível sequência de clássicos do blues. Naquela noite eu percebi que, se a fé é na música e o rock’n’roll é a religião, o blues é, sem dúvida, aquele estado de transcendência espiritual, muito buscado e tão complexo de alcançar.

Tão complexo que, para mim, foi difícil digerir aquele show, assim como foi difícil escrever esse texto, que só saiu do forno cinco meses depois. Na verdade, só me senti segura para postar esse texto quando li, hoje, a citação que inicia esse texto, do próprio Eric, em sua autobiografia.

Acredito que eu ainda estou engatinhando nesse caminho, com pequenos, demorados, repetidos e deliciosos passos. Um bom começo foram os presentes de aniversário que ganhei – primeiro esse show, depois um DVD sensacional, de um casal incrível.

Não tenho muito mais a dizer sobre esse show. Afinal, quem sou eu para falar de Deus? Só sei que, para sempre, aquela data ficará guardada na minha memória, como a noite em que fui batizada. 

Amém.


domingo, 4 de março de 2012

Keep the car running


Muita gente nem faz ideia, mas eu ainda não sei dirigir. Já fiz autoescola – inúmeras vezes, mas isso é assunto para outro post – mas ainda não consegui tirar minha carta. Apesar disso, gosto de carros, mas não entendo tantos detalhes técnicos da coisa. Aí, a Porto Seguro resolveu que era hora de solucionar meu problema.

A equipe do Caleidoscópio Dental, também conhecida como eu, foi convidada a assistir o curso de Mecânica para Mulheres, uma realização da campanha Trânsito mais Gentil. Até expliquei para o pessoal da Porto que eles estavam atrás da pessoa errada, já que nem dirijo. Depois, percebi que estava equivocada. Desde quando só motoristas devem sabem como carros funcionam? Nunca se sabe quando eu precisarei mexer nessas coisas, que ninguém ensina todo dia.


No curso, ministrado pela mecânica Roseli Oliveira da Silva, que já trabalha nesse ramo desde 1996, ensina um verdadeiro beabá sobre carros, seu funcionamento, dicas e cuidados para as convidadas – em sua maioria, clientes do Seguro Auto Mulher e várias blogueiras.

Achei o detalhes das peças cor de rosa um charme à parte. A Roseli, sempre muito simpática, respondia aos questionamentos das meninas de forma clara e objetiva. Não é porque somos mulheres que não devemos saber nada sobre carros. Aliás, já mais que passou da hora desse preconceito morrer, afinal, o mundo mudou, e é a gente quem ganha com isso.


Lá, aprendi desde coisas básicas e fundamentais, como a importância da leitura do manual do veículo e nomes de peças, até processos que eu, como pedestre, ainda não vivenciei. De lambuja, ainda ganhamos certificado de participação, massagem e maquiagem profissional: serviço completo para deixar todas as convidadas mais conscientes, relaxadas e bonitas.

Sei que a Porto tem o Seguro Auto Mulher, cheio de benefícios para esse público tão complicado e exigente. Durante o curso, conversei com algumas das clientes, e todas consideraram um excelente investimento, não só pelo que é oferecido no papel, mas também por iniciativas como essa palestra.

Para uma seguradora, acredito que deva ser muito mais conveniente manter seus clientes no escuro em relação a situações como essa. Digo isso até por ter uma mãe que, desde quando me conheço por gente, vende todo tipo de seguro, de praticamente todas as empresas que atuam no Brasil, e ela sempre me disse que a Porto Seguro era a melhor de se trabalhar, tanto pelos benefícios oferecidos aos corretores – na maioria das vezes, um público que é deixado de lado pelas companhias – quanto pelos cursos de reciclagem recebidos. Por isso, considero essa iniciativa, voltada para os clientes, um diferencial muito relevante.

Porque não basta fazer o serviço: mais importante que isso é conscientizar, principalmente sobre um assunto tão sério quanto o trânsito, que é feito por pessoas que, independentemente de serem pedestres, motoristas ou ciclistas, precisam estar cientes de seus papeis nesse processo.


Uma das coisas mais importantes que aprendi na autoescola e que, infelizmente, parece entrar por um ouvido e sair pelo outro da maioria dos motoristas que tiram carta em São Paulo, é que trânsito é feito por todos, e que você dirige para você e para todos os outros. É uma grande responsabilidade. Então, acho válida qualquer iniciativa que vise tornar essa coisa tão chata e maçante em algo mais agradável e gentil.

Agora, eu entendo muito mais de carro e percebi que está longe de ser um bicho de sete cabeças. Mas, só para garantir: se der algum pepino com seu possante, é melhor ligar para a Porto.

** Esse curso aconteceu em outubro do ano passado, mas acho o tema tão importante que, mesmo tantos meses depois, ele tem que estar aqui no blog. E, além disso, essas coisas nunca perdem o timing, né?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Oração

Sábado foi minha colação de grau e eu fui a oradora da minha turma. Como tudo que acontece com essa sala, surgiram alguns probleminhas de última hora, mas nada que me impedisse de alcançar meu objetivo: fazer todo mundo chorar bicas lembrar dos bons momentos e agradecer por tudo que vem aí. 

Para vocês, segue o discurso na íntegra.

Depois de quatro anos – um pouco mais para alguns, finalmente concluímos uma das etapas mais importantes de nossas vidas. Passei as últimas semanas pensando em tudo que deveria ser dito aqui hoje, e essa tarefa se mostrou mais difícil do que eu esperava. Afinal, como sintetizar em poucos minutos tudo que aprendemos? 

Nesse período, nos dedicamos de corpo e alma ao estudo da Comunicação Social e, acredito que hoje, todos podemos dizer que aprendemos muito mais que Teoria da Comunicação, Planejamento Estratégico, ou qualquer outra matéria das grades de Relações Públicas e Jornalismo. 

Durante essa experiência acadêmica, aprendemos a compartilhar conhecimentos, a lidar com situações surpreendentes, a conviver com pessoas tão diferentes de nós. Aprendemos a ajudar nossos colegas nos momentos mais difíceis e demos muitas, mas muitas risadas – até quando não podíamos, diga-se de passagem. 

Falamos, argumentamos e escrevemos muito. Assim, aprendemos a amar as palavras, parte fundamental de nossas profissões. Choramos e nos desesperamos também, principalmente quando pensamos que cederíamos à pressão e que seria impossível entregar as tarefas no prazo – outra faceta importante de nosso trabalho, infelizmente... 

No fim das contas, tudo deu certo, e é ótimo ver tantos colegas reunidos hoje, prontos para receber seus diplomas. Tenho certeza que, daqui a alguns anos, todos os perrengues e sofrimentos serão lembrados e recontados com muita saudade. Afinal, quem nunca ficou acampado na fila da Xerox ou da cantina? Ou quem nunca se descabelou com as provas enormes do Cyro ou com os seminários da Rose Jordão, sempre em plena sexta-feira ou nas vésperas de feriado??? 

Não estivemos sozinhos durante essa caminhada. Pensando nisso agora, o espaço que dedicamos para os agradecimentos de nosso tão amado Trabalho de Conclusão de Curso ficou muito pequeno e merece ser reescrito.

Agradecemos aos nossos pais, que estão conosco desde o começo, nos apoiando e amando incondicionalmente, e nos apontando o caminho, sem nunca deixar que nos esqueçamos de nossa essência e de onde viemos. 

Aos irmãos, avós, tios, tias, primos e primas, que sempre nos ajudaram, e que sempre nos farão rir quando tentarmos explicar o que são Relações Públicas. 

Aos amigos e amigas, que sempre estiveram com os braços abertos para nós e que entenderam que as inúmeras vezes que não pudemos estar com eles nunca significaram que não queríamos estar presentes: agora estamos de volta! 

Aos namorados e namoradas, que compreenderam a distância, dividiram as atenções nos fins de semana com livros pesados e, muitas vezes, tiveram que matar as saudades só por telefone. 

Aos colegas de classe, que fizeram da faculdade uma experiência inesquecível. Obrigada pela companhia, apoio, risadas, bagunças e tantos outros momentos impagáveis. Sem vocês, não teria a mesma graça. E espero que agora a gente consiga marcar todos aqueles churrascos e aquelas viagens que sempre combinamos! 

Aos professores, por nos ensinarem muito mais do que matérias específicas, por despertarem nosso interesse e nossa criatividade, e por nos ajudarem, sempre com um sorriso no rosto, mesmo quando achávamos que isso fosse impossível. 

Às Faculdades Integradas Rio Branco, nossa segunda casa durante esse período, palco de nosso aprendizado e de muita diversão. 

Hoje, concluímos uma importante etapa de nossas vidas. Em 2008, quando nossos caminhos se cruzaram, éramos muito diferentes. Mais jovens, menos experientes e, sem dúvida, achando que a faculdade seria o último grande passo que daríamos. Crescemos, amadurecemos e percebemos que a jornada está apenas começando. Que venham os desafios: estamos prontos para eles! 

Graduandos de Relações Públicas e Jornalismo de 2012 das Faculdades Integradas Rio Branco: parabéns, nós conseguimos!

Quero aproveitar e agradecer todos os dois leitores do Caleidoscópio. O ano passado foi muito corrido e, infelizmente, o blog não teve toda a atenção que merecia. Obrigada a vocês também pela compreensão e pela força. Eu estava morrendo de saudades de escrever e de ver os comentários de vocês, mas agora estou de volta!

Turma de 2011 de Hogwarts, parabéns!
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